O que aconteceu
Adquiri um jaleco da marca Farcoo, na cor off-white, pelo valor de aproximadamente R$ 1.000,00.
Por se tratar de uma peça de couro, recebi orientações específicas sobre sua conservação: não poderia ser lavada na máquina, devendo ser higienizada com pano úmido e posteriormente hidratada.
Segui as orientações fornecidas pela marca.
Entretanto, após utilizar o jaleco sobre uma blusa preta, percebi que parte da pigmentação da roupa havia sido transferida para o jaleco, deixando manchas azuladas visíveis na peça.
Em nenhum momento da compra fui informada de que o jaleco não poderia ser utilizado com roupas escuras ou de que existia o risco de transferência de pigmentação.
Ressalto que utilizo frequentemente jalecos sobre roupas escuras e nunca havia enfrentado situação semelhante com outras peças.
Diante do problema, entrei em contato com o pós-venda da Farco buscando uma solução.
Foi nesse momento que começou uma segunda experiência extremamente insatisfatória: o atendimento.
As respostas demoravam vários dias, e o processo para conseguir uma orientação e encaminhar a peça se estendeu por aproximadamente uma semana ou mais.
A situação chegou ao ponto de eu precisar entrar em contato com a própria equipe comercial da marca para reclamar da qualidade do atendimento pós-venda.
Tenho todas essas conversas documentadas, inclusive áudios, mensagens e registros das reclamações realizadas.
Durante esse processo, também precisei solicitar a nota fiscal da compra, pois não a havia recebido anteriormente. A nota foi encaminhada após minha cobrança, sendo que a data de emissão merece esclarecimento em relação à data da compra.
Após diversas tentativas, finalmente recebi um código para encaminhar o jaleco à empresa para avaliação.
Enviei a peça conforme solicitado.
A Farco permaneceu com meu jaleco por aproximadamente 20 dias sem me apresentar espontaneamente uma conclusão.
Somente em 30 de setembro, após eu entrar novamente em contato cobrando um posicionamento, recebi um vídeo mostrando a equipe tentando remover as manchas com um pano umedecido.
Posteriormente, em 1 de outubro, fui informada de que haviam realizado a limpeza até onde conseguiram e que o procedimento não havia removido completamente as manchas.
A solução apresentada pela empresa foi simplesmente devolver o jaleco e orientar que eu procurasse, por minha conta, uma lavanderia profissional especializada.
Ou seja, após pagar aproximadamente R$ 1.000,00 por uma peça, enfrentar um problema sobre o qual não recebi advertências específicas no momento da compra, aguardar semanas por atendimento e permanecer aproximadamente 20 dias sem o produto, a solução oferecida foi transferir para mim a responsabilidade de buscar e custear outra tentativa de limpeza.
Considero essa solução completamente insatisfatória.
Questionei formalmente a empresa, explicando que não concordava em assumir os custos de uma limpeza especializada diante da ausência de orientações prévias sobre o risco de manchas por contato com roupas escuras.
Mesmo assim, a marca manteve seu posicionamento, afirmando que não poderia oferecer outra solução.
Diante disso, informei que registraria uma reclamação no Procon.
A empresa, por sua vez, insiste na necessidade de reenviar o jaleco, mesmo após eu manifestar minha insatisfação e solicitar uma solução efetiva.
Gostaria de esclarecer que minha reclamação não se limita às manchas.
Estou questionando três pontos fundamentais:
1. A ausência de informações claras, no momento da compra, sobre possíveis restrições de uso e transferência de pigmentação.
2. A demora e a falta de acompanhamento adequado durante o atendimento pós-venda.
3. A ausência de uma solução satisfatória após a avaliação realizada pela própria empresa.
O Código de Defesa do Consumidor, especialmente em seus artigos 6, inciso III, e 31, estabelece o direito à informação adequada e clara sobre as características dos produtos. O artigo 18 também prevê responsabilidade dos fornecedores por vícios de qualidade, quando caracterizados.
Diante do ocorrido, solicito a restituição integral do valor pago, mediante a devolução definitiva do produto, considerando que as tentativas de solução apresentadas até o momento não resolveram o problema.
Solicito, ainda, um posicionamento formal da empresa esclarecendo o resultado da avaliação técnica realizada e as razões pelas quais entende não ser responsável pelo ocorrido.
Possuo fotografias das manchas, vídeos enviados pela própria empresa, registros das conversas, comprovantes de envio e documentação referente à compra.
Espero que a Farco reavalie sua posição e apresente uma solução compatível com os direitos do consumidor e com o padrão de qualidade esperado de uma peça desse valor.