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Falha no atendimento de emergência e risco à segurança do paciente

hospital universitário evangélico mackenzie

cidade: Curitiba

O que aconteceu

Assunto: Reclamação formal Falha no atendimento da emergência e risco à segurança do paciente

Prezados Senhores da Ouvidoria do Hospital Mackenzie,

Venho registrar uma reclamação formal referente ao atendimento que recebi na emergência desse hospital no sábado, dia 08 de agosto, por volta das 16h.

Procurei a emergência por orientação do meu neurologista para realizar um ecodoppler das carótidas, pois durante o sono torci o tendão do pescoço e comecei a sentir muita dor. Sou paciente com histórico de AVC isquêmico grave e tenho comprometimento justamente na região de uma das carótidas, motivo pelo qual procurei atendimento para verificar se havia alguma alteração no fluxo sanguíneo.

Fui atendida pelo médico plantonista, Dr. Pedro, que sugeriu a realização de uma angiotomografia. Fui informada de que, durante o final de semana, não havia disponibilidade para realizar o ecodoppler. Considero preocupante que um hospital da magnitude do Mackenzie não disponha desse exame em um período em que pacientes neurológicos podem necessitar de uma avaliação vascular de urgência.

O que considero ainda mais grave foi o fato de o médico não ter observado a identificação vermelha em meu braço, que informa claramente que sou alérgica a contraste com iodo e seus derivados.

Posteriormente, quando a enfermeira veio me encaminhar para o exame, informou que a angiotomografia seria realizada com contraste. Imediatamente expliquei que não posso receber esse contraste devido à minha alergia e que poderia sofrer uma reação grave, inclusive risco à minha vida.

Nesse momento, o Dr. Pedro veio falar comigo e perguntou se então eu não poderia fazer o exame. Informou que, sem contraste, o exame não seria realizado. Também sugeriu minha internação, porém não compreendi qual seria a indicação de internação, uma vez que não me foi explicado que havia necessidade de permanecer hospitalizada.

O resultado de tudo isso foi que voltei para minha casa com muita dor no pescoço, sem realizar o exame, sem receber encaminhamento para outro serviço onde pudesse realizá-lo e sem uma solução adequada para o problema que me levou à emergência.

Além disso, posteriormente descobri que havia sido solicitada autorização junto à Unimed para o exame que eu sequer realizei. Tomei conhecimento disso quando fui solicitar autorização para realizar a angiotomografia no Hospital Sugisawa, desta vez com o pedido médico fornecido pelo meu neurologista.

Considero extremamente grave toda essa situação, principalmente porque estamos falando de uma paciente com histórico de AVC e uma alergia medicamentosa que estava claramente identificada em meu braço. Ignorar uma informação dessa natureza durante o atendimento pode colocar a vida do paciente em risco.

Também me senti profundamente desrespeitada pela forma como fui atendida. Procurei o Hospital Mackenzie justamente porque sou paciente da instituição e porque o hospital possui meu histórico médico e conhece os problemas de saúde pelos quais já passei.

Não estou reclamando simplesmente porque o exame não pôde ser realizado. O que questiono é a falta de uma alternativa segura, a ausência de orientação adequada, a falta de atenção à minha alergia e a postura adotada diante de uma situação que envolve diretamente a segurança do paciente.

Solicito à Ouvidoria que apure detalhadamente o ocorrido, inclusive:

- por que minha identificação de alergia ao contraste não foi considerada durante a avaliação médica;

- qual foi a justificativa para a solicitação de autorização de um exame que não foi realizado;

- por que não recebi encaminhamento ou orientação adequada para realizar o exame em outro serviço;

- qual era a indicação médica para a internação sugerida;

- e quais providências serão tomadas para evitar que situações semelhantes voltem a acontecer com outros pacientes.

Considerando a gravidade dos fatos relatados, especialmente no que diz respeito à não observância de uma alergia claramente identificada e ao risco potencial à minha segurança e à minha vida, informo que, caso não haja uma apuração adequada e uma resposta satisfatória por parte da instituição, considerarei também encaminhar uma denúncia ao Conselho Regional de Medicina (CRM) competente, inclusive para avaliação da conduta médica adotada, sem prejuízo de outras medidas cabíveis em relação à conduta do hospital.

Aguardo um retorno formal da Ouvidoria sobre a apuração desse atendimento e sobre as providências adotadas.

Atenciosamente,

Maria do Carmo de Almeida

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