Não resolvido

Falha na comunicação e atraso no tratamento médico resultando em novo procedimento cirúrgico

INSTITUTO FERNANDO FILGUEIRAS - IFF

cidade: Salvador

O que aconteceu

À OUVIDORIA DO HOSPITAL DA MULHER MARIA LUZIA COSTA DOS SANTOS

Assunto: Reclamação formal por falha na assistência, ausência de informação à paciente e atraso no tratamento de saúde

Venho, por meio desta, apresentar reclamação formal em face do atendimento prestado pelo Hospital da Mulher Maria Luzia Costa dos Santos, unidade administrada pelo Instituto Fernando Filgueiras (IFF), em razão de graves falhas na assistência, na comunicação com a paciente e da violação ao meu direito à informação, fatos que ocasionaram atraso no meu tratamento, sofrimento físico e psicológico, além da necessidade de realização de um novo procedimento cirúrgico.

No dia 25 de abril de 2026, compareci ao hospital para o internamento previamente agendado, visando à realização de uma histeroscopia, procedimento que ocorreu no dia 26 de abril de 2026, com duração aproximada de 40 minutos.

Após a cirurgia, fui encaminhada à enfermaria. Em seguida, uma enfermeira compareceu ao meu leito e realizou minha alta hospitalar, entregando toda a documentação, incluindo receita médica, atestado e o comprovante de retorno para consulta, ocasião em que receberia o resultado da biópsia do útero.

Em nenhum momento fui informada de que havia ocorrido qualquer intercorrência durante o procedimento ou de que a coleta do material para biópsia não havia sido realizada.

Ressalto que permaneci internada acompanhada desde o dia do internamento até a alta. Inclusive, assinei termo autorizando expressamente que todas as informações referentes ao meu estado de saúde e ao procedimento fossem repassadas ao meu acompanhante. Entretanto, nem eu nem meu acompanhante recebemos qualquer informação sobre a suposta impossibilidade de realização da biópsia.

Confiando nas informações fornecidas pelo hospital, aguardei normalmente a consulta de retorno, comparecendo no dia 1 de julho de 2026 para receber o resultado da biópsia e dar continuidade ao meu tratamento.

Ao procurar o setor responsável pelos exames, fui surpreendida com a informação de que o exame constava como cancelado. A funcionária que me atendeu não soube explicar o motivo, demonstrando desconhecimento da situação. Ela entrou em contato com a coordenação do centro cirúrgico em busca de esclarecimentos, porém não obteve resposta, orientando-me apenas a aguardar.

Diante da falta de informações, procurei a Assistência Social do hospital, que também buscou esclarecimentos junto à coordenação. Após retornar, fui orientada a conversar diretamente com a equipe médica.

Somente nessa ocasião, mais de dois meses após a cirurgia, fui informada pela equipe do Dr. Alan de que a biópsia havia sido cancelada porque, supostamente, o colo do útero encontrava-se fechado, impossibilitando a coleta do material.

Tal informação nunca me foi comunicada no dia da cirurgia, durante a internação, no momento da alta hospitalar ou em qualquer contato posterior. Permaneci por mais de dois meses acreditando que o material havia sido coletado normalmente e que apenas aguardava o resultado do exame.

Essa falha de comunicação é extremamente grave, pois me impediu de buscar imediatamente alternativas terapêuticas e retardou todo o meu tratamento.

Como consequência, fui informada de que precisarei realizar uma nova histeroscopia, passando novamente por consultas, avaliação anestésica, internação e um novo procedimento cirúrgico. Já fui encaminhada para consulta com o anestesista, marcada para o dia 7 de agosto de 2026, para posterior agendamento da nova cirurgia.

Além do desgaste físico decorrente da necessidade de repetir um procedimento invasivo, enfrentei intenso sofrimento psicológico, ansiedade, insegurança, medo e frustração.

O resultado da biópsia era indispensável para definição do tratamento da menopausa, cujos sintomas vêm comprometendo significativamente minha saúde e qualidade de vida. Em razão da ausência desse resultado, meu médico ficou impossibilitado de iniciar o tratamento adequado.

Na tentativa de obter atendimento mais rápido, cheguei a custear uma consulta médica particular. Contudo, também fui informada de que nenhum tratamento poderia ser iniciado sem o resultado da biópsia.

Diante dos fatos, surge uma dúvida absolutamente legítima e que necessita de esclarecimento formal:

O material realmente não pôde ser coletado durante a cirurgia por impossibilidade técnica decorrente do fechamento do colo do útero ou houve coleta e posterior extravio, perda ou falha no processamento do material?

Caso realmente não tenha sido possível realizar a coleta, por qual motivo essa informação não foi registrada de forma clara na minha documentação de alta, nem comunicada a mim ou ao meu acompanhante, mesmo havendo autorização expressa para o compartilhamento dessas informações?

Entendo que houve violação ao meu direito de ser adequadamente informada sobre meu estado de saúde, além de evidente falha na prestação do serviço público de saúde, ocasionando atraso no tratamento, sofrimento desnecessário e prejuízos de ordem física, emocional e financeira.

Diante disso, requeiro:

1. A abertura de procedimento para apuração dos fatos.

2. A apresentação de resposta formal e fundamentada sobre o ocorrido.

3. O fornecimento de cópia integral do meu prontuário médico, incluindo relatório cirúrgico, evolução médica, evolução de enfermagem, descrição do procedimento realizado e justificativa técnica para o cancelamento da biópsia.

4. A identificação dos profissionais responsáveis pelo procedimento e pela comunicação da alta.

5. A apuração das responsabilidades quanto à ausência de informação à paciente e ao acompanhante.

6. Que sejam adotadas medidas para evitar que outras pacientes passem pela mesma situação.

7. Prioridade no agendamento do novo procedimento cirúrgico, considerando que o atraso foi ocasionado por falha da própria instituição.

Aguardo resposta dentro do prazo legal, reservando-me o direito de encaminhar esta reclamação aos demais órgãos de controle e fiscalização, inclusive à Ouvidoria da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia, ao Ministério Público, à Defensoria Pública e aos demais órgãos competentes, caso não sejam prestados os devidos esclarecimentos e adotadas as providências cabíveis.

Atenciosamente,

Cleide Machado

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