Reclamação sobre atendimento a paciente idosa recém-operada do coração, com falhas de informação, demora e exposição a riscos.

Respondida
São Paulo - SP
04/09/2026 às 06:41
ID: 258195007
Bom dia!
Gostaria de registrar uma reclamação grave sobre o atendimento prestado à minha mãe, paciente idosa e recém-submetida a uma cirurgia cardíaca de grande porte, com duas pontes de safena, realizada em 14/08/2026. Ela recebeu alta em 19/08.
No dia 21/08, apenas dois dias após a alta, apresentou falta de ar e fortes pontadas no peito. Por se tratar de uma paciente recém-operada do coração, procurei imediatamente atendimento.
Primeiramente, levei-a ao local onde anteriormente funcionava o pronto-socorro da unidade da Brigadeiro Luiz Antônio. Ao chegarmos, um enfermeiro trouxe uma cadeira de rodas e perguntou se o atendimento era ortopédico. Expliquei que ela havia acabado de passar por uma cirurgia cardíaca e estava com falta de ar e dor no peito.
Mesmo assim, ele a retirou do carro e a colocou na cadeira de rodas de maneira inadequada, causando ainda mais dor. Somente depois de levá-la até o primeiro andar fomos informados de que a unidade agora atendia exclusivamente ortopedia.
Considero uma falha grave de informação e atendimento. Por que uma paciente recém-operada do coração, com falta de ar e dor no peito, precisou ser retirada do carro, movimentada e levada até outro andar para só então descobrirmos que aquela unidade não poderia atendê-la? Esse deslocamento poderia ter sido completamente evitado com uma simples orientação na chegada.
Diante disso, levamos minha mãe à unidade da Alameda Santos. Ela passou pela triagem, mas aguardou aproximadamente 2h30 para receber a medicação, enquanto as dores no peito continuavam e se tornavam mais frequentes.
Posteriormente, o médico informou que havia líquido no pulmão e decidiu mantê-la em observação. Porém, uma paciente idosa e recém-operada do coração permaneceu durante toda a noite sentada em uma poltrona, em ambiente compartilhado com pacientes com vômitos, gripe e outros quadros, sem estrutura adequada para o acompanhante (na sala de medicação).
Eu precisei passar a noite sentada em uma cadeira de rodas ao lado dela ( a cadeira que foi emprestada à ela, porque não havia nem um banquinho para os acompanhantes) pois minha mãe dependia da minha ajuda para levantar, sentar, ir ao banheiro e movimentar as pernas.
Também presenciei uma senhora de 102 anos aguardando um leito por mais de 6 horas, em uma dessas poltronas, enquanto havia macas vazias no mesmo ambiente.
Estamos falando de uma paciente recém-submetida a uma cirurgia cardíaca delicada. Onde está o cuidado diferenciado e a segurança que uma situação como essa exige?
Dias depois, surgiu uma alteração justamente na perna onde foi retirada a safena. Os pontos estavam secos e sem vermelhidão. Entrei em contato com o médico, enviei uma foto e foi prescrito antibiótico diante da possibilidade de uma infecção.
Não afirmo que essa possível infecção tenha sido adquirida no pronto-socorro, pois isso precisaria ser comprovado. Mas considero legítimo questionar os riscos aos quais uma paciente recém-operada foi exposta durante toda aquela noite em um ambiente compartilhado.
Minha reclamação não é sobre conforto. É sobre segurança, qualidade do atendimento, prevenção de riscos e respeito ao paciente.
Além de tudo isso, existe uma questão importante relacionada às próprias orientações fornecidas na alta. Na prescrição médica, consta que, diante de determinados sintomas, o paciente deve entrar em contato com a equipe médica. Porém, não fica claro para o paciente como proceder quando esses sintomas surgem fora do horário de funcionamento do canal informado.
Parece que esquecem de avisar que o paciente não pode passar mal aos sábados, domingos ou fora do horário comercial. Afinal, os sintomas não escolhem dia ou horário para aparecer. Uma paciente recém-operada do coração pode apresentar uma intercorrência a qualquer momento, e a família precisa saber claramente qual canal utilizar e qual conduta tomar nessas situações.
Essa falta de clareza nas informações é extremamente preocupante, principalmente no período pós-operatório, quando o paciente e a família precisam ter segurança sobre quando procurar atendimento, quando entrar em contato com a equipe médica e para onde devem se dirigir em caso de emergência.
Além disso, já entrei em contato pelo WhatsApp informado no próprio aplicativo, relatando toda a situação. A primeira pessoa que me atendeu foi muito solícita e atenciosa. Porém, ela é da área de Monitoria Pós-Alta, o que confirmei porque já havia utilizado esse mesmo canal anteriormente para tratar de assuntos relacionados ao pós-operatório. Ela informou que encaminharia minha reclamação ao setor responsável.
No entanto, até o momento não recebi qualquer retorno dos setores responsáveis, nem mesmo uma confirmação de que o caso seria analisado.
E fica uma dúvida: se o próprio aplicativo direciona o paciente para esse canal e oferece opções para fazer reclamações, sugestões e elogios, por que a manifestação não é encaminhada de forma efetiva ao setor responsável, com posterior retorno ao paciente?
O mais preocupante é que, após tudo isso, minha mãe continuou sentindo dores e estamos fazendo o possível para tratá-la em casa, seguindo as orientações médicas. Estamos inclusive com medo de precisar voltar ao pronto-socorro, receosos de que ela passe novamente por uma situação semelhante, agora enquanto está em tratamento de uma possível infecção.
Uma família não deveria ter medo de procurar atendimento médico para uma paciente que acabou de passar por uma cirurgia cardíaca.
Estou relatando formalmente todo esse ocorrido não apenas pela situação vivenciada pela minha mãe, mas principalmente para que os fatos sejam conhecidos, apurados e sirvam para evitar que situações semelhantes voltem a acontecer, seja com ela ou com qualquer outro paciente.
Não estou buscando apenas um pedido de desculpas. Quero que o ocorrido seja levado a sério, analisado e que, se forem identificadas falhas, sejam tomadas as providências necessárias para que elas não se repitam com minha mãe ou com qualquer outra pessoa.
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Resposta da empresa
04/09/2026 às 17:24
Olá, Cíntia!
Recentemente, realizamos uma tentativa de contato, porém, sem sucesso.
Lamentamos a experiência relatada e compreendemos a preocupação apresentada, especialmente diante da condição de saúde e do período pós-operatório de sua mãe.
Considerando os apontamentos relacionados ao atendimento realizado em 21/08/2026, direcionamos a manifestação ao conhecimento da unidade hospitalar responsável, para que os fatos relatados sejam avaliados junto às áreas envolvidas, especialmente quanto ao acolhimento, atendimento e permanência da beneficiária durante o período de observação.
Esclarecemos que a operadora não interfere na conduta médica, ou na rotina operacional dos prestadores, sendo essas questões de responsabilidade da própria unidade e de seus profissionais. Por esse motivo, a manifestação foi encaminhada ao prestador para análise e os devidos esclarecimentos.
Assim que obtivermos a devolutiva da unidade, daremos continuidade à tratativa da manifestação.
Atenciosamente,
Prevent Senior