O que aconteceu
Gostaria de registrar formalmente uma reclamação referente ao atendimento do meu filho com o neurologista pediátrico. *****
Na primeira consulta, o médico afirmou que, na opinião dele, o comportamento do meu filho seria falta de surra. Somente solicitou exames para investigação porque eu expliquei que tenho conhecimento sobre TDAH e que observava nele alguns traços que, na minha percepção, mereciam ser investigados.
Hoje retornamos para apresentar os exames. Havia muitas pessoas aguardando atendimento e, durante a consulta, senti que o atendimento foi extremamente rápido. O médico praticamente não conversou com meu filho, não realizou uma avaliação clínica adequada naquele momento e sequer fez perguntas suficientes para compreender o comportamento e o histórico da criança.
Ele perguntou se meu filho era bom na escola. Respondi que sim, que ele é um dos melhores alunos da turma. Expliquei, entretanto, que desde pequeno a principal dificuldade observada por nós e também relatada pelas professoras é a desatenção, tanto na escola quanto em casa.
Também expliquei que tenho conhecimento sobre TDAH e que reconheço alguns desses comportamentos porque também apresento desatenção. Questionei então como ele poderia concluir que, para ele, seria ansiedade, considerando que não havia feito perguntas suficientes para realizar essa diferenciação.
Quando questionei sobre a possibilidade de TDAH, expliquei que sei que o transtorno não se resume ao desempenho escolar e que existem diferentes apresentações. Uma criança com TDAH pode ter bom desempenho acadêmico, inclusive apresentar hiperfoco em determinadas atividades, ser muito inteligente e ainda assim apresentar prejuízos relacionados à atenção e às funções executivas.
Nesse momento, mencionei inclusive o trabalho do pediatra *****. O médico respondeu que, nesse caso, eu deveria procurar uma neuropsicóloga para investigar.
Que estava romantizando o tdah
O que mais me causou indignação foi ele mencionar que, na visão dele, meu filho deveria tomar ansiolítico, sem que, naquele atendimento, tivesse realizado uma investigação clínica que justificasse essa indicação.
Questionei: Como o senhor pode falar em ansiolítico se nem fez perguntas suficientes para avaliar se ele apresenta ansiedade?
Diante da minha contestação, o médico afirmou que eu queria ensinar ele a ser médico. Esclareço que essa nunca foi a minha intenção. Sou simplesmente uma mãe que busca compreender o próprio filho, que estuda sobre desenvolvimento e saúde mental e que acredita que uma criança merece ser investigada de maneira cuidadosa antes de receber qualquer hipótese diagnóstica ou indicação medicamentosa.
Saí da consulta bastante nervosa e insatisfeita com a condução do atendimento.
Minha reclamação não é pelo fato de o médico ter uma hipótese diferente da minha. Eu aceitaria perfeitamente que ele dissesse: Não vejo critérios suficientes para TDAH neste momento; vamos investigar ansiedade ou encaminhar para avaliação neuropsicológica.
O que considero inadequado é apresentar uma hipótese de ansiedade e mencionar uso de ansiolítico sem realizar uma investigação clínica suficientemente detalhada, especialmente tratando-se de uma criança.
Solicito que este relato seja registrado formalmente e que a clínica avalie a condução desse atendimento.