O que aconteceu
A ANAC não faz nada para melhorar a aviação brasileira. A alta nos custos das passagens e a ineficiência do transporte aéreo no Brasil e na América Latina geram desequilíbrio estrutural e dependência excessiva do modal aéreo para rotas de média distância, alta carga tributária e concentração no fornecimento do querosene de aviação (QAV). Há gargalos na infraestrutura aeroportuária e na gestão do espaço aéreo que não podem ser superados devido aos desvios de verbas públicas e falta de profissionais que entendam de engenharia.
Falta rede de Trens de Alta Velocidade (HSR) para absorver tráfego de passageiros em distâncias de até 800 km e liberar pistas e espaço aéreo para frete e voos continentais/internacionais. Façta construção de mega-hubs dedicados exclusivamente a frete (ex: Aeroporto Ezhou Huahu) e escala produtiva da frota nacional (COMAC). Falta retirar voos de curtíssima distância da aviação comercial via transporte ferroviário e descentralizar o frete aéreo.
Falta inspirar no modelo Hub-and-Spoke hiperotimizado acoplado a Essential Air Service (EAS) subsidiar conexões com cidades remotas. Falta tecnologia NextGen com navegação baseada em ADS-B/GPS) e mercado altamente concorrencial e aeroportos secundários estruturados. Faltam rotas diretas por satélite e política pública perene de fomento à aviação regional. Falta focar em aviação regional e de acesso a territórios remotos com aeronaves turboélices eficientes e infraestrutura simplificada e gestão do espaço aéreo privada e sem fins lucrativos (NAV CANADA) com financiamento direto por tarifas de usuários com alta eficiência. Não pode ter modelo de governança corporativa e autossustentável para serviços de navegação em vastas extensões territoriais.
Falta regulamentação ambiental intermodal e foco dos aeroportos centrais em conexões internacionais e cargas de valor. Falta otimização tecnológica do tráfego aéreo pela DFS e automação de processamento de bagagem e cargas. Falta transformação dos aeroportos centrais em nós multimodais (passagem única para trem + avião).
Não tem economista que ajudem no custo do Querosene de Aviação (QAV) porque o combustível representa entre 35% e 45% dos custos operacionais das companhias aéreas brasileiras. Falta concorrência na [Editado pelo Reclame Aqui] de refinamento e distribuição e isso encarece o insumo em relação à média internacional. Também a exposição cambial e judicialização atrapalham porque cerca de 80% dos custos da aviação (leasing de aeronaves, peças, manutenção e QAV) são precificados em dólar. No Brasil, a excessiva judicialização de cancelamentos e atrasos adiciona um "custo Brasil" que se reflete na tarifa final. Há saturação dos aeroportos centrais porque os terminais (Congonhas, Guarulhos e Santos Dumont operam próximos do limite de capacidade (Nível 3) e isso aumenta o tempo de espera em voo (holding pattern) e queima desnecessária de combustível.
Não pode ter alternativas terrestres de alta velocidade com trens bala seguros por falta de investimentos e parcerias público privadas. Há ausência de sistema ferroviário de passageiros que obriga o uso de aeronaves para trechos curtos (como São PauloRio de Janeiro ou São PauloCampinas) e isso ocupa slots valiosos que poderiam atender voos internacionais ou regionais.
Não pode ter engenheiros aeroespacial que entendem do espaço aéreo e de modernização ATM (Air Traffic Management) por falta de investimento em educação. Falta implantação Total do Free Route Airspace (FRA) e transitar do modelo rígido de aerovias para rotas diretas navegadas por satélite (PBN/GNSS) via DECEA. Isso reduz a distância voada, o tempo de viagem e o consumo de QAV em até 5%. Falta harmonização da navegação transfronteiriça na América Latina com espaço aéreo integrado no âmbito da CLAC (Comissão Latino-Americana de Aviação Civil), reduzindo desvios operacionais entre as fronteiras do Mercosul e dos países andinos. Faltam procedimentos de Descida e Subida Contínua (CDO/CCO) e padronizar aproximações em rampa constante nos principais aeroportos regionais e capitais, economizando combustível e reduzindo ruído urbano.
Falta abertura e desregulamentação do Mercado de QAV com incentivo a importação direta por distribuidoras independentes, expandir a capacidade de refinamento local e implementar polos regionais de produção de SAF (Sustainable Aviation Fuel), aproveitando a matriz de biocombustíveis brasileira. Falta atração de empresas Low-Cost / Ultra-Low-Cost Real e reduzir barreiras de entrada, simplificar regras de bagagem/serviços e padronizar os regulamentos de responsabilidade civil para atrair operadores de baixo custo que conectem o Brasil aos vizinhos sul-americanos. Falta uso estratégico do FNAC (Fundo Nacional de Aviação Civil) e destinar recursos do fundo para garantias de crédito de capital de giro, renovação de frota regional e atração de MROs (Centros de Manutenção, Reparo e Operação) para o território nacional, evitando o envio de motores para o exterior.
Falta infraestrutura logística e conectividade regional com rede aeroportuária Spoke-to-Spoke e Fomentar voos diretos entre cidades de médio porte (ex: Ribeirão PretoMaringá ou CampinasMendoza) sem a necessidade de conexão nos hubs de Guarulhos ou Brasília. Faltam hubs de carga dedicados e aeroportos logísticos focados em e-commerce e produtos perecíveis (com [Editado pelo Reclame Aqui]s de frio integradas) fora dos grandes centros urbanos, reduzindo taxas aeroportuárias para aeronaves cargueiras.
Falta subvenção direta a rotas sociais e adaptar o modelo do Essential Air Service (EAS) americano para a Amazônia Legal e interior do Nordeste, garantindo assentos mínimos subsidiarem rotas com demanda incipiente.
Falta integração Multimodal (Air-Rail) e projeto do Trem de Alta Velocidade (TAV) Eixo SPRJ-MG e implantação de linha ferroviária de alta velocidade entre São Paulo e Rio de Janeiro liberar dezenas de slots diários na ponte aérea, transferindo o tráfego de passageiros de curta distância para o trem e abrindo espaço nos aeroportos para frete aéreo e rotas de longo curso.
Faltam terminais intermodais aeroporto-ferrovia e ligar as estações de trem/metrô diretamente aos terminais de passageiros e áreas de carga em aeroportos como Guarulhos, Viracopos e Confins.