O que aconteceu
RECLAMAÇÃO FORMAL SANTA CASA DE SANTO ANDRÉ
Assunto: Solicitação de apuração urgente sobre sucessivas dispensas de paciente com quadro de colecistite, evolução do quadro e risco de vida.
Venho, por meio desta, registrar uma reclamação formal e solicitar uma apuração rigorosa sobre o atendimento prestado ao meu esposo pela Santa Casa de Santo André, diante de uma sequência de acontecimentos que, em nossa avaliação como familiares, poderia ter resultado em uma consequência irreversível: a perda da vida do meu esposo.
Meu esposo apresentou, por diversas vezes, crises intensas e recorrentes de dor relacionadas à vesícula, sendo atendido inicialmente pela UPA do Bangú e, em diferentes ocasiões, transferido para a Santa Casa de Santo André, justamente pela necessidade de uma avaliação hospitalar especializada.
Ele foi encaminhado repetidamente à Santa Casa em decorrência de crises importantes, com dores cada vez mais intensas. Durante esse período, foram realizados exames de imagem que demonstravam uma vesícula repleta de cálculos e sinais de inflamação aguda.
Apesar desses achados e da intensidade das dores apresentadas, meu esposo foi dispensado em todas as ocasiões pela equipe de cirurgia, sob a justificativa de que, naquele momento, o quadro não seria considerado suficientemente grave para a realização de uma cirurgia.
Em uma dessas situações, inclusive, fomos informados de que a equipe estaria seguindo uma espécie de
tabela do SUS para determinar quais casos poderiam ou não ser submetidos ao procedimento cirúrgico.
Chegou um momento em que as crises se tornaram tão intensas que já não era possível controlar adequadamente a dor com medicamentos por via oral.
Mesmo assim, após aproximadamente quatro passagens pela Santa Casa de Santo André, incluindo transferências realizadas pela UPA do Bangú, ele continuava recebendo atendimento e sendo posteriormente dispensado, sem que fosse realizada a cirurgia ou apresentada uma solução definitiva para o problema.
Diante da repetição das crises, da intensidade das dores e da nossa preocupação com a evolução do quadro, após essas diversas idas à Santa Casa, precisei tomar uma providência por conta própria e registrar formalmente um pedido de urgência diretamente junto à Secretaria da Saúde.
Após o registro desse pedido, aguardamos aproximadamente 15 dias para obter um retorno da Secretaria da Saúde.
Infelizmente, antes que tivéssemos uma solução efetiva, o quadro do meu esposo evoluiu de maneira dramática.
O agravamento e o atendimento em Maringá
No dia 16/09, meu esposo passou extremamente mal em casa, apresentando crises de desmaio, além de todo o histórico de dores intensas e recorrentes relacionadas à vesícula.
Diante da gravidade da situação, entrei em contato com familiares que possuem conhecimento na área médica e fui orientada a levá-lo imediatamente para Maringá- PR com a intenção de buscar atendimento hospitalar adequado, internação e, finalmente, a realização da cirurgia.
Foi então que conseguimos receber o atendimento que, infelizmente, não havíamos conseguido obter anteriormente.
Meu esposo foi avaliado, internado e submetido à cirurgia de emergência para retirada da vesícula.
Após o procedimento, recebemos do cirurgião uma informação que nos deixou completamente abalados.
Segundo o médico que realizou a cirurgia, a vesícula já havia se rompido, com conteúdo inflamatório espalhado pela cavidade abdominal, configurando uma situação de extrema gravidade e com alto risco de septicemia.
Fomos informados, inclusive, de que, se não tivéssemos procurado atendimento naquele momento, ele poderia não ter sobrevivido por mais alguns dias.
É impossível não questionar, diante desse desfecho, tudo o que aconteceu anteriormente.
Meu esposo esteve diversas vezes em atendimento de urgência. Foi transferido pela UPA do Bangú para a Santa Casa de Santo André. Apresentava crises intensas de dor. Seus exames de imagem já demonstravam uma vesícula repleta de cálculos e sinais de inflamação. Mesmo assim, foi avaliado repetidamente pela equipe cirúrgica e dispensado.
As dores foram aumentando progressivamente.
Foram várias idas ao hospital.
Foi necessário procurar a Secretaria da Saúde e registrar um pedido formal de urgência.
E, ainda assim, o problema continuou sem uma solução definitiva até que o quadro evoluiu para uma ruptura da vesícula, com disseminação de conteúdo inflamatório pela cavidade abdominal e risco de septicemia, conforme nos foi informado pelo cirurgião responsável pelo procedimento em Maringá.
Solicitação de apuração
Diante de tudo isso, solicito formalmente que seja realizada uma apuração completa de todo o atendimento prestado ao meu esposo, incluindo:
todos os atendimentos realizados na Santa Casa de Santo André;
todas as transferências realizadas pela UPA do Bangú;
os exames de imagem realizados durante essas passagens;
os resultados e achados relacionados à vesícula;
as avaliações realizadas pela equipe de cirurgia;
as justificativas registradas para a não realização da cirurgia;
as orientações dadas ao paciente e à família em cada atendimento;
os critérios utilizados para determinar que o caso não apresentava gravidade suficiente para intervenção cirúrgica;
a eventual utilização de protocolos, critérios do SUS ou qualquer outra regulamentação mencionada à família;
o registro do pedido de urgência realizado junto à Secretaria da Saúde e as providências tomadas posteriormente;
O tempo decorrido entre os primeiros atendimentos, a evolução do quadro e a realização efetiva da cirurgia.
Também solicito esclarecimentos sobre como um paciente que apresentava cálculos na vesícula, sinais de inflamação, crises recorrentes e dores progressivamente mais intensas pôde ser dispensado repetidas vezes sem que a evolução do quadro fosse suficientemente considerada.
Não cabe a nós, familiares, determinar qual deveria ter sido a conduta médica em cada momento. Porém, diante do que posteriormente foi encontrado durante a cirurgia, entendemos ser indispensável que os atendimentos anteriores sejam analisados por profissionais responsáveis e independentes, a fim de verificar se todos os protocolos assistenciais e critérios técnicos aplicáveis foram devidamente observados.
Um alerta que não pode ser ignorado
O que aconteceu com meu esposo não pode ser tratado simplesmente como mais um caso de paciente que procurou atendimento e recebeu alta.
Foram diversas idas ao serviço de saúde, diversas crises, transferências pela UPA, exames com alterações, avaliação da equipe cirúrgica, novas crises, agravamento da dor, tentativa de buscar auxílio junto à Secretaria da Saúde e, finalmente, uma situação de emergência extrema que culminou na descoberta de uma vesícula rompida e conteúdo inflamatório espalhado pela cavidade abdominal, com risco de septicemia.
Se não tivéssemos tomado a decisão de procurar atendimento em Maringá naquele momento, poderíamos estar hoje enfrentando uma situação irreparável.
E é justamente por isso que faço esta reclamação.
Não quero que outra família precise passar pelo que nós passamos.
O sistema público de saúde precisa funcionar de maneira que protocolos e critérios administrativos não se sobreponham à avaliação individual e à evolução clínica de um paciente.