Falha em aplicativo, humilhação pública e discriminação contra passageiro autista

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São Paulo - SP

12/08/2026 às 17:06

ID: 256306735

Venho por meio deste canal manifestar minha profunda indignação e registrar uma reclamação formal combinada com denúncia de ato discriminatório. O que sofri no balcão de atendimento foi um ato de extrema desumanidade, negligência e completo desrespeito à dignidade da pessoa humana e às leis federais de proteção à pessoa com deficiência.
Sou uma pessoa autista (Transtorno do Espectro Autista - TEA). No dia 12/08/2026, compareci à rodoviária para acessar a área de embarque no horário das 13:30 com destino a Criciúma/SC (*****, Poltrona 8).
Cheguei com antecedência e compareci à catraca de acesso ao embarque por volta das 13:15. Ocorre que o aplicativo oficial da Santo Anjo apresentou um erro sistêmico inaceitável: o QR Code emitido simplesmente não abria a área de acesso de forma alguma.
Como autista, diante de uma falha inesperada que fugiu totalmente do controle e do planejamento, entrei em um estado de crise profunda e "travamento" (shut-down). Fiquei paralisado tentando, em vão, fazer a tecnologia funcionar. A equipe da empresa demonstra total ignorância sobre a neurodivergência: quando um autista trava ou entra em hiperfoco tentando resolver um problema, ele perde a percepção do tempo e fica cognitivamente impossibilitado de reagir de outra forma. É uma condição médica, não uma escolha do passageiro.
Após lutar contra o sistema durante a crise, fui orientado a retornar ao guichê, onde cheguei exatamente às 13:25. O bilhete físico foi impresso, mas ao retornar correndo à plataforma, o ônibus partiu diante dos meus olhos e fui impedido de embarcar pela equipe.
O pior cenário de humilhação ocorreu quando voltei ao balcão após perder o transporte. Fui tratado com extrema rispidez, frieza e total falta de acolhimento. Para piorar a agressão psicológica, a gerência tentou culpabilizar a vítima, alegando de forma cínica que "eu deveria ter voltado antes ao guichê", ignorando completamente a antecedência com que cheguei (13:15) e a crise de travamento que a própria falha do aplicativo me causou.
Para culminar no [Editado pelo Reclame Aqui] de discriminação, a gerente recusou o reembolso integral do meu dinheiro e proferiu, em alto e bom som, a frase ultrajante: "não é porque você é autista que vamos devolver o seu dinheiro". Fui humilhado publicamente no balcão, tratado como se estivesse usando minha condição como "desculpa", quando na verdade eu era o cliente prejudicado por um erro tecnológico da própria Santo Anjo!
Diante da total falta de assistência, abandonado à própria sorte e em frangalhos emocionais, fui obrigado a gastar mais dinheiro e comprar uma nova passagem na empresa União por R$ 87,63 para conseguir viajar.
A conduta da gerente e dos atendentes configura:

1. [Editado pelo Reclame Aqui] de Discriminação contra Pessoa com Deficiência (Artigo 88 da Lei Federal n 13.146/15 - Estatuto da Pessoa com Deficiência).
2. Violação da Lei Berenice Piana (Lei n 12.764/12), que garante atendimento prioritário e humanizado ao autista.
3. Falha Crassa na Prestação de Serviço com Enriquecimento Ilícito (Artigo 14 do Código de Defesa do Consumidor).

Diante deste cenário devastador, exijo:

* O reembolso imediato e integral do valor de R$ 89,05 referente à passagem que não pude utilizar por culpa exclusiva do erro da empresa.
* O ressarcimento do valor exato de R$ 87,63 gasto na compra da nova passagem na empresa União, visto que fui obrigado a arcar com esse custo extra devido ao abandono material.
* Uma retratação formal da empresa quanto ao comportamento preconceituoso da gerência.

Informo que este relato será encaminhado imediatamente ao Consumidor.gov.br e ao Procon para os devidos fins legais e reparação por danos materiais.
No aguardo de uma solução urgente e sem desculpas corporativas.

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