Exames genéticos: qual a utilidade deles?
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Exames genéticos: qual a utilidade deles?

Atualizado em: 02/09/2024


Os exames genéticos têm se destacado na área da medicina, oferecendo novas perspectivas para o diagnóstico e o tratamento de diversas condições de saúde.

Os recentes avanços, em termos de análises moleculares, estão aprimorando consideravelmente a precisão dos exames genéticos. Agora, os especialistas podem examinar de perto alterações específicas no DNA, proporcionando informações detalhadas sobre a presença de variantes genéticas associadas a diferentes doenças.

Esse nível de detalhamento é crucial para a precisão do diagnóstico, impactando também a escolha de um tratamento mais personalizado e eficaz. Os exames genéticos têm se mostrado particularmente valiosos no contexto das doenças raras. Muitas dessas condições representam um desafio na hora da obtenção do diagnóstico, devido à sua natureza incomum, mas a análise genética pode oferecer respostas fundamentais, por meio da identificação de variantes específicas associadas a cada condição.

Neste conteúdo, você encontrará informações importantes sobre o que são os exames genéticos e quais as suas aplicações. Boa leitura!

O que são os exames genéticos?


Os exames genéticos constituem uma categoria de testes diagnósticos que exploram a informação contida no material genético de um indivíduo, podendo abranger uma variedade de técnicas moleculares, tais como: Sequenciamento de Nova Geração (NGS), cariótipo, análise cromossômica por microarranjos, multiplex ligation-dependent probe amplification (MLPA), entre outros.

Esses exames oferecem uma visão abrangente da constituição genética da pessoa, permitindo a identificação de anomalias cromossômicas, o que inclui aneuploidias, alterações cromossômicas estruturais e variantes intragênicas, como pequenas deleções e duplicações ou variantes de nucleotídeo único (também conhecidas como variantes de ponto).

Uma grande parcela desses exames utiliza a tecnologia de Sequenciamento de Nova Geração (NGS, do inglês Next Generation Sequencing), que consiste no sequenciamento massivo paralelo de vários fragmentos do DNA em um único procedimento. O NGS pode ser aplicado para analisar genes/regiões específicas do DNA, como genes únicos ou painéis genéticos, até exames mais abrangentes, como o sequenciamento do exoma, que contempla as regiões codificantes dos nossos 20 mil genes, visando identificar variantes associadas a determinadas condições médicas, conforme descreveremos em mais detalhes a seguir.

Painéis genéticos


Como mencionado, os painéis genéticos são exames projetados para avaliar diversos genes simultaneamente, oferecendo uma visão ampliada e detalhada da presença de variantes genéticas associadas a um grupo de doenças hereditárias, predisposições genéticas e até respostas individuais a medicamentos.

Esses painéis são especialmente úteis quando os sintomas de uma condição com possível etiologia genética estão presentes, mas a causa não está clara apenas pela avaliação clínica. Para exemplificar, existem painéis voltados para a investigação de causas genéticas vinculadas a manifestações como epilepsia, alterações cardíacas estruturais, alterações oftalmológicas, entre muitas outras indicações.

Outra aplicação comum dos painéis genéticos é para a complementação da triagem neonatal, por meio do Teste Genético da Bochechinha. Esses exames auxiliam na identificação precoce de condições genéticas em recém-nascidos, possibilitando intervenções mais rápidas e eficazes.

Os painéis genéticos podem variar em tamanho e escopo, desde análises focadas em poucos genes até painéis extensos que avaliam centenas de genes. A escolha do exame dependerá do propósito do teste e das suspeitas clínicas definidas pelos médicos especialistas.

Exoma completo


O exoma completo utiliza a mesma técnica de NGS para sequenciar toda a região codificante do genoma humano, a qual representa cerca de 1% do genoma total, contendo a maioria das variantes associadas a doenças.

Pode ser indicado para pacientes que já realizaram outros exames sem sucesso na identificação de variantes genéticas ou, ainda, para pacientes que apresentem quadros clínicos complexos, com suspeita de herança mendeliana. Além do diagnóstico, o exoma completo desempenha um papel relevante na pesquisa genética, ajudando a identificar novas variantes associadas a condições específicas. Sua capacidade de explorar novos horizontes o torna uma ferramenta valiosa para impulsionar o entendimento das bases genéticas de diversas doenças.

Qual a utilidade dos exames genéticos?


Os exames genéticos são recomendados em uma variedade de contextos clínicos, incluindo investigação de anomalias congênitas, previsão de resposta a tratamentos específicos, avaliação de predisposição a doenças hereditárias e investigação de pessoas que possuem histórico familiar de doenças genéticas, uma aplicação útil para analisar o risco de um indivíduo desenvolver ou transmitir tais condições hereditárias a seus descendentes.

É essencial compreender que os resultados dos exames genéticos devem ser interpretados dentro do contexto clínico, não determinando, por si só, um diagnóstico. Entretanto, oferecem informações que, quando combinadas com dados clínicos e outros exames, subsidiam os profissionais médicos na formulação de diagnósticos mais precisos e no desenvolvimento de estratégias de tratamento personalizadas.

Quais as especialidades atendidas por exames genéticos?

Os exames genéticos podem ser empregados por praticamente todas as especialidades médicas, englobando áreas como genética, neurologia e oncologia. Na neurologia, podem ser úteis para a identificação de causas genéticas de distúrbios neurológicos, como condições neurodegenerativas e transtornos do desenvolvimento.

Já na oncologia, os exames são utilizados para investigar predisposições hereditárias ao câncer, identificando indivíduos em risco aumentado. Esses exames podem, ainda, orientar a escolha de tratamentos oncológicos, alinhando-se com a visão da medicina personalizada.

Outras especialidades que têm aderido à utilização de exames genéticos incluem a cardiologia, oftalmologia e pediatria, considerando as aplicações para o rastreamento neonatal.

Como são realizados os exames genéticos por NGS?


O primeiro passo é a coleta da amostra, que pode ser sangue ou saliva. A coleta de sangue é feita de maneira semelhante a outros exames laboratoriais, enquanto a de saliva é feita por meio da utilização de uma espécie de cotonete na região bucal.

Após a coleta, o DNA é extraído e isolado da amostra coletada. Em seguida, é feito o sequenciamento, gerando um grande volume de dados que serão analisados após um processamento por bioinformática para a identificação das variantes genéticas.

Com os dados avaliados e devidamente correlacionados com as informações clínicas fornecidas pelo médico solicitante, é elaborado o laudo genético. O documento é um resumo dos achados genéticos, que informa se foram identificadas variantes clinicamente relevantes associadas ao quadro do paciente, apresentando a descrição desses achados.

A realização de exames genéticos requer tempo, tendo em vista as várias etapas envolvidas no processo. No Sabin, o prazo para a entrega dos resultados é de 15 dias úteis. Esse período inclui todas as fases, desde a coleta até a elaboração do laudo, garantindo a confiabilidade das informações.

Importância do aconselhamento genético


Os painéis genéticos têm se destacado também como ferramentas valiosas para o aconselhamento genético, processo que envolve a análise e a interpretação de informações genéticas, cuja finalidade é ajudar pessoas ou famílias a entenderem o risco associado a doenças genéticas ou condições hereditárias.

Pode ser particularmente interessante para casais que desejam ter filhos ou para pessoas que desejam investigar a predisposição ao desenvolvimento de determinado tipo de câncer, por exemplo. Essas informações não apenas auxiliam na prevenção, como também na tomada de decisões conscientes sobre cuidados específicos e monitoramento médico contínuo.

O aconselhamento genético não se resume apenas à realização do teste genético em si. Após a obtenção dos resultados, a avaliação clínica especializada por um médico é imprescindível para a correta interpretação do exame. É através desse processo que os resultados são contextualizados de acordo com o histórico médico e familiar.

É fundamental compreender que um resultado reportado em um painel genético não é automaticamente equivalente a uma doença manifestada. Por exemplo, pessoas com variantes genéticas relacionadas ao câncer podem nunca desenvolver neoplasias. Da mesma forma, um resultado sem variantes reportadas não exclui completamente a possibilidade de uma condição genética.

Previsão de cobertura de exames genéticos pela ANS


Em determinadas situações, esses exames podem ter previsão de cobertura pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), proporcionando aos beneficiários de planos de saúde a oportunidade de acesso a esses recursos. A ANS é o órgão responsável por regulamentar e fiscalizar planos e operadores de saúde no Brasil e estabelece diretrizes e regras para a cobertura de procedimentos médicos.

Em casos nos quais, além do diagnóstico pessoal do paciente, há um histórico familiar que pode indicar predisposição genética a certas condições, os exames genéticos podem ser considerados e contemplados pelo rol de procedimentos da ANS. O mesmo se aplica quando há suspeita ou diagnóstico de doenças genéticas.

É importante que o paciente pergunte ao médico sobre essas informações e se existe a possibilidade de cobertura, já que os critérios podem variar ao longo do tempo, conforme as atualizações das diretrizes.

Agora que você já sabe o que são e para que servem os exames genéticos, sugerimos a leitura do conteúdo sobre doenças causadas por mutações genéticas para aprofundar ainda mais o seu conhecimento sobre o assunto.

Sabin avisa:


Este conteúdo é meramente informativo e não pretende substituir consultas médicas, avaliações por profissionais de saúde ou fornecer qualquer tipo de diagnóstico ou recomendação de exames.

Importante ressaltar que diagnósticos e tratamentos devem ser sempre indicados por uma avaliação médica individual. Em caso de dúvidas, converse com seu médico. Somente o profissional pode esclarecer todas as suas perguntas.

Lembre-se: qualquer decisão relacionada à sua saúde sem orientação profissional pode ser prejudicial.

Referências:


ANS. Rol de Procedimento e Eventos em Saúde 2021. Disponível em: https://www.ans.gov.br/images/stories/Plano_de_saude_e_Operadoras/Area_do_consumidor/rol/2021/anexo_ii_dut_2021_rn_4652021.pdf Acesso em: 19/12/2023

Behjati S, Tarpey PS. What is next generation sequencing? Arch Dis Child Educ Pract Ed. 2013 Dec;98(6):236-8. doi: 10.1136/archdischild-2013-304340

Mayo Clinic. Genetic Testing. Disponível em: https://www.mayoclinic.org/tests-procedures/genetic-testing/about/pac-20384827

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Por que é importante fazer exames de check-up médico?

Em algum momento da sua vida, você já deve ter ouvido falar na necessidade de realização de um check-up médico. Mas você sabe por que ele é tão importante para a saúde? Os exames de check-up são muito utilizados para rastrear e diagnosticar precocemente doenças ainda em seus estágios iniciais , constituindo importantes ferramentas utilizadas na medicina preventiva. Neste conteúdo, vamos esclarecer as principais dúvidas relacionadas à importância de realizar um check-up médico periodicamente. O QUE É CHECK-UP MÉDICO? O check-up médico é um termo utilizado para designar um conjunto de exames de rotina , que incluem avaliações clínicas, além de exames laboratoriais e de imagem , a fim de analisar o estado geral de saúde do paciente. Esses exames são específicos para cada pessoa e devem considerar fatores como idade, sexo e históricos pessoal e familiar. QUAL O OBJETIVO DE REALIZAR UM CHECK-UP MÉDICO? Como mencionado, o check-up é muito importante para monitorar o estado de saúde geral do indivíduo. No entanto, uma de suas principais funções é a prevenção. Por meio da realização dos exames, é possível detectar precocemente alterações indicativas de diversas doenças, como diabetes, hipertensão e alguns tipos de câncer. Grande parcela da população não realiza consultas médicas de rotina e só busca auxílio quando já está sofrendo alguma indisposição ou dor mais séria. Esse é um grande problema, uma vez que doenças que poderiam ser facilmente tratadas e evitadas acabam se agravando e necessitando de intervenções terapêuticas mais agressivas. No check-up médico, são feitas ações para apoiar o paciente a continuar tendo uma vida saudável. Trata-se de orientações que envolvem a vacinação, o estabelecimento de uma dieta equilibrada, mudanças de hábitos de vida — como o tabagismo — e o incentivo para a realização de atividades físicas. Nas consultas, poderão ser solicitadas avaliações complementares de outros especialistas, como nutricionistas e educadores físicos. QUAIS OS EXAMES MAIS SOLICITADOS EM UM CHECK-UP MÉDICO? A quantidade e os tipos de exames solicitados podem variar conforme o perfil e a necessidade da pessoa. A seguir, abordaremos as avaliações frequentemente realizadas em um check-up. PESO, ALTURA E MEDIÇÃO DA PRESSÃO ARTERIAL São exames simples que podem ser realizados no próprio consultório médico. A avaliação das dimensões corporais é chamada avaliação antropométrica , e serve para verificar o estado físico geral da pessoa. Já a medição da pressão arterial é importante para identificar alterações na pressão, que podem ser indicativas de doenças cardiovasculares como a hipertensão. COLESTEROL Exame muito importante para avaliar os níveis de colesterol no sangue. Níveis elevados dessa substância podem indicar maior risco de desenvolvimento de doenças cardiovasculares, como infarto agudo do miocárdio e Acidente Vascular Cerebral (AVC). É fundamental diferenciar as dosagens de colesterol total e frações. No segundo, são avaliados parâmetros de forma separada, dosando a quantidade de HDL (também conhecido como o colesterol bom) e de LDL (conhecido como colesterol ruim). A dosagem de colesterol total considera a somatória de todos os tipos. GLICEMIA Exame que avalia os níveis de glicose sanguínea (glicemia). Um dos mais utilizados é a glicemia de jejum, exame feito pela manhã onde se quantifica a glicose após o paciente realizar período de jejum de 8 a 10 horas. A glicemia de jejum é muito importante para verificar alterações no metabolismo da glicose, que podem ser indicativas de pré-diabetes ou diabetes mellitus. HEMOGRAMA O hemograma é um exame que avalia o sangue e seus componentes. Nele, são analisados os glóbulos vermelhos (hemácias), glóbulos brancos (leucócitos), plaquetas, além de outros parâmetros importantes, como a hemoglobina. O procedimento de coleta é rápido e não necessita a realização de jejum. O hemograma é um exame que pode auxiliar na detecção de anemias, infecções (virais ou bacterianas), processos alérgicos e outras doenças sanguíneas, como a leucemia e a policitemia. OUTRAS DOSAGENS BIOQUÍMICAS E HORMONAIS Poderão ser solicitados exames que avaliam os níveis das enzimas ALT e AST (ou TGP e TGO), parâmetros importantes para verificar a existência de lesões no fígado. As dosagens de hormônios, como o TSH e T4 livre, são excelentes formas de verificar o funcionamento da glândula tireoide. Alterações nos níveis desses hormônios podem indicar hipertireoidismo ou hipotireoidismo. Para analisar a função renal, são geralmente solicitadas as dosagens de creatinina e ureia no sangue. A creatinina é uma substância produzida em decorrência do metabolismo muscular e que acaba se acumulando na corrente sanguínea. Sua eliminação ocorre pelos rins, que filtram o sangue para que a creatinina saia do corpo através da urina. Caso haja alterações no órgão, as concentrações de creatinina podem estar elevadas. A ureia é uma substância produzida pelo fígado em decorrência do metabolismo de proteínas. De maneira semelhante à creatinina, a ureia também é eliminada do sangue pela ação dos rins. Portanto, as dosagens de creatinina e ureia são importantes parâmetros utilizados para verificar a saúde e o funcionamento renal. EXAME DE URINA O exame de urina simples avalia componentes normais e anormais da urina e a presença de microrganismos. EXAMES DE AVALIAÇÃO DA SAÚDE CARDÍACA Grupo de exames que visam avaliar o funcionamento do coração e dos vasos sanguíneos. Entre os mais solicitados, destacam-se o ecocardiograma — exame de imagem que avalia o fluxo sanguíneo nos vasos do coração — e o eletrocardiograma — que mede a atividade elétrica do coração. Podem ser realizados também testes ergométricos, que avaliam o funcionamento do sistema cardiovascular durante exercício físico em esteira ou bicicleta. EXAMES ESPECÍFICOS PARA MULHERES Para os cuidados com a saúde da mulher, é indispensável a realização de exames relacionados à prevenção de doenças como o câncer de mama e câncer do colo de útero. Para o rastreamento do câncer de mama, é importante realizar preventivamente a mamografia, exame de imagem que analisa a saúde das mamas. Entre os exames mais solicitados para avaliar o colo do útero, destacam-se o exame colpocitológico (ou teste de Papanicolau) e a colposcopia. Esses são alguns dos exames mais solicitados em um check-up anual. Entretanto, cabe ressaltar que a quantidade e os tipos de exames poderão variar para cada pessoa. Outros exames também poderão ser solicitados, como a análise da função pulmonar, principalmente em fumantes. EXAMES ESPECÍFICOS PARA HOMENS Para o público masculino, especialmente homens acima dos 45 anos e baseando-se na história clínica e familiar, podem ser solicitados exames de avaliação da saúde da próstata. Entre os exames, destaca-se a dosagem de PSA (ou antígeno prostático específico) no sangue. O exame de toque retal é outro exame preventivo utilizado para identificar alterações na próstata, que podem afetar sua função ou ser indicativas de doenças. Dosagens hormonais também poderão ser realizadas, sobretudo de testosterona, um hormônio que tende a diminuir com o envelhecimento e que influencia o funcionamento do organismo em diversos aspectos. QUEM DEVE SOLICITAR UM CHECK-UP MÉDICO? A solicitação para a realização de um check-up deverá sempre respeitar a indicação médica. É muito importante manter as consultas clínicas em dia, uma vez que o médico indicará, conforme a situação clínica, quais exames serão necessários, e estabelecerá a periodicidade na qual as avaliações e exames deverão ser realizados. Adicionalmente, é imprescindível realizar o retorno na consulta médica após a realização dos exames. Somente o especialista poderá interpretar corretamente os resultados e orientar as melhores condutas terapêuticas, além de solicitar exames complementares, caso sejam necessários. Agora que você já sabe o que é o check-up médico e qual a importância de realizar os exames, leia também o conteúdo sobre como cuidar da saúde do coração. REFERÊNCIAS CIENTÍFICAS: Jin, J. (2022). Routine Checkups for Adults. JAMA, 327(14), 1410-1410. Doi: 10.1001/jama.2022.1775 Ministério da saúde. Check-up Médico. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/check-up-medico/ Acesso em: 21/11/2022. NHS. Screening. Disponível em: https://www.nhs.uk/conditions/nhs-screening/ Acesso em: 21/11/2022. Nour NM. Cervical cancer: a preventable death. Rev Obstet Gynecol. 2009 Fall;2(4):240-4. Peb Med. Disponível em: https://pebmed.com.br/check-medico/ Acesso em:21/11/2022.

02/09/2024

Confira os cuidados essenciais com a saúde mental na melhor idade

Mundialmente, estamos vivenciando um cenário de envelhecimento populacional. O avanço da medicina proporcionou maior expectativa de vida para as pessoas, e dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) estimam que a proporção de pessoas idosas no mundo pode dobrar até 2050. Embora a longevidade seja algo perseguido por muitos, alguns cuidados devem ser necessários para preservar a saúde das pessoas idosas, principalmente a saúde mental. A incidência de transtornos mentais ou neurológicos pode ultrapassar 20% em pessoas acima de 60 anos, uma estimativa que tende a crescer com o avanço da idade. Em geral, os transtornos mentais e neurológicos mais comuns em pessoas idosas são a demência e a depressão. O grande obstáculo dessas projeções é que, muitas vezes, esses problemas podem não ser facilmente percebidos pelos familiares e pela própria pessoa, ou podem ser diagnosticados mais tardiamente. Ainda existem barreiras e preconceitos que impedem a pessoa idosa de procurar ajuda, seja por vergonha ou falta de informação, gerando agravamento da condição. Dessa forma, é essencial a discussão sobre a importância da saúde mental em pessoas idosas. Neste conteúdo, você encontrará informações muito importantes sobre os principais transtornos mentais em idosos, quais as suas causas e como garantir a saúde mental dessas pessoas. COMO A SAÚDE MENTAL DE PESSOAS IDOSAS PODE SER AFETADA? Problemas de saúde mental podem afetar pessoas em qualquer idade, no entanto, pessoas idosas podem ser mais suscetíveis. O processo natural de envelhecimento leva à perda gradativa de habilidades motoras e mentais, gerando uma maior dependência e influenciando o surgimento de transtornos mentais. Outros fatores também devem ser levados em consideração, principalmente fatores ambientais, genéticos, de estilo de vida e a presença de doenças. A seguir, descrevemos os principais fatores que podem afetar a saúde mental de pessoas idosas. FATORES DE RISCO A saúde física gera impactos na saúde mental da pessoa idosa. Dados indicam que portadores de doenças cardíacas, por exemplo, têm maiores taxas de depressão do que pessoas saudáveis. Outros fatores físicos podem afetar negativamente a saúde mental da pessoa idosa, tais como mobilidade reduzida, dor crônica, fragilidade e outros problemas de saúde que levam à dependência e cuidados de longo prazo. Nessa fase da vida, as pessoas são mais propensas a vivenciar situações de luto ou dificuldades socioeconômicas, fatores que também podem gerar comportamentos de isolamento e sofrimento psicológico. Outro ponto de bastante importância é a vulnerabilidade da pessoa idosa quanto a abusos, seja físico, psicológico, sexual ou negligência e abandono. O abuso de idosos pode levar a consequências psicológicas graves e duradouras, incluindo depressão e ansiedade. Além dos fatores mencionados, é necessário pontuar a existência de componentes genéticos capazes de influenciar o desenvolvimento de transtornos mentais. Doenças neurodegenerativas, como Alzheimer e Parkinson, podem ter predisposição genética, aumentando as chances de ocorrência em idosos. QUAIS SÃO OS PRINCIPAIS TRANSTORNOS MENTAIS NA MELHOR IDADE? A depressão e a ansiedade são os transtornos mentais mais frequentes na melhor idade. A depressão pode causar grande sofrimento, sendo uma condição, muitas vezes, subnotificada e subdiagnosticada. Em pessoas idosas, a depressão normalmente ocorre associada a questões como a dificuldade na realização de tarefas, que antes eram prazerosas. Fatores externos também podem influenciar, especialmente mudanças drásticas na rotina de vida. Algumas pessoas idosas recorrem ao isolamento, por vergonha ou pela negação de que precisam de ajuda para realizar certas atividades. Esse tipo de comportamento afeta a autoestima, podendo levá-las a quadros graves de depressão e ansiedade. Outro transtorno que possui relativa recorrência nessa população é a demência, especialmente em pessoas com mais de 70 anos. A demência é caracterizada por declínio cognitivo, complicações de linguagem, perda de memória e redução da capacidade de resolver problemas (mesmo os mais simples). É importante diferenciar o declínio cognitivo natural do envelhecimento da demência. Muitas pessoas idosas começam a ter perdas de memória leves e dificuldades de aprender novas informações, uma característica biológica normal. Por outro lado, a demência é uma condição grave e altamente incapacitante, devido aos prejuízos mentais que causa. A demência pode ser ocasionada por diversos fatores, sendo a doença de Alzheimer um dos principais. Estima-se que, cerca de 60 a 80% de pessoas idosas com demência, tenham Alzheimer. Acidentes vasculares cerebrais, por exemplo, também são causas de demência, pois podem levar a danos no sistema nervoso central, que prejudicam diversos aspectos cognitivos. COMO IDENTIFICAR OS SINAIS DE PROBLEMAS COM A SAÚDE MENTAL? Cada doença tem suas particularidades e sintomas. No entanto, é importante estar atento a sinais gerais que podem indicar problemas na saúde mental da pessoa idosa. A depressão, geralmente, se manifesta como uma sensação de tristeza e frustração constantes, falta de motivação para tarefas simples do cotidiano, como se alimentar e cuidar da higiene pessoal. A depressão é uma doença grave que pode levar a grande sofrimento e angústia na pessoa idosa, podendo se agravar e desencadear, inclusive, outras doenças. A ansiedade tem como característica excesso de preocupações e expectativas persistentes, inquietação, fadiga, falta de concentração, tensão muscular e dificuldades para dormir. Em momentos de crise, podem surgir outros sintomas, como aumento dos batimentos do coração e até falta de ar. A demência, especialmente em casos da doença de Alzheimer, possui caracterização mais complexa. Uma das principais características, nesses casos, é a perda da memória recente. Ou seja, a pessoa idosa começa a ter lapsos de memória de fatos do cotidiano, que ficam, cada vez mais, recorrentes. Com o tempo, a doença progride com perda grave da memória, problemas de fala, dificuldade de realização de tarefas e mudanças comportamentais, entre outros sintomas. COMO É REALIZADO O DIAGNÓSTICO? O diagnóstico de transtornos mentais varia de acordo com o caso clínico e a doença envolvida. Em geral, os pacientes são avaliados por um médico especialista (geriatra, neurologista ou psiquiatra), que, baseando-se no quadro clínico, história familiar, hábitos de vida e exame físico, realiza uma hipótese diagnóstica. Após isso, se necessário, solicita exames complementares, como exames de imagem. COMO CUIDAR DA SAÚDE MENTAL E EMOCIONAL NA MELHOR IDADE? Envelhecer com qualidade de vida e com uma mente saudável é possível. Cultivar hábitos de vida saudáveis, como uma alimentação adequada, atividades físicas regulares e boas noites de sono contribuem positivamente para manter a saúde mental. É fundamental, ainda, cultivar as interações sociais com familiares e amigos. Esse tipo de relacionamento melhora a comunicação, o humor e motiva a pessoa idosa. Manter-se uma pessoa mentalmente e fisicamente ativa também ajuda muito no processo de cognição e memória. Pessoas idosas, em geral, são mais sensíveis emocionalmente. Por isso, apoio e afeto familiar e de amigos são primordiais. É muito importante que a pessoa idosa se sinta pertencente a um círculo e contexto social. Dessa forma, durante a comunicação com os mais velhos, evite usar termos pejorativos ao se referir à idade. Inclusive, recentemente, o Estatuto do Idoso (Lei nº 14.423/2022) sofreu uma alteração em sua denominação, que agora é Estatuto da Pessoa Idosa, objetivando promover a igualdade de gênero e a inclusão. ENVELHECIMENTO ATIVO O processo de envelhecimento pode ser desafiador para algumas pessoas, sob o ponto de vista psicológico. No entanto, é importante que paradigmas sejam superados, a fim de transformar a melhor idade em uma experiência positiva. Sendo assim, envelhecer com qualidade tem ganhado um novo significado, chamado de “envelhecimento ativo”. Essa é uma terminologia adotada pela OMS como forma de traduzir um processo que envolve a participação contínua da população idosa em questões sociais, culturais e civis. Ser ativo não significa apenas estar fisicamente ativo ou atuante no mercado de trabalho. O conceito de “envelhecimento ativo” diz respeito a uma maior inclusão social dessas pessoas, em diferentes esferas da nossa sociedade. Portanto, políticas públicas devem ser implementadas para garantir condições de vida e ambientes que apoiem o bem-estar e permitam que essas pessoas tenham uma vida saudável. Gostou de saber sobre as formas de cuidar da saúde mental na melhor idade? Então, não guarde essas informações só para você: compartilhe este conteúdo com seus amigos e familiares. Para se manter sempre atualizado, assine nossa newsletter e não perca nenhuma novidade do nosso blog! REFERÊNCIAS: Banerjee, D., Rabheru, K., Ivbijaro, G., & de Mendonca Lima, C. A. (2021). Dignity of Older Persons With Mental Health Conditions: Why Should Clinicians Care?. Frontiers in Psychiatry, 12. Centers for Disease Control and Prevention and National Association of Chronic Disease Directors. The State of Mental Health and Aging in America Issue Brief 1: What Do the Data Tell Us? Atlanta, GA: National Association of Chronic Disease Directors; 2008. Vahia, I. V., Jeste, D. V., & Reynolds, C. F. (2020). Older adults and the mental health effects of COVID-19. Jama, 324(22), 2253-2254. WHO. Mental health of older adults. 2017. Disponível em: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/mental-health-of-older-adults.

02/09/2024