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Qual a diferença entre bifinhos e os mastigáveis naturais para cães?

Qual a diferença entre bifinhos e os mastigáveis naturais para cães?

Quem convive com cães sabe bem: basta abrir um pacote de petisco e o rabo começa a abanar, os olhos brilham e a expectativa toma conta. O universo dos agrados para pets cresceu muito no Brasil, acompanhando a expansão do mercado pet, que já é um dos maiores do mundo. Entre tantas opções, dois tipos de produtos ganham cada vez mais espaço na rotina de tutores e nos consultórios veterinários: os tradicionais bifinhos e os chamados mastigáveis naturais.

A dúvida que surge é natural: afinal, qual é a diferença entre eles? Ambos podem ser oferecidos ao seu cachorro? Há um mais saudável? E como escolher a melhor opção para o seu companheiro de quatro patas?

Neste artigo, vamos mergulhar nesse tema em alta, explorando características, benefícios, limitações e recomendações de especialistas sobre cada tipo de petisco. Vamos lá?

O que são os bifinhos?

Os bifinhos são um dos petiscos mais populares entre os cães brasileiros. São pequenos pedaços macios e saborosos, produzidos de forma industrial, geralmente à base de proteínas de origem animal (como carne de frango ou bovina), cereais e aditivos que conferem textura e aroma atrativo.

O sucesso dos bifinhos vem de alguns fatores:

  • Alta palatabilidade: a grande maioria dos cães adora o sabor.

  • Praticidade: fáceis de abrir, armazenar e porcionar.

  • Versatilidade: usados tanto para agradar quanto para treinar.

É comum vê-los em embalagens que prometem “sabor irresistível”, “crocância” ou “maciez”.

De fato, os bifinhos são campeões no quesito aceitação. Mas é importante entender também suas limitações nutricionais.

O que são os mastigáveis naturais?

Já os mastigáveis naturais são produzidos a partir de partes do animal, como casco, traqueia, esôfago, orelhas ou costelas, que passam por processos de limpeza, preparo e desidratação, sem adição de corantes, conservantes ou aromatizantes artificiais.

A ideia aqui é simples: oferecer ao cão um pedaço de origem animal que estimule a mastigação prolongada, gera gasto de energia e traga benefícios adicionais para a saúde bucal e emocional.

Características principais dos mastigáveis naturais:

  • 100% origem animal;

  • Textura firme: exige mais tempo de mastigação;

  • Função de enriquecimento ambiental: o cão se entretém, gasta energia e reduz o estresse;

  • Benefícios funcionais: como redução do tártaro e fortalecimento da mandíbula.

Diferença fundamental: textura e tempo de consumo

Se há um ponto que diferencia completamente os bifinhos dos mastigáveis naturais, é o tempo de consumo.

  • O bifinho é um petisco rápido, devorado em segundos, quase como um bombom para o humano.

  • O mastigável natural, por outro lado, pode durar minutos ou até horas, dependendo do porte e da força de mordida do cão.

Essa diferença impacta diretamente na função de cada tipo de petisco. O bifinho atua mais como um agrado imediato ou reforço positivo durante o adestramento. Já o mastigável natural cumpre o papel de ocupação mental, estímulo físico e cuidado com os dentes.

Para esclarecer melhor essas diferenças, ouvimos a Dra. Mariana Brando, médica-veterinária e especialista em nutrição animal.

Segundo ela, os bifinhos e os mastigáveis naturais cumprem papéis distintos, mas igualmente importantes:

“O bifinho é como um docinho para o cão. Ele tem apelo de sabor e praticidade, mas não deve ser usado como base da alimentação. Já os mastigáveis naturais se aproximam mais do comportamento natural do cachorro, que é mastigar, roer e passar tempo explorando um alimento. Essa mastigação traz benefícios tanto para a boca quanto para a mente do animal”, explica.

A veterinária reforça que a escolha do tutor deve levar em conta não apenas a preferência do cão, mas também a saúde geral, idade, porte e estilo de vida.

“Um cão idoso pode ter dificuldade de mastigar ossos muito duros, enquanto um filhote em fase de troca de dentes vai se beneficiar muito de um mastigável adequado. Já os bifinhos podem ser ferramentas úteis no adestramento, desde que usados com moderação e escolhendo marcas que prezam por ingredientes de qualidade”, orienta.

Benefícios e pontos de atenção dos bifinhos

Pontos positivos:

  • Praticidade no uso: ideal para treinos rápidos ou recompensas diárias;

  • Aceitação universal: até os cães mais seletivos costumam gostar;

  • Disponibilidade: fácil de encontrar em mercados e pet shops.

A chave está no equilíbrio. “Não há problema em oferecer bifinhos, desde que seja em pequenas quantidades e com atenção à composição. O tutor precisa aprender a ler o rótulo e evitar produtos com excesso de sal, açúcar ou aditivos artificiais. Um bom bifinho pode ser uma ferramenta de vínculo, mas não deve ser rotina diária em grandes quantidades”.

Quando oferecer bifinhos e quando oferecer mastigáveis?

Aqui entra a orientação prática para o dia a dia:

  • Bifinhos: recomendados para momentos de adestramento, como recompensa rápida e de alto valor. São úteis em treinos de obediência, socialização ou para reforçar bons comportamentos.

  • Mastigáveis naturais: ideais para períodos de entretenimento e relaxamento. Podem ser oferecidos quando o tutor sai de casa, para ajudar a ocupar o cão, ou após atividades físicas, como forma de relaxar e aliviar o estresse.

Ou seja, não se trata de escolher apenas um ou outro: os dois podem coexistir na rotina do cão, com funções diferentes.

Segurança: o alerta necessário

Segurança é palavra-chave quando falamos em petiscos. Tanto bifinhos quanto mastigáveis exigem alguns cuidados:

  • Bifinhos: não exagere na quantidade. Use como recompensa e não como lanche diário em excesso.

  • Mastigáveis: escolha produtos de origem confiável e sempre supervisione o consumo.

Retire pedaços muito pequenos que possam ser engolidos sem mastigação adequada.

O papel da indústria pet

O crescimento desse debate reflete também o movimento da indústria pet. Marcas tradicionais têm investido em novas linhas de bifinhos com fórmulas mais naturais, reduzindo corantes e conservantes. Ao mesmo tempo, empresas especializadas em mastigáveis naturais têm conquistado espaço nos grandes varejistas, trazendo inovação e variedade.

Hoje, o tutor encontra no mercado desde mastigáveis de colágeno até opções como traqueias, esôfagos, cascos e chifres bovinos, todos com propostas específicas de textura, sabor e durabilidade.

Como escolher o melhor para o seu cão?

  1. Considere o porte e a idade do cão: filhotes e cães idosos têm necessidades diferentes;

  2. Observe o comportamento: cães destrutivos ou ansiosos tendem a se beneficiar mais dos mastigáveis naturais;

  3. Leia os rótulos: em bifinhos, opte por marcas que informem claramente os ingredientes e evitem excesso de aditivos;

  4. Alinhe com o veterinário: cada cão é único. O acompanhamento profissional é sempre a melhor forma de definir a quantidade e a frequência seguras.

No fim das contas, bifinhos e mastigáveis naturais não competem diretamente: eles se complementam. Enquanto os bifinhos são excelentes para treinar, recompensar e reforçar vínculo, os mastigáveis naturais brilham quando a proposta é ocupar, entreter e promover saúde bucal.

A chave está no equilíbrio. O tutor que entende a diferença entre essas categorias de petiscos consegue oferecer uma rotina mais rica, saudável e divertida ao seu cão. Afinal, cada mordida pode ser também uma forma de cuidado.


Atualizado em: 22/10/2025