O que aconteceu
Sua réplica
07/10/2026 às 14:20
Prezados,
Agradeço o retorno, porém não considero satisfatória a resposta apresentada pela CAOA Chery, especialmente porque a justificativa se limita a informar que o sensor TPMS estaria fora do prazo de garantia contratual.
Estou justamente solicitando que a CAOA Chery faça uma análise mais criteriosa do caso, considerando não apenas o prazo formal de garantia, mas também a natureza da peça, a expectativa de durabilidade de um veículo desse porte e o histórico de problemas semelhantes envolvendo veículos Tiggo 8 da própria marca.
Estamos falando de um veículo Tiggo 8 ano 2023, portanto relativamente novo, e de um componente eletrônico integrado ao sistema TPMS (monitoramento da pressão dos pneus). Não se trata de uma peça cuja substituição seja razoavelmente esperada como manutenção periódica ou desgaste natural em tão pouco tempo.
O que causa minha insatisfação é justamente a percepção de que peças e componentes do veículo estão apresentando uma durabilidade muito inferior àquela que razoavelmente se espera de um veículo dessa categoria e faixa de preço.
### 1. A simples alegação de término da garantia não encerra a responsabilidade por eventual vício
O Código de Defesa do Consumidor, em seu artigo 18, estabelece a responsabilidade dos fornecedores pelos vícios de qualidade que tornem o produto inadequado ao uso ou diminuam seu valor, possibilitando ao consumidor exigir a substituição das partes viciadas.
Além disso, o artigo 26, 3, do CDC estabelece que, tratando-se de vício oculto, o prazo para reclamação começa a contar a partir do momento em que o defeito fica evidenciado.
Esse entendimento não é apenas uma interpretação isolada do consumidor. O próprio Superior Tribunal de Justiça possui entendimento consolidado de que, em determinadas situações, a responsabilidade do fornecedor por vício oculto não se limita automaticamente ao prazo da garantia contratual, devendo ser considerada a vida útil razoavelmente esperada do produto.
O STJ já destacou expressamente que o prazo de garantia contratual não pode ser utilizado, por si só, como único critério para afastar a responsabilidade por um vício que não decorra de desgaste natural e que se manifeste dentro da vida útil esperada do bem.
Portanto, solicito que a CAOA Chery não trate este caso simplesmente como "garantia vencida", mas realize uma avaliação técnica quanto à causa da falha do sensor TPMS e à sua compatibilidade com a durabilidade esperada do componente.
### 2. Existem casos semelhantes envolvendo o próprio Tiggo 8
Minha solicitação também encontra respaldo em situações semelhantes publicamente registradas no Reclame Aqui.
Há, inclusive, reclamação envolvendo um Tiggo 8 na qual o problema relacionado ao sistema TPMS foi tratado pela própria CAOA Chery após análise técnica, com reconhecimento de enquadramento nas condições de garantia.
Em outro caso envolvendo Tiggo 8, a montadora inicialmente informou que determinada peça possuía garantia de 36 meses e que o prazo já havia terminado. Entretanto, diante do histórico apresentado pelo consumidor, a própria empresa informou que avaliaria a possibilidade de substituição da peça em caráter de cortesia, tendo posteriormente o consumidor registrado que a troca seria realizada pela montadora.
Também existem diversos relatos recentes de proprietários de Tiggo 8 envolvendo falhas recorrentes, componentes que apresentam problemas prematuramente e dificuldades no pós-venda.
Não estou afirmando que casos diferentes necessariamente tenham exatamente a mesma causa técnica. O que estou questionando é a falta de coerência em simplesmente negar o atendimento com base em prazo, sem considerar o histórico do veículo, a natureza do componente e a possibilidade de vício prematuro.
### 3. Minha insatisfação não é apenas pelo valor da peça
Quero deixar claro que minha reclamação não se resume ao custo de um sensor.
O que está em discussão é a minha confiança na marca.
Adquiri um Tiggo 8 acreditando estar comprando um veículo de categoria superior, com qualidade, confiabilidade e suporte de pós-venda compatíveis com o posicionamento da CAOA Chery no mercado.
É extremamente frustrante constatar que um componente eletrônico de um veículo 2023 apresente falha e receber como primeira resposta simplesmente que "está fora da garantia".
Essa postura transmite ao consumidor a sensação de que, passado determinado prazo, a durabilidade e a qualidade do produto deixam de ser responsabilidade da fabricante.
E, sinceramente, é justamente esse tipo de experiência que faz um cliente deixar de recomendar uma marca e repensar completamente a decisão de comprar novamente um veículo da mesma fabricante.
### 4. Solicitação de reavaliação e cortesia
Diante de todo o exposto, solicito formalmente que a CAOA Chery reavalie o caso e, ainda que entenda não haver cobertura pela garantia contratual, autorize a substituição do sensor TPMS **em caráter de cortesia comercial**, sem qualquer custo de peça ou mão de obra para mim.
Considero essa uma solução razoável, proporcional e capaz de preservar a relação com o consumidor.
Não estou buscando uma vantagem indevida, tampouco tentando transferir à montadora qualquer desgaste natural do veículo.
Estou solicitando que uma falha prematura de um componente eletrônico de um veículo Tiggo 8 2023 seja analisada com o devido bom senso, levando em consideração a expectativa legítima de durabilidade, o histórico de ocorrências semelhantes e os princípios de proteção e boa-fé que norteiam as relações de consumo.
Caso a CAOA Chery mantenha a negativa, solicito que seja apresentada uma justificativa técnica objetiva, e não apenas a informação de que "a garantia acabou", esclarecendo:
* qual é a vida útil estimada do sensor TPMS;
* se o componente é considerado item de desgaste natural;
* qual foi a causa técnica identificada para a falha;
* se existem registros de ocorrências semelhantes para esse componente/modelo;
* e qual fundamento técnico justifica considerar normal a falha do componente em um Tiggo 8 2023.
Espero sinceramente que a CAOA Chery escolha solucionar o problema de forma simples e razoável, autorizando a substituição do sensor como cortesia.
Ainda tenho interesse em acreditar que a marca valoriza seus clientes e que um problema pontual não precisa se transformar em uma experiência definitiva de perda de confiança.
No momento, porém, registro minha **profunda insatisfação com a qualidade percebida dos componentes e, principalmente, com a postura do pós-venda**, pois é justamente nesse momento que uma marca demonstra se pretende apenas vender veículos ou construir uma relação de longo prazo com seus clientes.
Aguardo uma reavaliação do caso e uma solução efetiva.