O que aconteceu
À Direção e ao Departamento Jurídico do Dream Car São Roque
Eu, *****, venho por meio desta apresentar reclamação formal e tentativa de conciliação amigável em razão dos fatos ocorridos em suas dependências no dia 31 de janeiro de 2026.
Cronologia do Acidente e Falha na Prestação de Serviço
No dia 31/01/2026, estive no Dream Car com um grupo de 9 pessoas. Durante a atividade de Kart, fui vítima de grave negligência:
Falta de preparo da equipe e protocolos de segurança: Não houve auxílio na regulação de bancos para crianças e pessoas de diferentes estaturas; meu noivo precisou realizar o ajuste que competia aos instrutores.
Aviso de Defeito Ignorado: Reportei calor excessivo no Kart, vindo do motor, desde a primeira volta de reconhecimento. Solicitei ajuda incisivamente, mas os fiscais sinalizaram para que eu continuasse. Um funcionário chegou a olhar o veículo e afirmou ser "normal", induzindo-me ao erro e ao perigo; com o calor excessivo, não completei duas voltas, por escolha minha, abandonei a corrida e saí do carro.
O Sinistro por Vapor: Ao desistir devido ao incômodo e ao calor excessivo, entreguei o veículo soltando vapor/fumaça a cerca de 40 cm de altura. Fui atingida por esse vapor quente, o que causou queimaduras de 1 e 2 graus. Ao questionar sobre a fumaça, fui informada novamente de que era "normal". Ao chegar ao banheiro, constatei queimaduras severas, com a pele enrugada e formação imediata de bolhas. Meus amigos chamaram o alguém do ambulatório da unidade, que foi ao banheiro e me acompanhou para o primeiro curativo.
Confissão de Culpa e Contradição do Parque
É fundamental destacar o comportamento contraditório e negligente da gerência:
No ambulatório, o gerente Vinícius afirmou, na presença de testemunhas, que o problema era exclusivamente no carro. Ele declarou que "isso nunca havia acontecido", mencionando que pessoas muito maiores que eu já haviam utilizado os carros sem problemas.
Retirada do Veículo: O carro n 1 foi imediatamente retirado da pista para as corridas seguintes.
Durante o atendimento o Vinicius informou que iriam arcar com todos os gastos do tratamento, reembolso do ingresso e passou seu contato de whatsapp para contato. Também seriam feitos apontamentos para equipe de prova, pois na visão de gerente houve inúmeras falhas na conduta da sua equipe.
Descaso e Quebra de Expectativa
Embora o gerente Vinícius tenha prometido publicamente que o parque arcaria com todas as despesas, o Dream Car cessou o contato em 13/02/2026, após recusarmos um acordo de R$ 1.000,00 (mil reais), que não cobria sequer o início do tratamento. Após a recusa o Gerente Vinicius informou qur o Jurídico entraria em
Contato e até hoje 20/03/2026 estamos desamparados. Além disso, eles alegaram ter feito uma perícia no macacão e no carro e "não teriam culpa" porque o macacão não apresentava marcas. Tal argumento é tecnicamente nulo, visto que a lesão foi causada por vapor em alta temperatura, que atravessa o tecido e queima a pele sem necessariamente carbonizar a vestimenta.
O silêncio e a posterior saída do funcionário, sem a transição de um novo contato, demonstram má-fé e descaso com a integridade física do consumidor.
Danos Físicos, Saúde Mental, Impedimento de Tratamentos Médicos e Tratamento Médico Complexo
O diagnóstico no ambulatório do parque e a posterior confirmação hospitalar apontaram queimaduras de 1 e 2 graus profundas. O tratamento tem sido excruciante. A gravidade da lesão e o longo tempo de recuperação estão gerando um efeito cascata em minha saúde:
Desbridamento Químico: Recentemente, fui submetida a um procedimento doloroso para retirada de tecido necrótico, o que regrediu o estágio da ferida e prolongou o tempo de cura e o sofrimento.
Localização Crítica: Por ser na região da coxa/quadril, a cicatrização é lenta, causa sangramentos constantes ao menor movimento e exige deslocamentos de até 3 horas (ida e volta) para o Hospital Santa Catarina, até 3 vezes por semana.
Dores Reflexas: A impossibilidade de movimentação natural me obriga a permanecer em posições fixas por longos períodos, o que tem gerado dores crônicas por todo o corpo, além de problemas circulatórios.
Impedimento de Check-ups e Cirurgias: Devido à dor e à ferida aberta, estou impedida de realizar exames essenciais, como consultas e o acompanhamento de cirurgias que preciso realizar.
Dificuldades Diagnósticas: Não consigo realizar uma tomografia dentária necessária para tratar uma inflamação, pois o exame exige tempo de permanência (em pé ou sentada) que a lesão não permite. O mesmo ocorre com exames oftalmológicos; meu tratamento dentário também teve que ser interrompido devido à logística de locomoção dolorosa.
Saúde Mental e Ansiedade: O acidente desencadeou um quadro de ansiedade e transtorno do sono. A evolução lenta da ferida e o medo de sequelas me fazem acordar assustada durante a noite, impedindo o descanso. O estresse extremo e o estado de alerta constante afetaram profundamente meu equilíbrio emocional.
Impacto Profissional e Risco de Quebra de Contrato
Tanto eu quanto meu esposo atuamos como prestadores de serviços (PJ). O acidente alterou drasticamente minha capacidade laboral:
Minha atividade exige presença física, mas estou há quase 2 meses trabalhando de casa devido à impossibilidade de locomoção e às dores intensas.
Essa ausência prolongada do ambiente presencial gera um risco real de perda do meu contrato atual, uma vez que não consigo cumprir as exigências da prestação de serviço contratada.
As constantes saídas para consultas e tratamentos prejudicam o fluxo de trabalho, gerando acúmulo de tarefas e instabilidade profissional.
Impacto na Rotina Pessoal e Vida Social
O acidente paralisou completamente minha vida pessoal por quase dois meses:
Perda de Autonomia: Não consigo realizar tarefas básicas como cozinhar, lavar roupa ou limpar a casa, sobrecarregando meu noivo e dependendo da ajuda de familiares ou da contratação de diaristas.
Isolamento Familiar e Afetivo: Tenho que dormir separada do meu noivo devido à sensibilidade da ferida e evitar contato com meu animal de estimação.
Impacto na Autoestima e Estética: A dor impediu a manutenção de cuidados básicos de higiene e estética. Tive que remover unhas de fibra (por não suportar o tempo de manutenção sentada), não consigo ir à manicure/pedicure, fazer sobrancelhas ou realizar a manutenção do cabelo (progressiva), pois o local da queimadura atrita diretamente com o braço das cadeiras de atendimento; a dor e a dificuldade de locomoção não ajudam. Isso tem afetado severamente minha autoimagem.
Perda de Eventos Significativos: Fui impedida de participar de compromissos com amigos, aniversários e, agora em março, não poderei viajar para o aniversário da minha mãe. Estou impedida de frequentar minha igreja e de tirar minhas férias sempre marcadas nas épocas de março e abril .
O caso enquadra-se no Artigo 14 do Código de Defesa do Consumidor (Lei 8.078/90), que estabelece a responsabilidade objetiva do fornecedor de serviços por danos causados. Tenho direito à reparação integral por:
Danos Materiais: Reembolso de todos os custos médicos, curativos de alta tecnologia (Silvercel, Adaptic, UrgoClean, Mepilex entre outros) e transporte.
Danos Morais, Estéticos e à Saúde: Pelo sofrimento físico prolongado, noites sem sono, privação da vida social e familiar, descaso no atendimento pós-acidente, abalo emocional, impedimento de tratamentos médicos preexistentes, perda de férias/lazer e cicatrizes permanentes.
ESTADO ATUAL: A ferida permanece aberta e sensível, exigindo acompanhamento médico constante e insumos de alto custo.
PRAZO FINAL
Solicito o contato imediato do departamento jurídico para apresentar uma solução. Caso não haja manifestação no prazo de cinco dias corridos, daremos entrada na devida Ação Judicial, utilizando as provas e testemunhas presentes e a negligência da equipe.
*Anexo fotos tiradas no dia da queimadura do parque, dos sangramentos e o estado atual da queimadura.*