Abordagem comercial inadequada e uso indevido de dados pessoais por suposto gerente do Matri Bank

Não respondida
Curitiba - PR
19/08/2026 às 14:09
ID: 256871873
Na data de 19/08/2026, recebi contato, por meio de WhatsApp, de um indivíduo identificado como Nicolas Roberto, que se apresentou como um dos gerentes da matriz do Grupo Matri Matri Bank.
O contato foi iniciado por meio de áudio, no qual o referido interlocutor apresentou a empresa como sendo uma das maiores instituições financeiras do país no segmento de antecipação de precatórios federais, afirmando, inclusive, que a empresa seria "auditada pelo Banco Central".
Diante da abordagem, questionei a razão do contato, uma vez que não possuo atualmente qualquer processo em meu nome tramitando perante a Justiça Federal, tampouco existe precatório expedido em meu favor.
Em resposta, o interlocutor questionou se eu tinha certeza da informação e, para minha surpresa, encaminhou meu nome completo e número de CPF, aparentemente com o objetivo de confirmar minha identidade e/ou localizar alguma suposta operação em meu nome.
Informei que sou advogada, com experiência na área de expedição e processamento de precatórios federais, e que conheço o procedimento de compra, venda e antecipação de precatórios, razão pela qual solicitei objetivamente o número do processo judicial ao qual ele estava se referindo.
Nesse momento, além de não apresentar imediatamente a informação solicitada, o interlocutor encaminhou novo áudio fazendo comentários sobre minha aparência física, afirmando, em determinado momento, que "imaginou que eu fosse advogada mesmo".
Considero tal abordagem completamente inadequada, anti-profissional e incompatível com uma comunicação comercial séria, especialmente considerando que se tratava de uma abordagem supostamente realizada por um gerente de uma instituição que se apresenta como atuante no mercado financeiro. Após insistir novamente pela identificação do processo, o interlocutor finalmente forneceu o número da ação.
Ao realizar a consulta, constatei que se trata de um processo que tramita no Estado de Mato Grosso do Sul, distribuído em 2021, no qual figurei inicialmente como advogada. Ocorre que não possuo qualquer vínculo com referido processo há mais de quatro anos, quando deixei o escritório em que atuava, em fevereiro de 2022. Na época, formalizei o respectivo substabelecimento em favor de outro advogado do escritório, deixando, portanto, de atuar na referida demanda. Assim, causa-me especial estranheza o fato de que, mais de quatro anos após meu desligamento e sem qualquer vínculo atual com o processo, meus dados pessoais tenham sido utilizados para uma abordagem comercial relacionada justamente àquela demanda.
Quando questionei Nicolas Roberto sobre a razão de estar sendo contatada em relação a um processo no qual não atuo há anos, ele afirmou que a Matri Bank trabalha tanto com requerentes quanto com advogados e que atualmente estaria realizando diversas "parcerias" com advogados, supostamente em razão de questões relacionadas à tributação de honorários.
O que considero mais grave nessa situação é a origem e a utilização dos meus dados pessoais. Em nenhum momento autorizei a Matri Bank, seus representantes ou qualquer terceiro a utilizar meus dados pessoais para realizar esse tipo de abordagem comercial.
Além disso, não se trata simplesmente de uma abordagem realizada com meu nome e telefone, o interlocutor demonstrou possuir informações específicas relacionadas à minha atuação profissional em um processo judicial antigo, além de ter acesso ao meu nome completo e número de CPF. Solicito que a empresa informe expressamente se existe algum cadastro, operação, proposta comercial, análise de crédito, registro de interesse ou qualquer outro procedimento vinculado ao meu CPF, bem como a razão pela qual fui incluída em uma abordagem comercial relacionada a um processo no qual não possuo qualquer atuação há mais de quatro anos.
Ainda, o realizar consulta no sistema disponibilizado pelo Banco Central do Brasil, especificamente na área destinada à consulta de instituições reguladas/supervisionadas, não localizei a empresa "Matri Bank" com essa denominação. Ressalto que ser auditada pelo Banco Central não é necessariamente equivalente a ser uma instituição financeira autorizada ou supervisionada pelo Banco Central.
Por fim, registro formalmente minha insatisfação com a conduta do Sr. Nicolas Roberto durante o contato.
Além da abordagem não solicitada e da utilização de informações pessoais cuja origem desconheço, considero totalmente inadequados os comentários relacionados à minha aparência física, especialmente quando realizados durante uma abordagem profissional e por pessoa que se apresentou como gerente da empresa.
O fato de eu ser mulher e advogada não autoriza qualquer interlocutor a realizar comentários dessa natureza, muito menos em uma tentativa de estabelecer uma relação comercial.
Possuo os áudios e demais registros da conversa, os quais permanecem armazenados e poderão ser apresentados às autoridades e órgãos competentes caso necessário.