O que aconteceu
Título: DESCASO, FALTA DE HUMANIZAÇÃO E TRATAMENTO DISCRIMINATÓRIO COM PACIENTE IDOSA INTERNADA COM COVID-19
Venho manifestar minha profunda indignação com a maneira como minha mãe, *****, de 66 anos, vem sendo tratada durante sua internação no terceiro andar do Hospital Adventista de São Paulo, unidade da Rua Rocha Pombo, na Aclimação.
Minha mãe foi diagnosticada com Covid-19. É uma paciente idosa, que faz hemodiálise e já possui uma condição de saúde bastante delicada. Apesar disso, encontra-se consciente e, até o momento, sem apresentar alterações importantes em seu estado geral.
O que deveria ser um ambiente de acolhimento, cuidado e recuperação está se tornando uma experiência extremamente desagradável e psicologicamente desgastante.
O problema é a maneira como alguns funcionários estão lidando com ela. Até mesmo para entregar uma máscara, há situações em que os profissionais permanecem na porta e simplesmente chamam minha mãe para que ela vá até eles, em vez de se aproximarem para prestar o atendimento de maneira humanizada. A postura e a forma de tratamento transmitem uma sensação de rejeição, constrangimento e discriminação por conta do diagnóstico de Covid-19.
Estamos falando de uma senhora de 66 anos, que já enfrenta as dificuldades de uma doença renal e depende de cuidados hospitalares. Ela não pode ser submetida a mais sofrimento psicológico justamente dentro de uma instituição que deveria zelar pela sua saúde física e emocional.
É evidente que existem protocolos de isolamento e medidas de biossegurança que precisam ser respeitados. Ninguém está questionando a necessidade de proteção dos profissionais e dos demais pacientes. O que questionamos é a falta de preparo, orientação e, principalmente, de humanidade na execução desses protocolos.
Covid-19 não pode ser justificativa para abandonar o acolhimento, evitar o contato humano necessário ou fazer um paciente se sentir inferiorizado. Existem equipamentos de proteção individual e protocolos específicos justamente para que os profissionais possam prestar assistência com segurança.
A situação chegou a um ponto em que minha irmã, que trabalha de forma autônoma como psicóloga, está precisando deixar de atender seus próprios pacientes e perder sua fonte de renda para acompanhar nossa mãe, porque ela não está recebendo o acolhimento e a atenção que deveria encontrar dentro do hospital.
Isso é extremamente preocupante!
Fica a pergunta: se a instituição apresenta tamanha dificuldade em lidar com uma situação que exige cuidados e protocolos específicos, como está preparada para oferecer assistência humanizada em situações ainda mais complexas?
Nossa indignação não é contra o isolamento, mas contra a desumanização do atendimento.
Um hospital não pode tratar um diagnóstico como se fosse a identidade de uma pessoa. Antes de ser uma paciente com Covid-19, minha mãe é um ser humano, uma mãe, uma mulher idosa que merece respeito, dignidade e cuidado.
Esperamos que a direção do Hospital Adventista tome conhecimento dessa situação, apure a conduta dos profissionais envolvidos, oriente suas equipes e providencie imediatamente uma assistência verdadeiramente humanizada.
Não queremos privilégios. Queremos respeito, dignidade e atendimento adequado.
A saúde de um paciente não deve ser cuidada apenas com medicamentos e procedimentos. Também exige respeito, acolhimento e humanidade. E isso, infelizmente, é o que está faltando nessa experiência da nossa família.
Aguardamos um posicionamento formal e providências concretas da instituição.