Demora e falta de acolhimento em perda gestacional na Maternidade Eugênia Pinheiro

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Fortaleza - CE

10/08/2026 às 01:44

ID: 256018489

RECLAMAÇÃO FORMAL SOBRE ATENDIMENTO E ACOLHIMENTO MATERNIDADE EUGÊNIA PINHEIRO / HAPVIDA FORTALEZA

Venho por meio deste relato manifestar minha profunda insatisfação e indignação com o atendimento que recebi na Maternidade Eugênia Pinheiro Hapvida, em Fortaleza, nos dias 01/08/2026 e 02/08/2026, em razão de uma perda gestacional.

Esta foi a minha segunda experiência passando por uma situação semelhante e, infelizmente, novamente me senti desamparada, desrespeitada e emocionalmente destruída.

Quando cheguei à maternidade, por volta das 11h40 do dia 01/08/2026, havia muitas gestantes aguardando atendimento para o nascimento de seus bebês. Compreendo que partos são situações que precisam de atenção e prioridade. O que não consigo aceitar é a falta de acolhimento e de informações adequadas para mulheres que também estão passando por uma situação extremamente delicada.

Fui orientada de que poderia optar pela curetagem ou aguardar a expulsão espontânea. Optei pela curetagem. Fui informada sobre a necessidade de permanecer em jejum enquanto aguardava o procedimento.

Como a espera estava se prolongando, perguntei a uma funcionária se poderia me alimentar, e ela autorizou. Por volta das 13h, comi um sanduíche, sendo essa minha última refeição.

A partir daí, passei muitas horas aguardando, com fome, fragilizada emocionalmente e apresentando sangramento. O atendimento na sala de medicação também foi, em diversos momentos, bastante desagradável. Algumas profissionais foram ríspidas e demonstraram pouca empatia com mulheres que estavam vivendo um momento de dor e vulnerabilidade.

Por volta das 20h, fui até a recepção para perguntar quantas pessoas ainda estavam à minha frente. A funcionária que estava na recepção não me respondeu e continuou conversando com outra pessoa, como se eu não estivesse ali.

Durante essa conversa, ouvi uma fala que me deixou profundamente abalada:

Se estão achando ruim que a unidade está sem leito, é só procurar o SUS que lá tem leito.

Fiquei arrasada com o que ouvi e me afastei. Contei o ocorrido ao meu esposo, que posteriormente foi questionar a funcionária. Ela negou ter dito aquilo para mim, alegando que a fala havia sido direcionada a outra pessoa.

Independentemente de quem fosse o destinatário, considero esse tipo de comentário completamente inadequado em um ambiente de atendimento em saúde, especialmente diante de pessoas que estão sofrendo e aguardando atendimento.

Procurei então a coordenação. Fui atendida por uma profissional que foi simpática e me orientou a registrar por escrito o que havia acontecido. Mesmo estando há muitas horas sem me alimentar e emocionalmente abalada, fiz o relato solicitado.

Posteriormente, ela providenciou um lençol para mim e para outra paciente que estava passando por uma situação semelhante.

Continuamos aguardando. Somente próximo da meia-noite, fui chamada e informada de que poderia me alimentar, pois haviam separado algo para nós.

Eu e outras duas mulheres optamos por não comer, pois sabíamos que, caso nos alimentássemos, precisaríamos aguardar novamente o período de jejum antes do procedimento, prolongando ainda mais uma espera que já estava sendo extremamente difícil.

Fui informada de que a demora no internamento estava relacionada à grande demanda de partos. Durante a espera, presenciei o nascimento de três bebês e permaneci ao lado de mulheres gestantes prestes a dar à luz.

No dia 02/08/2026, por volta das 11h, finalmente fui chamada para realizar a curetagem. Até aquele momento, eu estava praticamente apenas com soro, extremamente fraca devido ao longo período sem alimentação e ainda apresentava sangramento.

Por volta das 16h, fui encaminhada para a sala de recuperação.

Na minha primeira experiência com uma perda gestacional, também havia mães com seus bebês na recuperação. Ouvir os choros dos recém-nascidos enquanto eu estava ali sofrendo foi uma experiência psicologicamente muito dolorosa, porque naquele momento eu pensava que poderia estar vivendo aquela mesma realidade.

Dessa segunda vez, por estar muito sonolenta em razão da anestesia, lembro de ter visto apenas um bebê. Depois, trouxeram duas torradas e um suco para mim.

Quero deixar claro que não estou questionando o fato de outras mulheres precisarem de atendimento ou de os partos terem prioridade. Entendo que são situações que exigem assistência. O que questiono é a forma como mulheres que estão enfrentando uma perda gestacional são tratadas e acolhidas dentro da Maternidade Eugênia Pinheiro.

Nós também somos pacientes. Também sentimos dor. Também estamos vivendo o luto de um filho que esperávamos.

O sofrimento não é apenas físico. Existe um sofrimento psicológico profundo, que pode ser agravado pela falta de acolhimento, pela espera excessiva, pela fome, pelo sangramento, pela ausência de informações claras e, principalmente, pela falta de empatia.

Não basta cuidar do procedimento físico. É necessário cuidar também do emocional dessas mulheres.

Estou profundamente arrasada com tudo o que aconteceu e espero sinceramente que este relato seja levado a sério pela Hapvida e pela administração da Maternidade Eugênia Pinheiro.

Solicito que esta reclamação seja formalmente registrada e apurada, especialmente em relação:

ao tempo excessivo de espera para o procedimento;
à orientação e manutenção do jejum durante tantas horas;
à comunicação e às informações fornecidas às pacientes;
à postura e ao tratamento dispensado pelas funcionárias;
à situação ocorrida na recepção;
às condições de acolhimento das mulheres que enfrentam perdas gestacionais;
e à necessidade de oferecer maior suporte psicológico e emocional a essas pacientes.

Espero que sejam tomadas providências para que outras mulheres não precisem vivenciar uma experiência semelhante.

Nenhuma mulher deveria passar pelo trauma de perder uma gestação e, além de enfrentar a dor da perda, sentir que está sendo tratada com descaso.

Peço respeito, acolhimento, empatia e providências.
Esclareço também que somente estou conseguindo registrar este relato agora porque, desde o ocorrido, estou e continuo muito abalada emocionalmente. Passei por uma situação extremamente dolorosa e traumática, tanto física quanto psicologicamente, e não tive condições emocionais de escrever antes. Ainda estou tentando lidar com tudo o que aconteceu e, neste momento, estou sem cabeça para muitas coisas.

Por isso, peço que seja considerada a data em que estou apresentando esta reclamação e que não seja interpretada como falta de importância ou demora injustificada. Eu simplesmente precisei de tempo para conseguir reunir forças e colocar em palavras tudo o que vivi.

Viviane Sousa
Fortaleza CE
Data: 10/08/2026

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