O que aconteceu
Minha experiência com o Instituto Verbena na organização do concurso da Prefeitura de Valparaíso de Goiás foi extremamente insatisfatória e deixou uma sensação muito forte de falta de organização, transparência e respeito com os candidatos.
O processo de heteroidentificação foi marcado por situações que, no mínimo, merecem explicações claras. Houve candidatos convocados que, segundo o que presenciei, sequer estavam com a documentação exigida no momento da chamada e, ainda assim, foram autorizados a participar do procedimento. Além disso, candidatos que tinham horário previamente marcado precisaram esperar horas além do horário previsto. Pessoas agendadas para as 11h, por exemplo, chegaram a ser chamadas somente duas ou três horas depois. Para um procedimento oficial de concurso público, isso demonstra uma organização muito aquém do que se espera de uma banca responsável por conduzir uma etapa tão importante.
Como se não bastasse, no próprio dia da heteroidentificação ocorreram problemas de instabilidade no site, impedindo que alguns candidatos conseguissem acessar a chamada. O resultado foi ainda mais transtorno para quem já estava cumprindo todas as exigências e tentando participar normalmente do processo. Toda essa desorganização acabou refletindo diretamente no cronograma do concurso, com o resultado final do Cronograma A sendo adiado por mais de 45 dias.
E talvez o mais frustrante de tudo tenha sido a forma como o Instituto Verbena lidou com os questionamentos dos candidatos. Sempre que procurávamos esclarecimentos, recebíamos respostas genéricas e padronizadas, dizendo que todas as informações estão no site ou simplesmente transferindo a responsabilidade para a Prefeitura. O candidato fica no meio de um jogo de empurra, sem receber uma resposta objetiva sobre problemas que dizem respeito diretamente à execução do concurso.
A situação chegou a um ponto ainda mais absurdo quando, para determinados questionamentos e recursos, a impressão deixada foi de que somente mediante judicialização o candidato conseguiria uma análise efetiva da situação. Concurso público deveria ser sinônimo de transparência, critérios claros, tratamento isonômico e possibilidade real de contestação administrativa. Não deveria ser necessário recorrer à Justiça para conseguir simplesmente ser ouvido.
Faço questão de deixar claro que minha crítica não existe porque eu não fui aprovado como cotista. Eu sequer ingressei pela cota: minha classificação foi pela ampla concorrência (AC). Minha insatisfação é com a condução do concurso e com a maneira como os candidatos foram tratados durante todo esse processo.
Quem se inscreve em um concurso público investe dinheiro, tempo, estudo, expectativa e, muitas vezes, meses ou anos de preparação. O mínimo esperado de uma banca organizadora é competência, organização, comunicação transparente e respeito aos candidatos. Infelizmente, foi justamente isso que senti que faltou ao Instituto Verbena nesse concurso de Valparaíso de Goiás.
Minha avaliação é negativa não por frustração pessoal com o resultado, mas pela forma como o processo foi conduzido. Para mim, faltaram transparência, organização, previsibilidade e, principalmente, respostas concretas aos candidatos quando surgiram problemas. Um concurso público exige muito mais do que simplesmente publicar informações em um site e depois dizer que a responsabilidade é de outra instituição.