O que aconteceu
Em 2026, decidi que finalmente realizaria o objetivo de comprar meu primeiro carro elétrico. Como voltei a morar com minha mãe e reduzi meus custos com moradia, essa possibilidade ficou muito mais próxima. Depois de muitas pesquisas, contas e comparações, eu e meu namorado, Ricardo, começamos a visitar algumas concessionárias e conhecer os modelos disponíveis no mercado.
Passamos pela GWM, pela BYD e, no dia 16/05, fomos até a Eurovia Geely de Salvador - BA. Nosso primeiro contato foi com o vendedor Cláudio. Na ocasião, fizemos um test-drive, deixei meu veículo para avaliação e saí de lá praticamente decidida a realizar a reserva de R$ 5.000,00 e entrar na fila de espera.
Desde esse primeiro atendimento, expliquei de forma muito clara que, para conseguir concluir a compra, eu precisaria vender meu veículo atual e utilizar esse valor como parte da entrada. Também deixei claro que utilizo o carro para trabalhar e, por isso, não poderia simplesmente ficar sem veículo por tempo indeterminado.
O vendedor me tranquilizou. Informou que eu poderia realizar a reserva e que teria tempo para vender meu carro. Segundo ele, assim que conseguisse localizar meu veículo no sistema ou tivesse uma previsão mais concreta de chegada, entraria em contato comigo para que eu pudesse movimentar a venda do meu carro com segurança.
Depois de refletir bastante, no dia 11/07 decidi definitivamente que aquele era o veículo que eu queria e efetuei o pagamento da reserva de R$ 5.000,00, em uma única parcela no cartão de crédito, entrando oficialmente na fila de espera.
No dia 23/07, entrei em contato com o vendedor pelo WhatsApp para solicitar o recibo, o contrato da reserva e também perguntar se já existia alguma informação sobre a chegada do veículo. Reforcei que essa previsão era muito importante para que eu pudesse organizar a venda do meu carro. Na ocasião, ele informou que ainda não tinha novidades, mas que provavelmente teria alguma informação na semana seguinte.
No dia 30/07, ele entrou em contato dizendo que havia chegado um veículo e perguntou se poderia faturá-lo para mim. Fiquei extremamente feliz e ansiosa, afinal, aquele era o momento que eu estava esperando. Porém, surgiu o problema: eu ainda não tinha vendido meu carro, justamente porque aguardava o aviso prévio que havia sido combinado desde o início.
Ele informou que havia recebido um lote extra e que, por isso, não conseguiu me avisar com antecedência. Disse ainda que, após o faturamento, eu teria no máximo 15 dias para retirar o veículo. Como eu ainda precisava vender o meu carro, ele sugeriu passar aquele veículo para outro cliente e me colocar no lugar desse cliente na fila, dizendo que outro carro chegaria em aproximadamente 10 a 15 dias. A orientação foi para que eu vendesse meu veículo com calma.
Inclusive, perguntei se seria possível segurar aquele carro até a segunda-feira seguinte para que eu tentasse agilizar a venda, mas fui informada de que não seria possível.
A partir daí, começou uma sequência de falta de comunicação.
Depois desse episódio, Cláudio não entrou mais em contato comigo espontaneamente para informar sobre a chegada de outro veículo, atualizar a previsão ou sequer perguntar se eu já havia vendido meu carro.
No dia 01/09, justamente no meu aniversário, aproveitei minha folga e fui pessoalmente até a Geely para conversar com ele. Nessa visita, fui informada de que ele estava apenas esperando que eu confirmasse a venda do meu carro para solicitar o faturamento. Segundo ele, após essa confirmação, o carro seria faturado em aproximadamente três dias e entregue em cerca de sete dias.
Saí da concessionária muito mais confiante e segura de que finalmente poderia concluir a venda do meu veículo.
No dia 09/09, informei pelo WhatsApp que havia encontrado um comprador para meu carro. Não obtive resposta.
No dia 12/09, entrei novamente em contato dizendo que precisava falar com ele e reforçando que já havia conseguido um comprador. Mais uma vez, não tive resposta.
No dia 14/09, consegui falar por telefone e ele informou que estava doente.
No dia 15/09, diante da falta de retorno e já com meu veículo vendido, minha mãe precisou ir pessoalmente até a concessionária para buscar alguma posição. Depois disso, Cláudio me enviou um áudio dizendo que havia carros chegando e que tentaria incluir o meu nessa remessa.
No dia 21/09, mais uma vez procurei o vendedor cobrando uma posição. Novamente recebi a expectativa de que até o final daquela semana poderia haver novidades. Nesse mesmo contato, deixei clara a minha indignação e expliquei que estar sem carro estava me prejudicando diretamente, inclusive profissionalmente. Mesmo assim, não recebi uma solução concreta.
No dia 22/09, minha mãe precisou retornar presencialmente à Geely para novamente cobrar informações. Dessa vez, saiu da concessionária com a informação de que meu veículo seria entregue até o final de outubro.
Porém, no dia 29/09, ao entrar novamente em contato solicitando uma atualização sobre o faturamento, recebi a seguinte mensagem:
Não tenho boas notícias. Tentei faturar o seu carro, mas não chegou. Então, já estou solicitando a devolução do seu valor de sinal e cancelando o pedido. Peço desculpas, mas a fábrica teve uma quantidade muito grande de veículos e não conseguiu enviar mais veículos. Tanto que o prazo de espera aumentou para quem pede agora.
Ou seja: depois de quase 90 dias de espera, diversas promessas, informações desencontradas e várias tentativas de contato da minha parte e da minha família, a solução apresentada pela empresa foi simplesmente cancelar meu pedido e devolver a reserva.
O mais grave é que eu vendi meu veículo anterior acreditando nas informações que me foram transmitidas pela própria concessionária. Fui orientada de que bastaria comunicar a venda para que o faturamento fosse realizado e que, depois disso, a entrega aconteceria em poucos dias.
Hoje estou sem carro, mesmo tendo explicado desde o primeiro atendimento que dependo do veículo para trabalhar. Além disso, o mercado mudou durante todo esse período e as condições para aquisição de outros veículos elétricos já não são necessariamente as mesmas de quando iniciei essa negociação.
Minha frustração não está simplesmente no fato de o veículo ter atrasado. Imprevistos de estoque e logística podem acontecer. O problema foi a condução de todo o processo, a falta de comunicação, as expectativas criadas durante meses e, principalmente, o fato de eu ter tomado uma decisão financeira importante, vender meu carro, baseada nas informações fornecidas durante a negociação.
Depois de quase três meses aguardando e buscando constantemente uma posição, estou sem carro e sem uma previsão concreta de solução.
Estou registrando este relato porque espero que a Geely e a concessionária analisem o caso com a atenção que ele merece e apresentem uma alternativa real para solucionar a situação, em vez de simplesmente informar que vai cancelar uma negociação que foi conduzida durante meses e que me gerou um prejuízo e um enorme transtorno.