Bota de R$ 1.985 apresenta possível vício oculto no primeiro uso e empresa se recusa a analisar o defeito

Em réplica
Belo Horizonte - MG
27/06/2026 às 14:53
ID: 252508919
Venho registrar reclamação referente à bota adquirida em 09/08/2025, no valor aproximado de R$ 1.985,00.
O produto foi utilizado pela primeira vez apenas em 22/06/2026, tendo permanecido armazenado na caixa original desde a compra. Após menos de uma hora de uso, o solado começou a descolar na região do bico, em ambos os pés, mesmo sem qualquer uso inadequado ou desgaste excessivo (uso leve e deslocamento apenas de carro).
A empresa se recusou a analisar o defeito alegando que já teriam se passado mais de 90 dias da compra.
Ocorre que se trata de provável vício oculto/defeito de fabricação, já que o problema surgiu no primeiro uso do produto. Conforme o Código de Defesa do Consumidor, o prazo para reclamação em casos de vício oculto conta a partir da constatação do defeito, e não da data da compra.
Diante do defeito apresentado logo no primeiro uso, procurei uma renovadora de calçados para obter uma avaliação preliminar. Segundo o profissional que analisou o produto, há indícios de deterioração do material do solado, compatível com o uso de solado antigo, que pode se degradar quando permanece armazenado por longos períodos antes da fabricação ou comercialização do produto. O profissional também informou que uma simples colagem não seria suficiente para solucionar o problema, pois o solado, embora aparentemente novo, apresenta sinais de ressecamento e deterioração do material, o que comprometeria sua integridade e poderia ocasionar novos descolamentos.
Embora essa constatação não substitua uma perícia técnica, ela reforça a possibilidade de vício oculto ou defeito de fabricação, sobretudo porque a bota foi utilizada por menos de uma hora antes de apresentar o problema.
Diante disso, solicito a análise do produto e a solução adequada: troca, reparo sem custo ou devolução do valor pago.
Anexo fotos e vídeos que comprovam o defeito.
Aguardo solução.
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Resposta da empresa
01/07/2026 às 08:57
Olá, Wilma. Tudo bem?
Esclarecemos que todo produto que apresente algum possível defeito deve ser encaminhado para análise técnica, dentro do prazo de até 90 dias a contar da data em que o adquiriu, acompanhado da documentação contendo o registro da compra.
Verificamos que, o seu produto foi adquirido em 15/08/2025, onde já ultrapassou o prazo de 90 dias, o que impossibilita a loja de compra de receber o seu produto e realizar qualquer procedimento de análise junto à fábrica.
Permanecemos à disposição.
Atenciosamente,
Equipe de Experiência do Cliente | Vicenza Loja Online.
Réplica do consumidor
08/07/2026 às 14:47
Agradeço o retorno.
No entanto, a resposta apresentada não enfrenta o mérito da reclamação e limita-se a mencionar o prazo de 90 dias contado da data da compra.
O defeito relatado não decorre de desgaste pelo uso, mas de um vício que somente se manifestou no primeiro e único uso da bota. Após menos de uma hora de utilização, o solado descolou em ambos os pés, fato absolutamente incompatível com um calçado de alto padrão e adquirido por quase R$ 2.000,00.
Justamente por se tratar de um possível vício oculto, causa estranheza que a empresa tenha recusado até mesmo o recebimento do produto para análise técnica. A própria resposta informa que produtos com possível defeito devem ser encaminhados à fábrica para avaliação, mas, no meu caso, essa providência foi negada exclusivamente em razão da data da compra, sem qualquer verificação da real causa do problema.
Ressalto que o Código de Defesa do Consumidor prevê tratamento específico para vícios ocultos, estabelecendo que o prazo para reclamação inicia-se quando o defeito se evidencia, e não na data da aquisição do produto.
Também procurei uma renovadora de calçados, cujo profissional identificou indícios de degradação do material do solado, compatíveis com o envelhecimento da borracha durante o armazenamento. Segundo ele, o comprometimento do material é tal que uma simples colagem não resolveria o problema.
Diante disso, continuo colocando o produto à disposição para que seja submetido à análise técnica da fabricante, procedimento que considero o mais adequado para esclarecer a origem do defeito.
Lamento que a empresa tenha optado por recusar essa análise e encerrar o atendimento apenas com fundamento no prazo contado da compra, sem qualquer avaliação técnica do produto.
Caso essa seja a posição definitiva da Vicenza, utilizarei esta resposta como prova de que a empresa, mesmo cientificada de um possível vício oculto, recusou-se a analisar o produto, deixando como única alternativa a adoção das medidas administrativas e judiciais cabíveis para resguardar os meus direitos.