O que aconteceu
Minha experiência com o Medcurso começou em 2024, quando contratei o Medcurso 2024 e o MED 2025 para me preparar para a residência médica, considerando a reputação da empresa e o alto valor dos cursos.
Desde o início, encontrei dificuldades que comprometeram minha experiência.
Uma das primeiras situações envolveu uma cortesia disponibilizada pela empresa, que acabei perdendo por falta de clareza sobre como acessá-la e utilizá-la. Ao reclamar, fui informada de que as orientações haviam sido divulgadas, inclusive pelo Instagram. Considero essa justificativa insuficiente. Não é razoável exigir que o aluno acompanhe constantemente as redes sociais para não perder benefícios relacionados a um serviço contratado. Durante a preparação para a residência, muitos estudantes reduzem ou até excluem o Instagram para manter o foco. Informações importantes precisam ser comunicadas claramente e pelos canais adequados.
A plataforma também apresentava inconsistências e instabilidades recorrentes. Além disso, o aplicativo exibia registros de cursos e atividades de anos anteriores que eu não havia concluído. Ao acessá-los, não conseguia recuperar as aulas, acessar os conteúdos ou recuperar a cortesia perdida. Esses registros não tinham utilidade prática e apenas deixavam a interface visualmente poluída, lembrando constantemente conteúdos pendentes e frustrações. Solicitei diversas vezes a correção ou retirada dessas informações, mas não obtive solução. Em uma rotina de preparação intensa, deparar-me diariamente com esses registros era mais um fator de estresse e desmotivação.
Também questiono a proposta de funcionamento do serviço diante dos valores cobrados. Na prática, a plataforma oferece principalmente aulas gravadas e questões, sem acompanhamento próximo ou assistência individualizada. As mentorias ao vivo permitem a interação de poucas pessoas com os professores, e as gravadas não suprem a falta de acompanhamento. O aluno não pode ser tratado como alguém que compra um acesso e precisa resolver tudo sozinho. Uma empresa que cobra tão caro deve oferecer orientação e suporte efetivo.
Em 2024 e 2025, minha intenção era me preparar para prestar provas de residência em 2026. Entretanto, diante da experiência e da preparação que consegui realizar, não me sentia segura para investir em provas que sonhava disputar. Não seria razoável arcar também com inscrições, taxas, passagens, hospedagem e deslocamentos sem a confiança de estar adequadamente preparada. Deixei de participar para não assumir mais despesas.
Em 2026, decidi realizar uma nova contratação, adquirindo o Medcurso 2026 e o MED 2027. O processo, porém, foi extremamente desgastante. Eu queria especificamente esses dois cursos, mas a empresa insistia em oferecer apenas o MedMaster, que não correspondia ao que procurava. Foram diversas conversas e tentativas de negociação, com necessidade de procurar diferentes atendentes. A situação só começou a ser resolvida após uma abordagem pelo Instagram. Mesmo assim, a resposta efetiva levou dias e, quando veio, as aulas já haviam começado. Senti que estava praticamente me humilhando para comprar um produto de uma empresa da qual já era cliente.
Posteriormente, diante dos problemas relatados e também de questões pessoais e de saúde, solicitei o cancelamento dessa contratação de 2026/2027.
O atendimento pelos canais de suporte também é problemático. Ao entrar em contato pelo WhatsApp ou por outros canais do MEDGRUPO, é necessário aguardar em uma fila. Quando um atendente finalmente responde, há um prazo muito curto para retornar. Conforme minha experiência, se não consigo responder em aproximadamente cinco minutos, a conversa é encerrada e preciso iniciar todo o processo novamente, voltando para a fila. Além de esperar, preciso estar disponível para não perder o atendimento, mesmo quando a demanda exige análise.
O cancelamento também é desgastante: exige insistência, contato com diferentes atendentes e negociações. Na prática, o consumidor pode acabar continuando a pagar por um serviço que não utiliza simplesmente para evitar o estresse de recomeçar o atendimento e tentar negociar uma solução.
Posteriormente, também contratei o curso Revisão, mas, por questões pessoais e de saúde, não consegui utilizá-lo. A possibilidade de cancelamento se mostrou financeiramente inviável diante das multas e dos encargos, além do desgaste que eu sabia que enfrentaria para resolver a situação.
Atualmente, tenho um comprometimento financeiro elevado com a empresa: continuo pagando os valores financiados referentes às contratações de 2024 e 2025, além das multas relacionadas ao cancelamento de 2026/2027 e dos valores referentes ao curso Revisão.
Considero especialmente injusto que as cobranças não levem em conta a efetiva utilização dos serviços. Em 2025, não retirei nenhuma apostila. Em 2024, só consegui retirar as apostilas muito tempo depois, nas raras aulas presenciais às quais compareci. Durante o internato, os plantões frequentemente coincidem com os horários das aulas, uma realidade que deveria ser considerada pela empresa. Houve aulas que não assisti, materiais que não retirei ou retirei tardiamente e serviços dos quais não consegui usufruir efetivamente.
Não afirmo que a falta de utilização elimina automaticamente as obrigações contratuais. Solicito, porém, que a empresa considere o histórico real de utilização, os valores já pagos, as condições em que os serviços foram disponibilizados, as falhas relatadas e as tentativas de resolução antes de definir os valores cobrados.
Estamos falando de cursos de alto custo. Não é razoável cobrar valores tão expressivos, oferecer pouco suporte e apresentar problemas na plataforma para, depois, considerar apenas o contrato assinado e ignorar a experiência do consumidor.
A empresa demonstra facilidade para comercializar cursos, mas pouca eficiência quando o aluno precisa de suporte. O consumidor parece importante na contratação, mas depois enfrenta dificuldades para conseguir assistência. A plataforma falha e visualmente desorganizada transforma até o acesso aos estudos em mais um fator de estresse.
A preparação para a residência médica exige investimento financeiro, disciplina, tempo e equilíbrio emocional. O mínimo esperado de uma empresa que comercializa cursos tão caros é uma plataforma que funcione, informações claras, atenção ao aluno e atendimento disposto a solucionar problemas.
Diante desse histórico, solicito:
1. Revisão individualizada dos valores em aberto, considerando as contratações, os cancelamentos e os valores já pagos.
2. Reavaliação das multas e dos encargos, considerando as dificuldades relatadas e o desgaste enfrentado nas tentativas de resolução.
3. Análise do efetivo aproveitamento dos serviços, incluindo aulas não assistidas, apostilas não retiradas ou retiradas tardiamente e cursos não utilizados.
4. Proposta de renegociação com valores proporcionais aos serviços efetivamente usufruídos, sem desconsiderar as circunstâncias relatadas.
Não busco simplesmente deixar de cumprir minhas obrigações. Busco uma solução justa, proporcional e coerente com toda a experiência que tive com a empresa.
Depois de tantas contratações, tentativas de contato, dificuldades de utilização e desgaste para resolver questões administrativas, considero que o mínimo esperado é que o MEDGRUPO escute o consumidor, analise o histórico individualmente e apresente uma solução.
Não é aceitável que uma empresa cobre tão caro por um serviço e ofereça tão pouco a quem está pagando por ele.