O que aconteceu
Comprei uma Mitsubishi Pajero Sport HPE, ano 2022/2023, um SUV de alto valor, vendido pela Mitsubishi como sinônimo de robustez e segurança. Em 25/09/2026, numa única viagem, esse carro falhou duas vezes, na estrada, com o veículo em movimento, e colocou em risco a minha vida e a da minha companheira.
PRIMEIRA FALHA, DIREÇÃO HIDRÁULICA: uma porca da linha de pressão da caixa de direção estava frouxa. O carro perdeu todo o óleo da direção e o volante endureceu em plena rodovia. Um volante que trava na estrada pode causar um acidente fatal. Um carro desse padrão não pode apresentar esse tipo de falha.
SEGUNDA FALHA, SISTEMA 4X4 E DIFERENCIAL: horas depois, sob chuva forte, usei o modo 4H em velocidade reduzida, exatamente o uso previsto para pista molhada. Quando a chuva diminuiu, voltei para o 2H. O sistema não completou a troca, começou um barulho forte na roda dianteira esquerda e saiu uma fumaça intensa por baixo do capô. Tivemos que parar À NOITE, NO ACOSTAMENTO DE UMA BR MOVIMENTADA, correndo risco de atropelamento, colisão e incêndio.
Nas duas falhas o painel NÃO mostrou nenhum alerta. Nenhum aviso ao motorista.
A viagem foi cancelada. O carro voltou guinchado pelo seguro e nós viemos de transfer. Perdi entre R$ 4 mil e R$ 5 mil só com a viagem, e estou sem o carro para trabalhar e para a rotina desde 25/09.
A POSIÇÃO DA MITSUBISHI FOI ME CULPAR. O carro está na concessionária autorizada HC Mitsubishi Campo Grande/MS desde 25/09. Fui informado de que a Mitsubishi considera esse tipo de defeito "mau uso", ou seja, de que eu teria rodado em 4HLc ou 4LLc sem perceber. Não foi o que aconteceu, e tenho testemunha. NENHUM LAUDO TÉCNICO FOI APRESENTADO. Tentei entregar uma notificação extrajudicial com detalhes do que falei aqui e pedindo documentos, laudos, etc. Mas o gerente Ricardo se negou a assinar.
A mesma foi enviada por whatsapp da concessionária, para o email da fabricante, informando o caso e a negativa de recebimento do gerente.
CASOS REPETIDOS, POSSÍVEL DEFEITO DE SÉRIE: na própria HC Mitsubishi Campo Grande (através da ligação do mecânico) fui informado de que houve de 4 a 5 casos do mesmo defeito somente nessa concessionária neste ano, e todos foram negados pela fabricante como "mau uso". Cinco clientes diferentes errando da mesma forma, na mesma peça? Isso não é mau uso. É um padrão. Se uma única concessionária de Campo Grande já registrou tantos casos em poucos meses, é razoável supor que existam muitos outros casos semelhantes em outras regiões do Brasil. Um possível defeito de série num sistema ligado à segurança do veículo justifica análise e investigação pelo Ministério Público e pela Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), inclusive quanto à necessidade de recall. Pelo Código de Defesa do Consumidor, o fabricante que conhece um risco à segurança tem o dever de comunicá-lo às autoridades e aos consumidores (art. 10).
Também pelo Código de Defesa do Consumidor, quem tem que PROVAR o mau uso é o fabricante, não o consumidor (art. 12, 3). Até agora a Mitsubishi não provou nada.
Enviei notificação extrajudicial à Mitsubishi, registrada sob o protocolo 247704, que segue em anexo. A falha da direção hidráulica, que não tem NENHUMA relação com o 4x4, também aguarda resposta.
EXIJO DA MITSUBISHI:
a) negativa formal e por escrito, acompanhada do laudo técnico que a fundamenta, com nome, função e qualificação do técnico responsável;
b) relatório completo de diagnóstico (scanner), com códigos de falha e todos os dados registrados pelos módulos eletrônicos do veículo, em especial os relativos ao modo de tração utilizado;
c) fotos das peças avaliadas e indicação da cláusula do manual de garantia usada para fundamentar a negativa;
d) que nenhuma peça seja desmontada, substituída, reparada ou descartada sem a minha presença ou de assistente técnico indicado por mim, com aviso prévio por escrito, e que as peças retiradas sejam preservadas e identificadas;
e) análise e posição por escrito sobre o vazamento na conexão da linha de pressão da direção hidráulica;
f) análise técnica do caso pela fabricante, com levantamento dos demais casos semelhantes registrados na rede autorizada;
g) cópia da ordem de serviço com o registro da entrada do veículo em 25/09/2026;
h) disponibilização imediata de veículo reserva equivalente, ou custeio de meio de locomoção alternativo, enquanto o carro estiver sem condições de uso;
i) ressarcimento dos prejuízos da viagem e do período sem o carro, mediante apresentação dos comprovantes.
Tenho fotos, vídeos e gravações de tudo. Caso não haja solução, vou recorrer ao Procon, ao Ministério Público, à Senacon e à Justiça.
Aos futuros compradores de Pajero Sport: fiquem atentos.