Atendimento desumano e desrespeitoso na Maternidade do Hospital de Clínicas de Curitiba

Respondida
Curitiba - PR
10/06/2026 às 10:57
ID: 251004031
À Ouvidoria,
Venho registrar uma reclamação formal e solicitar apuração urgente dos fatos ocorridos durante meu atendimento na Maternidade do Hospital de Clínicas de Curitiba no dia *****, uma terça-feira, durante o período diurno.
Faço questão de destacar que esta reclamação se refere especificamente à equipe de enfermagem que atua às terças-feiras durante o dia. Durante minha permanência no hospital, ouvi diversos relatos de outras pacientes que já conheciam a péssima reputação dessa equipe e descreviam experiências semelhantes às que vivi. Ficou evidente que não se trata de um fato isolado, mas de uma situação recorrente, conhecida e comentada entre as próprias pacientes.
Na referida data, permaneci durante todo o dia agonizando de dor, com enjoo, mal-estar intenso e outros sintomas que exigiam acolhimento, cuidado e assistência adequada. Em vez disso, fui submetida a um atendimento que considero desumano, marcado por descaso, falta de empatia e total desrespeito à minha condição de paciente e gestante.
Em determinado momento, chegaram inclusive a me negar algo para comer, mesmo diante do meu estado de fragilidade física. Em nenhum momento senti acolhimento, preocupação ou humanidade por parte da equipe. Pelo contrário, a impressão transmitida era de hostilidade constante. A imagem que essas profissionais passam é a de pessoas que desenvolveram uma profunda aversão às próprias gestantes que deveriam cuidar. A forma como tratam mulheres grávidas em situação de dor e vulnerabilidade faz parecer que enxergam as pacientes como um incômodo e não como seres humanos necessitando de assistência.
Solicitei o nome de uma das enfermeiras para registrar uma reclamação formal, mas ela se recusou a fornecer sua identificação. Logo depois, passou a conversar em voz alta com outra colega, de forma que eu pudesse ouvir claramente. Nessa conversa, relatava que, na época da COVID, uma paciente havia pedido seu nome para fazer uma reclamação na ouvidoria e debochava da situação, afirmando que não se importava porque "nunca dá em nada mesmo". A postura demonstrada foi de total desprezo pelos pacientes, pelas reclamações recebidas e pela própria instituição.
O mais revoltante é que não se tratava de uma única profissional. A impressão deixada foi de que toda a equipe de enfermagem do período diurno de terça-feira, desde a triagem até o setor onde são administradas medicações e soros, atuava da mesma forma: fria, hostil, indiferente ao sofrimento humano e completamente desprovida da empatia mínima exigida para o exercício da profissão.
Porém, há outro aspecto que considero importante registrar. Todas as gestantes com quem conversei relataram o mesmo nível de descaso, humilhação e sofrimento durante os atendimentos prestados por essa equipe. Quando eu perguntava se haviam formalizado denúncias ou reclamações, a maioria respondia que não havia feito nada. Isso me fez compreender por que esse comportamento parece se perpetuar ao longo dos anos. Muitas pacientes chegam fragilizadas, cansadas, com dor e emocionalmente abaladas, e acabam indo embora sem denunciar. O resultado é que a cultura de descaso permanece sem consequências aparentes, enquanto novas mulheres continuam sendo submetidas ao mesmo tratamento.
Saí do hospital profundamente abalada. Além do sofrimento físico que já enfrentava, fui submetida a um ambiente que me fez sentir humilhada, desamparada e à mercê de pessoas que ocupam posições de autoridade sobre pacientes vulneráveis e que parecem utilizar essa posição para aumentar ainda mais o sofrimento de quem procura ajuda. A sensação vivida naquele dia foi a de estar em um ambiente dominado pelo desprezo e pela crueldade, onde a dor das pacientes não desperta compaixão, mas indiferença.
É extremamente contraditório que o hospital esteja repleto de cartazes sobre acolhimento à gestante, humanização do atendimento e combate à violência contra a mulher, enquanto na prática pacientes são submetidas a situações como as que vivi. O que passei naquele dia foi muito além de um atendimento ruim. Foi uma experiência profundamente traumática e degradante.
Solicito a identificação dos profissionais que atuavam na maternidade durante o período diurno da terça-feira, *****, a apuração rigorosa dos fatos relatados e a adoção das medidas cabíveis para que outras pacientes não sejam submetidas ao mesmo tratamento.
Exijo acompanhamento deste protocolo e retorno formal contendo as providências efetivamente adotadas. Não aceitarei uma resposta genérica ou meramente protocolar. Como cidadã, contribuinte e usuária de um serviço público que deveria existir para proteger pessoas em situação de vulnerabilidade, exijo que meus direitos sejam respeitados.
A gestação já é, por si só, um período de desafios físicos e emocionais. Nenhuma mulher deveria precisar enfrentar, além disso, humilhação, descaso e desumanidade justamente em um setor que deveria ser referência em acolhimento e cuidado.
Caso nenhuma providência concreta seja tomada, informo desde já que recorrerei a todos os meios administrativos e legais ao meu alcance para buscar responsabilização e assegurar que esta situação seja efetivamente investigada. Não pretendo permitir que este relato seja apenas mais um entre tantos que acabam esquecidos sem qualquer consequência.
Espero uma apuração séria, transparente e compatível com a gravidade dos fatos aqui relatados. Exijo acompanhamento deste protocolo, retorno sensato sobre as providências adotadas e respeito aos meus direitos como paciente, cidadã e contribuinte.
Atenciosamente,
*****
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Resposta da empresa
19/06/2026 às 15:35
Olá, Keli, boa tarde!
A Ouvidoria-Geral da HU Brasil tem o prazer em lhe atender.
Em atenção ao seu pedido, informamos que o canal correto para pedidos de demandas de Ouvidoria é o Fala.BR (https://falabr.cgu.gov.br/), plataforma de ouvidoria de uso obrigatório no âmbito do Poder Executivo Federal.
Nesse sentido e em cumprimento à Portaria CGU 116/2024, informamos que a HU Brasil não utiliza o canal RECLAME AQUI para tratamento de demandas.
Qualquer dúvida, a Ouvidoria-Geral está à inteira disposição para esclarecimentos, através do telefone 061 3255 8298.
Sendo essas as informações para o momento, seguimos à disposição. Na oportunidade, desejamos um excelente dia!