Ex funcionária sofre danos graves após procedimento estético

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Indaiatuba - SP
30/05/2026 às 09:28
ID: 250101957
Hoje decidi tornar pública uma situação que venho enfrentando há mais de um ano e que causou danos físicos, emocionais, psicológicos e estéticos que carrego até hoje.
Em 2024, enquanto trabalhava na unidade de Indaiatuba da Onodera, fui submetida a um peeling químico denominado ATA. O procedimento foi realizado pela biomédica da unidade, que também era uma das sócias da clínica na época.
Durante a aplicação, senti uma dor extremamente intensa e fora do comum. Minhas colegas de trabalho presenciaram meu sofrimento e a gravidade da situação. Enquanto eu relatava a dor insuportável que estava sentindo, a profissional responsável afirmava repetidamente que aquilo era normal e que fazia parte do procedimento.
Mesmo diante do meu estado, a aplicação continuou. Eu não podia tocar o rosto e, nos dias seguintes, fui obrigada a continuar trabalhando normalmente, mesmo com a pele extremamente sensibilizada, lesionada e em sofrimento constante. Algumas colegas tentavam amenizar a situação utilizando água termal e outros produtos, mas nunca recebi o suporte adequado por parte da gestão da clínica.
Outro fato que considero extremamente grave é que a biomédica responsável pelo meu procedimento também era uma das sócias da unidade e atuava diretamente na realização de diversos procedimentos estéticos. Durante todo o período em que trabalhei na clínica, sempre tive conhecimento dessa atuação, embora a própria rede exigisse a presença e a responsabilidade de uma médica dermatologista para determinados procedimentos.
Com o passar do tempo, começaram a surgir complicações sérias. Desenvolvi áreas de despigmentação pela perda de melanina, manchas espalhadas pelo rosto e uma fibrose extremamente dolorosa e sensível no lado esquerdo da face, consequência do intenso processo inflamatório causado após o procedimento.
Em vez de acolhimento e assistência, muitas vezes fui responsabilizada pelo resultado. Ouvi repetidamente que os problemas teriam ocorrido por falta de cuidados da minha parte e por supostamente não seguir as orientações recebidas.
Em determinado momento, a própria biomédica afirmou que seria necessário aplicar corticoide para reduzir a fibrose. No entanto, apesar de reconhecer a necessidade do tratamento, nunca se dispôs a fornecer a medicação. No último dia de sua gestão na unidade, cheguei a implorar para que realizasse a aplicação, mas ainda assim precisei adquirir o medicamento por conta própria.
Com o passar dos meses, as áreas despigmentadas tornaram-se cada vez mais evidentes. Em alguns momentos, fui orientada pela própria profissional a realizar novamente o mesmo procedimento para tentar uniformizar a pele, mesmo diante de todas as complicações que já haviam surgido.
Durante todo esse período, continuei trabalhando e atendendo clientes. Por fora, tentava esconder os danos com maquiagem. Por dentro, enfrentava dor, vergonha, insegurança e uma autoestima completamente destruída. Era extremamente constrangedor trabalhar em uma rede tão exigente em relação à aparência, apresentação pessoal e atendimento ao público, enquanto eu lidava diariamente com as consequências visíveis do procedimento realizado.
Após a mudança de gestão da unidade, a nova proprietária buscou esclarecimentos junto à rede sobre o que havia acontecido e quais medidas poderiam ser tomadas para reparar os danos causados. Foi nesse momento que relatei toda a situação detalhadamente e apresentei documentos, mensagens, fotografias e provas do ocorrido.
A partir dessas apurações, descobri que o procedimento realizado não era homologado pela rede. Para minha surpresa, quando a questão foi levada à antiga gestão, fui informada de que teria sido alegado que o procedimento não havia sido realizado dentro da clínica, apesar de existirem testemunhas que acompanharam tudo o que aconteceu e que inclusive tentaram me ajudar durante o momento de maior sofrimento.
Após apresentar todas as provas que possuía, fui informada de que a biomédica responsável prestaria o suporte necessário para reparar os danos causados. No entanto, o que vivi desde então foi uma verdadeira batalha para conseguir tratamento adequado.
Em nenhum momento a rede assumiu diretamente meu tratamento. Foram indicados profissionais que possuíam vínculo com as antigas responsáveis pela unidade, situação que me levou a buscar um dermatologista independente, sem qualquer relação com os envolvidos.
Esse profissional me acolheu desde o primeiro atendimento, documentou meu caso, registrou meu estado clínico e iniciou um tratamento para tentar recuperar os danos causados pela perda de melanina, pelas manchas e pela fibrose. Inclusive, colocou-se à disposição para formalizar contratualmente toda a evolução do meu quadro, desde a forma como cheguei ao consultório até as etapas do tratamento.
Mesmo diante de laudos, documentos, fotografias e registros médicos, nunca recebi acompanhamento efetivo, suporte emocional ou preocupação genuína por parte da rede, das antigas sócias ou da profissional responsável pelo procedimento.
Cada nova etapa do tratamento transformava-se em uma fonte de desgaste emocional. Além de lidar com as sequelas físicas, eu precisava enfrentar constantes dificuldades para obter respostas sobre quem assumiria a responsabilidade pelos tratamentos indicados.
Recentemente, meu dermatologista recomendou novas tecnologias, incluindo laser de CO para tratar a fibrose que ainda permanece no meu rosto, além de outros recursos para tratar as alterações de pigmentação resultantes da mistura das manchas com as áreas de perda de melanina.
Encaminhei toda a documentação necessária à biomédica responsável e também à auditoria da rede. Mais uma vez, não obtive qualquer resposta. Nenhum retorno. Nenhuma orientação. Nenhum suporte.
A única manifestação recebida foi da médica vinculada à rede, após inúmeras tentativas de contato por mensagens e ligações. Na ocasião, fui informada de que a situação não estava mais sob sua responsabilidade e que deveria ser tratada pelas antigas franqueadas, o que, na prática, representou mais uma tentativa de afastamento de responsabilidade diante de um problema que se iniciou dentro da unidade.
O mais doloroso não é apenas olhar para o espelho e ver as marcas que ficaram. É conviver diariamente com a sensação de abandono, descaso e falta de responsabilidade diante de algo que impactou profundamente minha saúde emocional, minha autoestima e minha qualidade de vida.
Também me causa indignação saber que outros casos envolvendo procedimentos e clientes receberam acolhimento, acompanhamento e assistência por parte da rede e das antigas responsáveis, enquanto eu precisei lutar sozinha por respostas, tratamento e respeito.
Por tudo o que vivi, decidi não me calar mais.
Esta publicação tem o objetivo de registrar minha indignação, dar voz à minha experiência e alertar outras pessoas sobre a importância de buscar informações, documentação e segurança antes de realizar qualquer procedimento estético.
Diante de todos os fatos, dos danos sofridos e da ausência de uma solução adequada, decidi buscar todos os meus direitos pelas vias cabíveis.
Nenhuma pessoa deveria passar pela dor, pelo sofrimento, pela humilhação, pelo desgaste emocional e pelo abandono que tenho enfrentado durante todo esse processo.