Cobrança no leito de paciente oncológica ainda internada em pós-operatório

Resolvido
Varginha - MG
27/05/2026 às 20:35
ID: 249883503
Minha mãe foi submetida a cirurgia oncológica de grande porte (enucleação de metástases hepáticas) no Hospital BP Mirante. No segundo dia de pós-operatório, com ela ainda internada e em recuperação, a família foi abordada pelo departamento de cobrança via WhatsApp com a seguinte oferta, em palavras textuais da atendente:
"caso prefira disponibilizamos um analista para realizar a cobrança no quarto"
Quando questionei a urgência, a resposta foi: "política do hospital". Apenas após eu insistir, a atendente recuou e disse:
"vou ver com a gestão se podemos aguardar antes do analista se dirigir até o leito"
Essa frase deixa claro que a intenção inicial era, de fato, mandar um cobrador até o leito de uma paciente recém-operada de cirurgia oncológica complexa, para cobrá-la pessoalmente. Não foi mal-entendido nem excesso de zelo isolado: era o procedimento padrão sendo executado. Apenas porque insisti é que o leito foi poupado.
A situação tinha potencial concreto de dano moral (se eu não tivesse contestado, uma paciente oncológica em recuperação teria sido abordada por um cobrador no próprio quarto de hospital). É difícil imaginar conduta mais insensível em uma instituição de saúde, e a abordagem expõe o consumidor a constrangimento de uma forma que o art. 42 do Código de Defesa do Consumidor proíbe expressamente.
A situação é ainda mais grave por se tratar de uma paciente antiga do hospital: minha mãe já realizou inúmeros exames e uma cirurgia anterior na instituição, sempre em caráter particular, ou seja, sempre arcando integralmente com os custos. Essa relação de longa data com o BP, sustentada por pagamentos diretos, torna a abordagem ainda mais decepcionante. Diante de uma cliente fiel em momento de extrema fragilidade, era razoável esperar um mínimo de sensibilidade , exatamente o que faltou aqui.
Sobre os valores, não há contestação: a conta foi documentada de forma transparente. A reclamação é estritamente sobre a conduta e o tom da cobrança.
Não peço nada com esta reclamação, não busco reembolso, desconto ou qualquer compensação. Apenas quero deixar pública e registrada essa situação desagradável, para que outras famílias saibam o que pode acontecer e para que o hospital, eventualmente, reveja seu protocolo de cobrança a pacientes ainda internados.
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Resposta da empresa
03/06/2026 às 11:37
Prezado Sr. Ygor, bom dia.
Agradecemos por compartilhar seu relato e por dedicar seu tempo em detalhar a experiência vivenciada.
Lamentamos profundamente que a situação relatada tenha gerado desconforto, especialmente considerando o momento delicado de internação e recuperação de sua mãe. Para nós, a experiência do paciente e de seus familiares deve sempre ser conduzida com respeito, sensibilidade e acolhimento.
Após o recebimento da sua manifestação, acionamos a Gerência Financeira, que que nos posicionou que os procedimentos administrativos e financeiros da instituição seguem protocolos internos estabelecidos, aplicados de forma uniforme a todos os pacientes, com o objetivo de garantir transparência, organização e segurança nos processos
Ainda assim, reconhecemos que a forma como essas etapas são comunicadas e conduzidas pode impactar diretamente a percepção e o bem-estar de pacientes e familiares. Por isso, sua manifestação é extremamente relevante e já foi devidamente registrada para análise interna.
Reforçamos que o apontamento referente à abordagem realizada foi compartilhado com as áreas responsáveis, para reflexão e aprimoramento das práticas de comunicação e relacionamento, especialmente em contextos de internação, nos quais a sensibilidade deve ser ainda maior.
Seguimos comprometidos com a melhoria contínua e com um atendimento cada vez mais humanizado, respeitoso e adequado às necessidades de nossos pacientes.
Ressaltamos que nosso WhatsApp corporativo permanece à disposição para quaisquer esclarecimentos.
Atenciosamente,
Cristiane Patini
Analista de Ouvidoria
Hospital Bp
Consideração final do consumidor
03/06/2026 às 12:21
Prezada Cristiane Patini,
Resposta genérica para algo que sabemos que não irá mudar, mas obrigado pela resposta. Fiquei tranquilo em saber que o procedimento de mandar um cobrador ao leito de uma paciente recém-operada de câncer é aplicado "de forma uniforme a todos os pacientes". É reconfortante imaginar que minha mãe não foi um caso isolado, mas sim parte de uma política consistente.
Também fico aliviado em saber que minha manifestação "contribuirá para reflexões internas". Reflexão é, sem dúvida, um excelente primeiro passo e, em alguns lugares, chega até a virar segundo.
Não tenho mais perguntas, nem expectativa de retorno. Apenas registro, para constar, que a resposta de vocês confirmou exatamente o que eu temia: que o problema não foi um descuido isolado de uma atendente, e sim um protocolo institucional funcionando como pretendido.
Sigam aprimorando.
O problema foi resolvido?

Resolvido
Voltaria a fazer negócio
Não
Nota do atendimento
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