Negligência hospitalar

Não respondida
São Paulo - SP
02/06/2026 às 13:34
ID: 250346293
RELATO DE OCORRÊNCIA PARTO DE *****
Eu, *****, CPF n *****, casado com *****, CPF n *****, venho por meio deste relatar os acontecimentos ocorridos durante o parto de nosso filho no Hospital Metropolitano da Lapa.
Nossa cesariana estava previamente agendada para o dia 29/05/2026, às 09h00. Entretanto, na madrugada do dia 27/05/2026, minha esposa começou a passar mal e apresentar sinais de trabalho de parto. Por volta das 23h00, nos dirigimos ao hospital para atendimento.
Após avaliação médica, foi constatado que ela estava com dois centímetros de dilatação. Permanecemos no hospital até aproximadamente 04h00 da manhã, quando fomos orientados a retornar para casa, sob a justificativa de que ela somente poderia ser internada ao atingir cinco centímetros de dilatação.
Ao retornarmos para casa, as dores se intensificaram significativamente. Desde aproximadamente 07h00 da manhã, minha esposa apresentava fortes contrações e muito sofrimento. Por volta das 10h00, retornamos ao hospital.
Na nova avaliação, foi constatado que ela estava com quatro centímetros de dilatação e apresentava sangramento vaginal considerável. Mesmo diante desse quadro e do fato de já possuir uma cesariana agendada para o dia seguinte, não foi autorizada sua internação imediata para realização do procedimento. Foi administrado soro e ela permaneceu aguardando uma nova avaliação.
Posteriormente, foi constatado que ela já estava com seis centímetros de dilatação, momento em que finalmente foi autorizada sua internação. Realizei os procedimentos administrativos por volta das 14h00.
Quando subi para acompanhá-la, encontrei minha esposa em um corredor, chorando intensamente de dor, com sangramento visível no chão e sem o suporte que considerávamos adequado para a gravidade da situação. Em diversas ocasiões precisei solicitar auxílio à equipe de enfermagem. A resposta recorrente era de que as médicas estavam ocupadas em outros partos considerados mais urgentes.
Com o passar das horas, sua dilatação evoluiu para oito centímetros. Em determinado momento, duas médicas informaram que seria possível tentar um parto normal com medicação para aliviar as dores, pois, segundo elas, uma cesariana demoraria entre uma hora e meia e duas horas para ser realizada. Diante do intenso sofrimento de minha esposa, acabamos aceitando a sugestão.
Em seguida, fui orientado a ajudá-la durante o banho enquanto aguardávamos a medicação. Durante todo esse período, ela continuava apresentando dores intensas e sangramento.
Pouco depois, outra médica solicitou autorização para realizar um exame de toque e romper a bolsa amniótica. Minha esposa, extremamente cansada e sofrendo com as dores, não autorizou o procedimento naquele momento. A médica respondeu de maneira que consideramos inadequada, afirmando algo semelhante a: Estou apenas tentando ajudar, mas, se você não quer ajuda.... Tal situação deixou minha esposa ainda mais abalada emocionalmente.
Por volta das 17h30, ela foi encaminhada para o centro obstétrico. Foi administrada a medicação para possibilitar o parto normal, proporcionando alívio das dores. Entretanto, houve troca de plantão médico às 19h00, o que gerou nova espera.
Após a chegada da nova equipe, foi constatado que ela já estava com dilatação total. Iniciou-se, então, a tentativa de parto normal. Minha esposa realizou todos os esforços orientados pela equipe, inclusive utilizando diferentes posições e métodos para auxiliar a saída do bebê. Apesar disso, o parto não evoluiu adequadamente.
Após várias tentativas e muitas horas de esforço físico, foi informado que o bebê não conseguiria nascer por via normal e que seria necessária a realização de uma cesariana de emergência.
Durante a cesariana, vivenciamos momentos extremamente difíceis. Segundo relato da equipe médica, o bebê encontrava-se muito baixo devido às tentativas anteriores de parto normal, dificultando sua retirada. Percebemos grande tensão durante o procedimento. Minha esposa demonstrava desespero, questionando o que estava acontecendo, enquanto era movimentada na mesa cirúrgica durante as tentativas de retirada do bebê.
Em diversos momentos tememos seriamente pela vida dela e de nosso filho.
Após um período angustiante, nosso filho nasceu. Inicialmente, não ouvimos seu choro, o que aumentou ainda mais nossa preocupação. Somente após alguns instantes ouvimos o choro do bebê, trazendo certo alívio.
Posteriormente, a equipe informou que havia ocorrido uma lesão na bexiga de minha esposa durante o procedimento. Também fomos informados de que foi necessária a retirada de seu útero, embora não tenhamos recebido explicações detalhadas naquele momento sobre as causas que levaram a essa decisão.
Durante o fechamento cirúrgico, surgiu ainda a suspeita de que uma gaze pudesse ter permanecido no interior da paciente. Houve mobilização da equipe para localizar o material e foi realizado um exame de raio-X. Posteriormente, fomos informados de que estava tudo correto.
Reconheço e agradeço o empenho da equipe que realizou a cirurgia, pois acredito que foram fundamentais para preservar a vida de minha esposa e de meu filho. No entanto, acredito sinceramente que a situação jamais deveria ter chegado a esse ponto.
Se minha esposa já apresentava sinais evidentes de trabalho de parto quando procuramos atendimento pela primeira vez, não compreendo por que foi orientada a retornar para casa. Da mesma forma, ao retornarmos ao hospital, já com sangramento, dores intensas e evolução da dilatação, acredito que uma intervenção mais rápida poderia ter evitado horas de sofrimento físico e emocional.
Hoje, minha esposa demonstra sinais claros de abalo emocional. Sempre que relembra os acontecimentos, chora e revive momentos extremamente difíceis. Tenho procurado apoiá-la e tranquilizá-la, mas percebo que toda essa experiência deixou marcas profundas.
Há aproximadamente dois anos investimos em um plano de saúde justamente para termos acesso a um atendimento seguro e humanizado em um momento tão importante quanto o nascimento de nosso filho. Infelizmente, a experiência vivida foi muito diferente da que esperávamos.
Após o parto, solicitei conversar com algum responsável do hospital para relatar minha insatisfação com o atendimento recebido. Algumas enfermeiras informaram que o pedido havia sido encaminhado aos superiores. Entretanto, até o presente momento, ninguém entrou em contato conosco.
Posteriormente, fui informado por outra profissional que não haveria nenhum responsável disponível para conversar comigo durante o final de semana. Também foi mencionado que uma psicóloga conversaria com minha esposa para oferecer suporte emocional, porém, até o momento, isso não ocorreu.
Não escrevo este relato com a intenção de desmerecer os profissionais que atuaram para salvar a vida de minha esposa e de meu filho. Sou grato pelo esforço realizado na etapa final do atendimento. Contudo, considero que houve falhas graves na condução do caso desde o primeiro atendimento, o que contribuiu para o sofrimento físico e emocional enfrentado por minha esposa e por nossa família.
Dessa forma, solicito que o Hospital Metropolitano da Lapa apure detalhadamente os fatos relatados, forneça os devidos esclarecimentos e assuma a responsabilidade por eventuais falhas ocorridas durante a assistência prestada.
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CPF: *****