O que aconteceu
Comprei um Fiat Argo Trekking 0 km na Fiat destaque de Caraguatatuba. À vista, via Pix, acreditando na marca e esperando um veículo confiável para trabalhar. Infelizmente, minha experiência tem sido de profunda decepção, tanto com o automóvel quanto com o atendimento do pós-venda da Fiat.
A compra foi realizada com o vendedor Guilherme, após eu rodar aproximadamente 200 mil quilômetros trabalhando com aplicativos em um Fiat Argo 1.0 manual. Conheço bem o modelo e sei o que esperar de seu consumo. Meu veículo anterior chegava a uma média de 14 km/l, enquanto o Argo Trekking recém-adquirido está fazendo apenas 8 km/l, mesmo após retornar da primeira revisão.
A diferença é alarmante, especialmente para quem utiliza o veículo como ferramenta de trabalho.
Os próprios dados do Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular (PBEV), do Inmetro, permitem comparar os modelos:
Fiat Argo Drive 1.0 manual, referência 2019:
na gasolina, 13,0 km/l na cidade e 14,7 km/l na estrada; no etanol, 9,1 km/l na cidade e 10,4 km/l na estrada.
Fiat Argo Trekking 1.3 CVT, referência 2025: na gasolina, 12,8 km/l na cidade e 14,3 km/l na estrada; no etanol, 9,0 km/l na cidade e 10,3 km/l na estrada.
Fonte: tabelas do Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular do Inmetro.
Diante desse problema, aguardei a primeira revisão e comuniquei formalmente a situação ao pós-venda, que afirmou que o problema seria resolvido. No entanto, após a conclusão do serviço, fui simplesmente informado (de forma extremamente desrespeitosa) pela consultora Maria Carolina de que nada seria esclarecido e de que o restante dos procedimentos já havia sido realizado.
Em outras palavras, entreguei meu veículo para uma revisão na expectativa de obter uma solução e saí sem uma resposta satisfatória, sem esclarecimentos técnicos convincentes e sem a resolução do problema de consumo.
Enquanto isso, estimo ter acumulado um prejuízo de aproximadamente R$ 6.000,00 em combustível nos últimos dois meses. Para quem trabalha com aplicativos, esse valor representa uma parcela significativa da renda que deveria sustentar a própria família.
Para piorar, a mesma consultora do pós-venda atribuiu a responsabilidade ao posto de combustível onde abasteço, sem que eu tenha recebido uma justificativa técnica convincente para essa conclusão.
Faço questão de esclarecer que abasteço em um dos postos que considero mais confiáveis da cidade, o mesmo em que abastecia meu veículo anterior. E, por coincidência, esse veículo também era um Fiat Argo. Portanto, não estou comparando automóveis desconhecidos ou levantando uma suspeita sem qualquer experiência prática: estou relatando uma diferença de consumo que observei diretamente após trocar um Argo por outro.
Não considero aceitável comprar um veículo zero-quilômetro, pagar por ele à vista e, diante de um problema dessa magnitude, receber um atendimento que não apresenta uma solução nem uma explicação técnica satisfatória.
Diante da falta de resolução, acionarei o Procon e buscarei os meios cabíveis para que o caso seja devidamente apurado. Não aceitarei que a situação seja simplesmente encerrada sem uma investigação adequada.
Publico esta reclamação também como um alerta aos demais motoristas de aplicativo que estejam considerando comprar um Fiat Argo para trabalhar. O consumo de combustível impacta diretamente a rentabilidade da atividade, e qualquer diferença significativa pode comprometer o orçamento de uma família.
Minha indignação não se limita ao consumo do veículo. Ela também se deve à forma como fui tratado depois de confiar na marca, investir meu dinheiro e procurar a própria concessionária em busca de uma solução.
A Fiat precisa assumir a responsabilidade de investigar o problema e oferecer uma resposta concreta. Comprar um carro zero-quilômetro não deveria significar começar a trabalhar para pagar um prejuízo que o próprio fabricante e sua rede autorizada se recusam a esclarecer.