O que aconteceu
Honda Seminovos Certificados: este é realmente o padrão de um veículo certificado?
Trago aqui meu relato para que outros consumidores conheçam minha experiência e possam considerá-la ao escolher um Honda em 2026.
Estou no meu quarto Honda. Já tive um Accord 1994 e dois Fits, 2007 e 2017, todos muito rodados. Foi essa durabilidade que me fez procurar novamente um Honda.
Desta vez, quis reduzir o risco: procurei um City EXL 2024, pouco rodado, dentro da rede Honda e, de preferência, certificado.
Encontrei na SP Japan Tatuapé um City EXL 2024 com 21.686 km. O anúncio estava por R$ 118.900 com [ABAIXO DA FIPE], mas a FIPE de julho/2026 era R$ 113.163: R$ 5.737 mais caro. Achei estranho e fui à loja, pois poderia ser um carro excepcional. Quando cheguei, já tinham ajustado, mas tenho os prints.
Disseram que era único dono, comprado e revisado na própria concessionária e ainda em garantia. Tentava entender onde estava a pegadinha, mas fui tranquilizado de que era um carro de procedência, em excelente estado, e que não trabalhavam com veículos problemáticos. Pedi test-drive, mas não foi possível. Fechei por R$ 115.900, R$ 2.737 acima da FIPE, justificados pela condição do carro.
Minha confiança não veio apenas da palavra do vendedor. Era um Honda 2024 pouco rodado, dentro do programa de Seminovo Certificado.
A Honda informa que seus seminovos certificados passam por inspeção de mais de 130 itens e, quando necessário, recebem peças originais para manter o padrão Honda. Segundo a marca, o programa busca proporcionar a tranquilidade de um veículo novo.
Foi exatamente isso que pensei estar comprando.
Hoje lembro da foto que tiraram de mim saindo da concessionária, feliz da vida ao lado do meu Honda novo. Menos de dois meses depois, me sinto envergonhado e um completo idiota por ter confiado tanto.
Os problemas começaram praticamente na retirada.
O carro ainda tinha resíduos brancos no motor e na parte interna do capô, além de restos de polimento nas junções da lataria, para-choque e maçanetas. Já havia notado isso ao conhecê-lo. Reclamei e fizeram uma limpeza às pressas.
Nos primeiros quilômetros percebi ruídos na dianteira, batidas em irregularidades, ruídos no painel e um ruído cíclico de roda/freio. O retrovisor esquerdo não rebatia sob sol forte, a luz interna piscava e os faróis de neblina não funcionavam.
Ao ativar o MyHonda Connect, o primeiro scan apresentou 4 alertas de Alto nível de emergência: motor, direção elétrica, carga da bateria e SRS. Não afirmo que fossem quatro panes reais, mas tenho o registro feito praticamente após a compra e isso me preocupou.
No terceiro dia fiz uma cautelar independente. O veículo foi aprovado estruturalmente, mas foram identificadas intervenções de pintura. Com ele suspenso, percebi também que a bandeja dianteira direita não era original Honda.
Voltei à SP Japan e dei à concessionária a oportunidade de resolver.
Cinco dias depois, recebi o carro com pó, patas de gato e resíduos ainda sob o capô. Após reclamar, foi lavado e entregue molhado porque não haveria tempo para secar.
A iluminação interna e os faróis de neblina foram solucionados com o retorno das lâmpadas originais. Questionei a bandeja paralela, mas fui tranquilizado de que ambas estavam boas e não causariam os sintomas. O retrovisor não apresentou a falha na oficina e fui orientado a gravar e enviar o vídeo.
No mesmo dia, percebi o rebatedor central do ar-condicionado quebrado. Voltei para mostrá-lo, mas disseram que não haviam causado o dano.
Em resumo, fizeram um reaperto, testaram o veículo e disseram não ter identificado os demais sintomas. Não recebi cópias das OS. Voltei a usar o carro, mas os ruídos reapareceram e, cerca de uma semana depois, surgiu uma forte batida metálica na dianteira.
Foi quando perdi a confiança na SP Japan Tatuapé e procurei a Daitan Jabaquara, autorizada Honda cuja oficina utilizo há quase dez anos.
A Daitan registrou em OS vários sintomas. Na avaliação mecânica, registrou pastilhas dianteiras de modelo similar e ausência de retífica dos discos, observando que isso poderia gerar ruído em alta velocidade. Também identificou a bandeja dianteira direita como peça similar. A bandeja original esquerda também foi apontada na avaliação como não estando em boas condições.
Isso causa especial estranheza: há um componente de suspensão não original em um Honda Seminovo Certificado, programa que anuncia inspeção rigorosa e peças originais quando necessária substituição.
A Daitan também resolveu em garantia o retrovisor. Outra questão surgiu na traseira: pedi orçamento para alinhar a lanterna direita, que julgava ser apenas estética o desalinhamento já aparecia nas fotos originais do anúncio. Porém, a funilaria apontou uma deformação no para-choque e explicou que ela pode indicar problema no painel traseiro, fazendo o para-choque forçar a lanterna. O orçamento envolve para-choque, viga e painel traseiros, tampa e lanterna, com ressalva de alteração após desmontagem. Não sei a extensão real do reparo e quero que a Honda o avalie, pois o dano pode ser maior do que aparenta.
Hoje, com cerca de 25.900 km, os sintomas persistem e estão mais evidentes. As batidas na dianteira ao acionar a suspensão, especialmente em baixa velocidade e sob tração, aumentaram; o ruído cíclico de roda/freio em velocidades maiores permanece; e os ruídos internos se intensificaram. A forte batida metálica dianteira também voltou, embora intermitente. Para um City 2024 com essa quilometragem, é um carro excessivamente ruidoso e sem a solidez que espero de um Honda.
Agora a questão mecânica se tornou urgente.
Sem diagnóstico conclusivo, não me sinto confortável em continuar utilizando normalmente o veículo. Já deixei de viajar neste feriado porque não considero prudente pegar estrada assim.
Para comparar, fiz test-drive em um City zero-quilômetro. Sei que um seminovo não será igual a um zero, mas a diferença de firmeza e silêncio foi enorme. Até meu Fit 2007, com 130 mil km, não me transmitia tantos ruídos e batidas.
A própria Honda usa a tranquilidade de um veículo novo como referência para o programa. Não exijo que um usado seja zero. Quero reconhecer no meu carro o padrão que me venderam e pelo qual paguei. Que resolvam, não apenas deem um jeitinho, um aperto.
Sei que comprei um seminovo e não pretendo transformar desgaste normal em garantia. Mas não considero razoável um City 2024, comprado com 21 mil km dentro da rede Honda e certificado pela fabricante, apresentar tantos problemas praticamente desde a compra.
Por isso, peço que a Honda Automóveis assuma diretamente o acompanhamento deste caso e faça uma avaliação completa do veículo, incluindo dianteira, suspensão, freios e reparação traseira, para identificar a origem dos problemas e o que precisa ser feito.
Minha preferência é pela Daitan Jabaquara, onde já existe histórico e documentação. Se precisar permanecer no grupo vendedor, peço a SP Japan Ricardo Jafet, próxima à minha residência.
Quero saber o que meu carro tem e, no que couber à Honda e à certificação recebida, que ele seja colocado no padrão em que foi vendido.
Não quero favor. Quero que me entreguem o Honda Seminovo Certificado que venderam.
Reclamações parecidas
4Interações da reclamação
Concessionária Honda SP Japan respondeu
09/10/2026 às 15:25
Prezado Sr. Felipe,
Lamentamos que sua experiência com a SP Japan não tenha sido positiva. De qualquer forma, todas as suas observações são extremamente úteis para que possamos aprimorar nosso atendimento e nossos serviços.
Em relação especificamente à reclamação formalizada, informamos que os reparos necessários no veículo foram devidamente executados pela concessionária em garantia e o automóvel encontra-se em perfeitas condições de uso e funcionamento.
Agradecemos pelo relato enviado e nos colocamos à disposição para eventuais esclarecimentos adicionais.
Atenciosamente,
SP Japan Motors Distribuidora de Veículos Ltda.