O que aconteceu
WAM - ALERTA PARA QUEM ESTÁ PENSANDO EM COMPRAR UMA COTA DE MULTIPROPRIEDADE
Depois da experiência que estou tendo com a aquisição de cotas de multipropriedade com essa Empresa WAM, decidi compartilhar este alerta para que outras pessoas pensem muito antes de assinar esse tipo de contrato.
O MEU CASO SERVE COMO ALERTA
No meu caso, adquiri duas cotas de multipropriedade do empreendimento Le Charmant da WAM, em Campos do Jordão. Uma das cotas foi integralmente quitada. A outra foi cancelada depois que foram ultrapassados os prazos previstos para entrega do empreendimento.
A previsão de entrega era dezembro de 2025, com previsão contratual de prazo adicional de 180 dias úteis.
O problema é que o empreendimento não foi entregue dentro desses prazos. Diante disso, solicitei o cancelamento e a devolução dos valores, mas estou enfrentando resistência da empresa. NÃO QUEREM DEVOLVOLVER NENHUM VALOR DE AMBAS AS COTAS E NEM EXISTE O EMPREEDIMENTO.
A justificativa apresentada é, basicamente, de que eu continuo sendo proprietário, E aí fica a minha pergunta: PROPRIETÁRIO DE QUÊ?
Como posso ser obrigado a continuar sendo proprietário de uma cota vinculada a um empreendimento que não foi entregue dentro do prazo contratado?
Foi justamente essa experiência que me fez perceber que é fundamental analisar muito mais do que o discurso apresentado no momento da venda. ANTES DE COMPRAR, FAÇA PERGUNTAS
Se estiver pensando em comprar uma COTA, minha recomendação é:
NÃO ASSINE NA HORA, Pare e Leia o contrato e Consulte um advogado especializado em direito imobiliário e pergunte:
1 Qual é o prazo real de entrega?
2 Existe prazo adicional? Quantos dias?
3 O que acontece se a obra atrasar?
4 Como funciona o distrato?
5 Quanto será pago de condomínio e manutenção por ano?
6 Como esses valores serão reajustados?
7 O que acontece se eu não utilizar minha semana?
8 Posso alugar livremente?
9 Qual é a comissão da administradora sobre eventual locação?
Existe realmente um mercado secundário para revenda?
11 Quantas cotas já foram revendidas?
12 Por quanto foram revendidas?
13 A incorporadora recompra as cotas?
14 Se eu precisar sair do negócio, quanto tempo pode levar?
15 Qual é o valor total que vou desembolsar durante todos os anos do contrato?
E principalmente:
ESTOU COMPRANDO PARA USAR OU ESTOU COMPRANDO PORQUE ME DISSERAM QUE VAI SER UM BOM INVESTIMENTO? Essa diferença é fundamental.
COMPARE ANTES DE INVESTIR
Antes de colocar R$ dinheiro, faça uma comparação com outras alternativas, Compare:
Cota Multipropriedade× imóvel tradicional× aluguel de temporada× hotel × outros investimentos imobiliários.
Calcule quanto você realmente pagará ao longo dos anos. Não compare apenas o preço da cota, Compare:
VALOR DE AQUISIÇÃO+PARCELAS+CONDOMÍNIO+MANUTENÇÃO+IMPOSTOS+TAXAS+CUSTOS DE SAÍDA.
Só depois compare isso com o custo de simplesmente alugar um imóvel ou hotel durante as férias.
É aí que muitas pessoas podem perceber que aquilo que parecia uma grande oportunidade de investimento talvez seja, na verdade, uma forma antecipada de pagar por períodos de lazer.
NÃO COMPRE POR IMPULSO
Outro alerta importante é para aquelas situações em que o consumidor é abordado durante uma viagem, passeio, resort ou shopping e recebe uma proposta acompanhada de brindes, descontos exclusivos ou pressão para decidir naquele momento. Não tenha vergonha de dizer NÃO, Peça o contrato.
Leve para casa, Leia com calma, Pesquise a empresa, Pesquise o empreendimento, Pesquise reclamações.
Pesquise experiências de outros proprietários, e, principalmente, faça as contas.
Uma decisão tomada em duas horas pode gerar uma obrigação financeira que permanecerá por muitos anos.
Não estou dizendo que toda empresa ou todo empreendimento de multipropriedade seja igual. A modalidade é legal e regulamentada no Brasil. O problema é a forma como muitas vezes o produto é apresentado ao consumidor e, principalmente, a diferença entre aquilo que parece ser um investimento imobiliário durante a venda e o que pode representar financeiramente depois da assinatura.
CUIDADO COM A PALAVRA "INVESTIMENTO"
Durante a comercialização, é comum o consumidor ouvir argumentos como:
Você será proprietário de um imóvel.
É uma oportunidade de investimento.
O imóvel vai valorizar.
Você poderá alugar quando não estiver usando.
Você terá um patrimônio.
Se quiser sair, poderá vender sua cota.
Tudo isso pode parecer muito interessante.
Mas antes de assinar, faça uma pergunta simples:
SE EU PRECISAR VENDER ESSA COTA AMANHÃ, QUEM VAI COMPRÁ-LA DE MIM E POR QUANTO?
É justamente nesse momento que a realidade pode ser muito diferente da apresentação comercial.
LIQUIDEZ: COMPRAR PODE SER MUITO MAIS FÁCIL DO QUE VENDER
Uma das principais questões apontadas nas análises sobre multipropriedade é a baixa liquidez no mercado secundário.
Você pode comprar uma cota diretamente da incorporadora por determinado valor, mas isso não significa que conseguirá vendê-la pelo mesmo preço posteriormente.
Ao tentar sair do negócio, você pode descobrir que:
existem muitas outras cotas sendo oferecidas;
a própria incorporadora continua vendendo novas cotas;
o comprador do mercado secundário quer pagar menos;
pode existir dificuldade para encontrar interessados a revenda pode demorar;
e você continua responsável pelos custos da cota enquanto ela não for vendida.
Materiais especializados em multipropriedade reconhecem justamente a existência de baixa liquidez e possibilidade de deságio na revenda.
E OS CUSTOS QUE CONTINUAM DEPOIS DA COMPRA?
Outro ponto que merece muita atenção são os custos recorrentes.
Você pode ter despesas com:
condomínio;
manutenção;
administração;
impostos;
fundo de reserva;
melhorias e despesas extraordinárias;
taxas relacionadas à utilização ou locação, conforme o contrato.
E uma questão fundamental:
Você pode ter que pagar esses custos mesmo quando não estiver utilizando o imóvel.
Esse é um dos pontos destacados em materiais jurídicos e imobiliários sobre o modelo.
ENTÃO MULTIPROPRIEDADE É RUIM?
Não necessariamente.
E essa é uma distinção importante.
Para uma pessoa que realmente deseja ter uma casa ou apartamento de férias, pretende utilizar regularmente o mesmo empreendimento e aceita as regras, custos e limitações, a multipropriedade pode fazer sentido.
O próprio mercado imobiliário reconhece essa finalidade de uso.
O problema começa quando o consumidor compra acreditando que está fazendo um investimento com valorização garantida, renda e facilidade de revenda.
A análise muda completamente.
O QuintoAndar, por exemplo, destaca que a multipropriedade possui limitações de rentabilidade e liberdade de uso quando comparada à propriedade integral, sendo mais adequada para quem busca lazer do que para quem pretende maximizar retorno financeiro.
MEU OBJETIVO COM ESTE ALERTA
Não quero impedir ninguém de comprar uma multipropriedade.
Quero apenas que as pessoas saibam exatamente o que estão comprando.
Se você quer uma casa de férias, conhece as regras, pretende utilizar o imóvel regularmente e fez todas as contas, a decisão é sua.
Mas se estão apresentando a você uma multipropriedade como se fosse simplesmente um investimento imobiliário que vai valorizar e será fácil de vender, tenha muito cuidado.
INVESTIMENTO NÃO É SINÔNIMO DE PROPRIEDADE.
E propriedade também não significa necessariamente liquidez, rentabilidade ou valorização garantida.
No meu caso, precisei aprender isso da maneira mais difícil. Por isso estou deixando este alerta:
ANTES DE COMPRAR UMA MULTIPROPRIEDADE, PESQUISE MUITO.
NÃO ASSINE POR IMPULSO.
LEIA O CONTRATO.
FAÇA AS CONTAS.
CONVERSE COM UM ADVOGADO.
E DESCUBRA PRIMEIRO COMO VOCÊ VAI SAIR DO NEGÓCIO SE UM DIA PRECISAR.
Comprar é fácil. O verdadeiro teste começa quando você precisa vender, cancelar ou recuperar o dinheiro.