Reclassificação de obras audiovisuais gera insatisfação e questionamentos sobre critérios

Não respondida
Belém - PA
12/07/2026 às 13:24
ID: 253704837
Gostaria de registrar minha insatisfação com algumas decisões recentes do Ministério da Justiça em relação à Classificação Indicativa de obras audiovisuais.
Tenho percebido que diversos filmes e até séries que durante muitos anos foram classificados como "12 anos" foram reclassificados para "14 anos", mesmo sem qualquer alteração em seu conteúdo. Entre os exemplos estão filmes como Homem-Aranha (2002), Batman Eternamente (1995), Batman Begins (2005), Capitão América: Guerra Civil (2016), Star Wars: Episódio II Ataque dos Clones (2002) e até a série Todo Mundo Odeia o Chris (Everybody Hates Chris).
Na minha opinião, essas reclassificações não são coerentes com os critérios da própria Classificação Indicativa. Essas obras possuem violência moderada, linguagem ocasional ou temas que sempre foram considerados compatíveis com a faixa de 12 ou até 10 anos. Alterar essa classificação tantos anos depois gera confusão para o público e transmite a impressão de que os critérios deixaram de ser consistentes.
Por outro lado, existem produções que realmente apresentam elementos mais intensos e que mereceriam uma análise mais rigorosa. Um exemplo é a novela Velho Chico (2016), da TV Globo. A obra apresenta diversos momentos com violência intensa, assassinatos, conflitos familiares intensos, ameaças constantes, cenas de tensão e inclusive nudez. Esses temas, na minha avaliação, são muito pesados para uma obra ser classificada apenas como 12 anos.
Vale mencionar outro filme famoso que é Homem-Aranha 2 (2004), esse que apesar 12 anos fazer um pouco de sentido, o longa apresenta cenas de violência fantasiosa que em nenhum momento aparece sangue ou alguma coisa mais gráfica, ausência do uso de drogras e mortes que não são mostradas como muitos detalhes. Um exemplo disso, é a sequência em que os tentáculos do Dr. Octupos atacam médicos no hospital, essa cena apesar de parecer de terror, não é mostrado com muitos detalhes as mortes e nem os cadáveres dos médicos. Conclusão, apesar desses exemplos que eu dei, faria sentido a faixa etária do filme ser apenas 10 do que 12 anos.
Não faz sentido que produções relativamente leves sejam elevadas para 14 anos enquanto outras com conteúdo mais intenso permaneçam com classificação inferior. Isso passa a sensação de falta de uniformidade na aplicação dos critérios.
Gostaria que o Ministério da Justiça revisasse essas decisões e explicasse de forma mais transparente os motivos das reclassificações, garantindo que os mesmos critérios sejam aplicados de maneira justa e consistente a todas as obras.
Meu objetivo não é diminuir a importância da Classificação Indicativa, mas defender que ela seja aplicada com coerência, previsibilidade e equilíbrio, para que pais, responsáveis e o público possam confiar plenamente nas avaliações realizadas.