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Mulher negra é retirada de mesa para dar lugar a homem branco

DUQUESA CONFEITARIA

cidade: Duque de Caxias

O que aconteceu

Hoje busquei minha filha na escola e paramos na confeitaria Duquesa. Somos clientes há anos e, praticamente toda semana, compramos algo no estabelecimento. Nunca havíamos passado por uma situação de constrangimento ou vivenciado racismo no local. Encontramos uma amiguinha da mesma sala e ficamos ali com as duas meninas. A mãe dela já estava de saída e permanecia um pouco distante da mesa.

Foi quando um garçom se aproximou e disse:

Poderia se retirar da mesa?

Perguntei:

Como assim?

Ele respondeu:

É porque chegou um cliente que vem aqui todos os dias, no mesmo horário, e ele só gosta desta mesa.

Eu disse:

Como assim? Eu comprei um produto e estamos consumindo. Não acredito nisso.

Ele respondeu:

Você pode sentar em outra mesa.

Ainda incrédula, levantei-me.

A mãe da amiguinha da minha filha, que havia percebido a situação, entrou na confeitaria e pediu que chamassem o gerente. O gerente não estava.

O garçom, então, disse:

Não entendi. Não fiz nada demais. Só pedi para que se retirasse.

Havia dois policiais sentados em uma mesa próxima. Olhei para o homem que havia chegado e que queria aquela mesa. Era um homem branco que havia chegado e estava bem vestido.

Foi então que eu disse ao garçom:

Então é assim? Deve ser alguém influente, da elite de Caxias, para o senhor expulsar uma mulher negra com sua criança, mesmo depois de eu afirmar que estava consumindo e que havia pago pelo produto.

O que aconteceu não pode ser tratado simplesmente como uma questão de organização das mesas ou de atendimento ao cliente.

Sou uma mulher negra e fui retirada de uma mesa que ocupava, enquanto consumia, para dar lugar a um homem branco que havia acabado de chegar e que, segundo o funcionário, tinha preferência por aquela mesa.

É nesse contexto que nomeio os atravessamentos de racismo, gênero e classe presentes nessa situação.

Não se trata apenas de uma mesa. Trata-se da forma como meu corpo foi tratado naquele espaço e de quem teve sua permanência considerada mais importante.

Solicito que a empresa apure o ocorrido, verifique as imagens das câmeras de segurança e se posicione formalmente sobre a conduta do funcionário.

Quero saber por que uma mulher negra, acompanhada de crianças e que estava consumindo no estabelecimento, precisou se retirar para que um homem branco pudesse ocupar aquela mesa.