Não respondida

O DESCASO DO CENTRO UNIVERSITÁRIO UNITOP/ITOP EM PALMAS - TO

Faculdade Itop

cidade: Palmas

O que aconteceu

Sou estudante do Centro Universitário UNITOP, também conhecido como Faculdade ITOP, em Palmas - TO, e venho, de forma anônima, expor a série de abusos, omissões e descasos que eu e muitos colegas enfrentamos desde o início do curso.

Tudo começou em 2022, quando entrei na instituição com uma promessa sedutora: 50% de desconto na mensalidade, sem vestibular e sem taxa de inscrição, uma campanha amplamente divulgada nas redes sociais e no site da faculdade. Porém, o que ninguém nos contou na matrícula foi que teríamos que pagar para estagiar. Isso mesmo. Um estágio obrigatório, que faz parte da formação, e pelo qual já pagamos dentro da mensalidade. Fomos descobrir esse custo extra, R$ 4.000,00, apenas conversando com alunos mais avançados. No meu caso, só fui saber no 5 período. Nunca houve qualquer aviso formal ou transparência nesse processo.

Ainda nos primeiros semestres, fomos surpreendidos com a inclusão de uma disciplina EAD. A justificativa? Evitar aulas aos sábados. O problema é que fomos obrigados a pagar por essa disciplina, mesmo ela não tendo sido mencionada no momento da matrícula. No início, até existiam duas opções de valor: uma com metade da mensalidade (já com os 50% de desconto), e outra mais cara. Mas isso durou pouco. Em pouco tempo, a opção mais barata sumiu e a mais cara passou a ser incluída automaticamente na nossa grade, sem consulta, aviso ou escolha. O resultado? Uma mensalidade que praticamente dobrou. Para exemplificar: se a mensalidade com desconto é R$ 791,00, com a disciplina EAD obrigatória, somos forçados a pagar mais R$ 791,00. Um custo absurdo para uma matéria que não tem aula de verdade, não tem vídeos explicativos, apenas conteúdos soltos na plataforma e provas aplicadas por lá mesmo. Em resumo, pagamos caro por algo que não ensina nada.

E não para por aí.

Fomos obrigados a participar da cerimônia do jaleco de todos os cursos, mesmo já tendo participado da nossa, apenas para lotar a quadra e gerar imagens de uma faculdade cheia e bem frequentada. Nas semanas comemorativas, como a da Enfermagem, as aulas são suspensas e os alunos são convocados a participar de palestras, que deveriam contar como horas de aula. Porém, a faculdade passou a cobrar uma taxa para emitir o certificado dessas horas. E o mais absurdo: informaram que, mesmo participando, só receberemos o certificado se pagarmos pela emissão. Ou seja, somos obrigados a estar presentes, não levamos falta, mas também não recebemos o certificado, que vale como horas complementares, a menos que paguemos por ele. Um verdadeiro abuso contra estudantes que já pagam caro por um ensino incompleto.

E a estrutura? Um caso à parte.

Algumas turmas estão em situação de superlotação. Já tivemos aula na quadra de esportes, porque simplesmente não havia salas disponíveis. A solução da faculdade foi construir às pressas um novo bloco, com salas minúsculas, onde colocavam quase o dobro da capacidade. O resultado? O bloco foi desativado após as primeiras chuvas , o teto cedeu e começou a cair água dentro das salas. Sim, isso realmente aconteceu. Já passamos semanas inteiras sem ar-condicionado, mesmo com o calor extremo de Palmas, porque os aparelhos estavam quebrados e não havia outras salas para nos realocar. As salas antigas têm cheiro de mofo, e há turmas que assistem aula no auditório, pois a infraestrutura não comporta a quantidade de alunos que a instituição continua recebendo todos os semestres.

Pagamos caro por um ensino que não entrega o básico. Somos enganados com promessas que não se sustentam, cobrados por tudo, mal informados e expostos a uma estrutura precária, desumana. A sensação é de que somos apenas uma fonte de lucro, e não estudantes.

Deixo esse relato como um apelo, como um grito abafado por centenas de alunos que se sentem enganados e impotentes. Que o Ministério da Educação, o Ministério Público, o PROCON e a imprensa olhem com urgência para o que está acontecendo aqui. Porque o que vivemos no Centro Universitário UNITOP/ITOP não é ensino. É exploração e desrespeito.