O que aconteceu
Por duas vezes tivemos experiências extremamente negativas nesta unidade, ambas envolvendo um idoso fragilizado.
1 Idoso de 75 anos, em tratamento oncológico, chegou à emergência encaminhado por sua oncologista para realizar exames de sangue e investigar uma possível anemia. Após permanecer muitas horas aguardando, sem conseguir se alimentar, sofreu um desmaio dentro da unidade e recebeu hidratação venosa.
A médica responsável informou que seria necessária internação no CTI para correção do sódio e transfusão sanguínea. Questionei por que esses cuidados não poderiam ser realizados na clínica médica, mas a resposta foi negativa. Como responsável, não autorizei a internação no CTI. Algum tempo depois, concordaram em interná-lo na clínica médica.
Após outra longa espera, a internação finalmente ocorreu, mas nenhum procedimento foi realizado. Na manhã seguinte, durante a visita, outra médica avaliou exatamente os mesmos exames e informou que ele não apresentava indicação de internação, concedendo alta hospitalar.
Ou seja: diante dos mesmos resultados, recebemos pareceres completamente diferentes. O idoso passou um dia inteiro sob estresse, em jejum e exposto a um ambiente de emergência, apesar de estar fragilizado pelo tratamento oncológico, sem que qualquer intervenção fosse realizada.
2 Em outra ocasião, o mesmo idoso sofreu uma queda da própria altura, atingindo o rosto no chão. Inicialmente, foi levado à UPA mais próxima de sua residência, onde recebeu suturas na testa e no nariz. Depois, foi encaminhado ao Hospital Daniel Lipp para exames complementares, que constataram uma fratura nasal.
O serviço médico solicitou internação para avaliação de um especialista, sendo necessária a transferência para outra unidade. Perguntei expressamente se a internação ocorreria em clínica médica e recebi resposta positiva.
Após várias horas de espera, ele foi transferido para o Hospital Procor, no Jardim Guanabara. Para nossa surpresa, ao chegar, foi encaminhado diretamente ao CTI. Ao questionar a razão, fui informado de que a vaga solicitada pelo Hospital Daniel Lipp havia sido uma vaga de CTI.
Conversei com o médico responsável e fui informado de que o idoso deveria permanecer naquele setor por causa de um suposto traumatismo craniano. Questionei essa justificativa, pois a tomografia de crânio não havia apontado alterações; o achado existente era a fratura nasal, identificada na tomografia de face. O médico então informou que o Hospital Daniel Lipp não havia encaminhado os resultados dos exames.
Os dois episódios revelam, em nossa experiência, graves falhas de comunicação, falta de continuidade das informações e pareceres médicos contraditórios. Não questionamos a necessidade de avaliação e cuidado, mas uma internação em CTI não é um detalhe: precisa ter indicação clara, devidamente explicada e baseada nos exames do paciente.
Toda essa desorganização causou desgaste, insegurança e grande exposição física e psicológica a um idoso já fragilizado. A instituição precisa rever urgentemente seus fluxos de atendimento, transferência e comunicação entre as equipes e com os familiares.