O que aconteceu
**Atendimento desorganizado, informações contraditórias e tratamento humilhante em UPA**
Cheguei à unidade por volta das 10h35. Passei pelo acolhimento, tive minha pressão aferida e, posteriormente, fui chamada pelo visor para realizar meu cadastro na recepção.
Após o cadastro, permaneci aguardando por um longo período para realizar a classificação de risco. A unidade estava aparentemente vazia, com pouquíssimo movimento. Tenho, inclusive, registros fotográficos do local e do horário da minha chegada.
Enquanto eu aguardava sentada em frente ao visor, pessoas que chegaram depois de mim foram chamadas, atendidas e liberadas antes. Uma funcionária da limpeza percebeu minha longa espera e perguntou se eu já havia passado pela classificação de risco. Ao saber que não, questionou a funcionária Mariana, que afirmou que eu já havia sido chamada. A profissional responsável pela classificação de risco, Cíntia Soares, também afirmou que eu havia sido chamada.
O problema é que eu estava sentada em frente ao visor, acompanhando as chamadas. Quando fui chamada anteriormente para realizar o cadastro, ouvi normalmente e fui imediatamente à recepção. Além disso, a unidade estava praticamente vazia. Portanto, não considero plausível a alegação de que simplesmente não ouvi uma chamada.
Durante a conversa, fui informada de que eu teria sido chamada inclusive pela médica, mesmo sem sequer ter passado pela classificação de risco. Ao verificarem o sistema, fui informada de que minha ficha já constava como encerrada, como se meu atendimento tivesse sido finalizado.
Como isso é possível se eu estava dentro da unidade, aguardando atendimento, sem ter passado pela classificação de risco e sem ter sido atendida por um médico naquele momento?
Toda essa situação me deixou extremamente constrangida e com a sensação de que minha palavra estava sendo colocada em dúvida. Para piorar, senti uma postura de deboche por parte da funcionária Mariana.
Diante da situação, procurei o diretor da unidade, Alexandre, para pedir ajuda. Ele acabou me encaminhando para o consultório da médica, possibilitando que eu fosse atendida. No entanto, a forma como fui tratada também foi extremamente desagradável. Ele elevou o tom de voz, repetiu duas vezes que era o diretor da UPA e afirmou que eu não poderia falar daquela maneira com a funcionária dele.
Faço questão de esclarecer que, em nenhum momento, gritei, insultei, ameacei ou desrespeitei qualquer funcionário. Eu estava nervosa, chorando e indignada, tentando apenas entender por que meu atendimento não estava acontecendo.
Depois disso, fui atendida pela médica Stephanie Contarini Vilela, que realizou minha avaliação, solicitou exame e prescreveu Diazepam diante do meu estado emocional.
Por volta das 11h17, fui encaminhada para realizar um eletrocardiograma e orientada a aguardar. Porém, aproximadamente às 12h16, quase uma hora depois, o exame ainda não havia sido realizado.
Ao procurar Cíntia Soares para saber o motivo da demora, fui informada, de maneira seca e ríspida, que o funcionário responsável pelo eletrocardiograma estava almoçando.
Enquanto isso, pessoas que haviam chegado muito depois de mim continuavam sendo atendidas e liberadas antes.
Eu estava extremamente abalada, chorando e circulando pela unidade tentando conseguir informações, medicação e atendimento. Precisei da ajuda de diferentes funcionários para conseguir concluir o meu próprio atendimento.
Faço questão de destacar que alguns profissionais tiveram uma postura completamente diferente e foram fundamentais naquele momento. A funcionária da limpeza percebeu minha demora, um funcionário da área interna me orientou sobre a medicação, o segurança percebeu meu estado, entrou para me ajudar e me acompanhou, e o chefe dos enfermeiros demonstrou preocupação e tomou providências. Diante da ausência do profissional responsável, ele próprio realizou meu eletrocardiograma com o auxílio de outra enfermeira.
Somente depois de receber a medicação e realizar o eletrocardiograma fui atendida pelo médico Marcelo Loureiro de Souza, que deu continuidade ao atendimento e realizou o encaminhamento para atendimento psiquiátrico.
Cheguei aproximadamente às 10h35 e saí às 12h45. Foram cerca de 2 horas e 10 minutos dentro de uma unidade de pronto atendimento, em uma situação de extremo sofrimento emocional, enfrentando espera, informações contraditórias e, principalmente, a sensação de estar completamente desamparada.
O que mais me causa indignação não é simplesmente o tempo de espera. É ter procurado uma unidade de pronto atendimento justamente quando estava emocionalmente fragilizada e, em vez de acolhimento, ter me sentido descredibilizada, constrangida e humilhada.
Quero entender como minha ficha pôde constar como encerrada se eu ainda estava dentro da unidade aguardando atendimento e sem ter passado pela classificação de risco. Também quero entender como foi registrado que eu teria sido chamada e não comparecido, se eu estava sentada em frente ao visor acompanhando as chamadas.
Tenho fotografias do local, registros dos horários, a prescrição médica e outros documentos que podem comprovar parte do que estou relatando. Espero que os registros do sistema e, se disponíveis, as imagens das câmeras de segurança sejam analisados para esclarecer o ocorrido.
Não considero aceitável que um paciente, já emocionalmente fragilizado e procurando atendimento de urgência, precise implorar por informações e circular pela unidade em busca de alguém que efetivamente o ajude.
Espero uma resposta concreta sobre o que aconteceu com meu atendimento e sobre as inconsistências relatadas. Mais do que um pedido de desculpas, espero que a situação seja apurada e que providências sejam tomadas para que outros pacientes não passem pela mesma experiência.