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Seita Velocity quando a academia deixa de ser saúde e vira obsessão

Velocity

cidade: Mairiporã

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O que aconteceu

Seita Velocity: quando a academia deixa de ser saúde e vira obsessão

Gostaria de fazer um alerta sobre uma situação que considero extremamente preocupante e que parece ir muito além de simplesmente frequentar uma academia.

A Velocity vende uma experiência de superação, motivação e pertencimento. Mas até que ponto isso é saudável? Em que momento a atividade física começa a se transformar em obsessão e perda de prioridades?

Resolvi fazer esta reclamação porque já é a quarta vez que escuto relatos semelhantes, vindos de diferentes pessoas, incluindo médicos, terapeutas, amigos e conhecidos. Alguns contam que experimentaram esse ambiente e decidiram não continuar justamente por perceberem algo que consideraram exagerado. Outros relatam mudanças preocupantes no comportamento de pessoas que passaram a frequentá-lo.

Falo também por experiência pessoal. Acompanhei de perto a transformação da minha então esposa depois que começou a frequentar a Velocity. O que deveria ser uma atividade física saudável passou a dominar completamente sua rotina, seus assuntos, suas amizades e suas prioridades.

As aulas passaram a acontecer de segunda a segunda, muitas vezes duas vezes por dia. A preocupação constante era conseguir agendar mais uma aula, disputar horários e organizar a vida em função da academia.

Os exageros chegaram a situações inacreditáveis. Em uma ocasião, ela saiu de casa à meia-noite para participar de uma aula de madrugada. Em outra, saiu às três da manhã para pegar um ônibus às quatro, em uma excursão para a unidade de Atibaia.

Mais preocupante ainda é que, praticamente todos os dias, sai de casa por volta das 4h30 para participar da aula das 5h, deixando nossos dois filhos menores de idade sozinhos em casa.

Outro comportamento que chama a atenção é a competição pelo número de aulas realizadas, os chamados squads. Uma tem 200, outra 400, outra 500, e assim começa a corrida rumo às 1.000 aulas! Como se isso representasse algum tipo de status ou reconhecimento dentro daquele grupo.

O que deveria ser exercício físico parece, para algumas pessoas, transformar-se numa competição permanente por números, pertencimento e aprovação.

No meu caso, essa obsessão foi um dos fatores que contribuíram para o desgaste do meu casamento. Em uma discussão, cheguei a perguntar à minha esposa o que era mais importante: nosso casamento ou a academia. A resposta foi direta: a academia.

Também me chamou a atenção o relato de um professor que, mesmo após enfrentar um problema grave de saúde, teria declarado que só deixaria aquela atividade quando morresse. E o mais impressionante é perceber como esse tipo de discurso pode ser admirado, em vez de provocar uma reflexão sobre limites e saúde.

Que cultura é essa em que o excesso vira virtude, a obsessão vira dedicação e a falta de limites vira motivo de admiração?

Não é à toa que algumas pessoas comparam esse ambiente a uma seita. É exatamente essa a impressão que tenho: um universo paralelo onde tudo gira em torno das aulas, dos professores, dos números acumulados e da necessidade de fazer parte daquele grupo.

Não estou afirmando que todos os alunos tenham esse comportamento, nem que a Velocity seja diretamente responsável pelas escolhas individuais de seus frequentadores. Mas considero legítimo questionar se a cultura promovida pela empresa acaba estimulando esses excessos.

Academia deveria ser sinônimo de saúde física e mental, não de fanatismo.

Afinal, a Velocity está incentivando seus alunos a terem uma vida mais saudável ou está criando um ambiente em que viver para a academia se torna mais importante do que viver fora dela?

Gostaria de um posicionamento da empresa sobre como incentiva o equilíbrio, o descanso e os limites saudáveis entre seus alunos.

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