O que aconteceu
Minha insatisfação com o SENAI não surgiu por causa de um episódio isolado. Desde o primeiro semestre do curso de Design de Interiores, venho enfrentando e apontando situações que, na minha percepção, demonstram NEGLIGÊNCIA com as necessidades dos alunos, falta de planejamento e ausência de soluções efetivas.
O que torna tudo ainda mais frustrante é saber que determinadas reclamações já haviam sido feitas por turmas anteriores, inclusive por alunos que já concluíram o curso, e que problemas semelhantes continuam acontecendo. Isso levanta uma questão preocupante: se essas situações já eram conhecidas, por que não foram resolvidas? Quantas turmas ainda precisarão enfrentar os mesmos problemas até que a instituição tome providências?
Ao longo desses dois anos, minha experiência tem sido marcada pela necessidade de insistir para que questões que afetam diretamente o aprendizado recebam atenção. Em vez de encontrar um ambiente que incentive o desenvolvimento profissional, a criatividade e a autonomia, sinto que frequentemente precisamos lutar por condições básicas para estudar.
O episódio mais recente envolve a restrição de acesso às salas utilizadas pela turma para desenvolver as atividades acadêmicas, inclusive ambientes estruturados para atender às necessidades do curso. Após uma mudança no layout de um desses espaços, a situação foi discutida e alinhada com a coordenação. Mesmo assim, continuamos enfrentando dificuldades para utilizar as salas.
Estamos na reta final do curso, com trabalhos, prazos e diversas demandas. Precisamos de ambientes adequados para desenvolver nossos projetos, e não de mais obstáculos administrativos. Compareci à instituição para adiantar minhas atividades, mas não consegui utilizar a sala no horário pretendido porque a abertura antecipada não foi autorizada.
A questão não é defender a falta de regras ou de responsabilidade com o patrimônio. É questionar a falta de flexibilidade, de diálogo e de clareza nas decisões que prejudicam os próprios estudantes. As salas existem para atender às atividades educacionais, e é contraditório que seu uso se torne um problema justamente quando precisamos delas para concluir nossa formação.
Também causa preocupação a forma como as decisões são conduzidas, sem que fique claro para os alunos quem é responsável pelas restrições e quais critérios justificam as medidas adotadas. Falta transparência e, principalmente, uma comunicação que permita compreender e resolver os problemas sem transformar cada situação em um novo desgaste.
O mais grave é que esse episódio não representa toda a minha insatisfação, mas se soma a um histórico de situações que venho apontando desde o início do curso. A sensação recorrente é de que as necessidades dos alunos ficam em segundo plano e de que nossas manifestações não produzem as mudanças necessárias.
Uma instituição de ensino profissionalizante deveria preparar seus alunos para o mercado de trabalho, estimular o pensamento crítico, valorizar a criatividade e oferecer condições adequadas de aprendizagem. Não deveria fazer com que seus estudantes chegassem à reta final do curso emocionalmente desgastados por problemas administrativos que poderiam ser tratados com planejamento, responsabilidade e diálogo.
Após dois anos, cheguei ao ponto de questionar se vale a pena continuar minha formação no SENAI. Considero injusto investir tanto tempo e esforço em uma instituição e sentir que preciso reivindicar constantemente condições para aprender. A possibilidade de concluir o curso em outra instituição passou a ser uma alternativa real, não por falta de interesse na minha formação, mas pela insatisfação com a maneira como essas situações vêm sendo conduzidas.
Registro esta reclamação publicamente porque considero importante que outros estudantes conheçam esse relato e porque espero que a instituição assuma a responsabilidade de analisar os problemas apresentados, em vez de tratar cada reclamação como um caso isolado.
Quero esclarecimentos sobre as restrições de acesso às salas, a revisão dos procedimentos que estão prejudicando os alunos e, principalmente, providências efetivas para que problemas já apontados anteriormente não continuem se repetindo com novas turmas.
Não estou pedindo privilégios. Estou cobrando respeito, organização, transparência e condições adequadas para concluir minha formação. Depois de dois anos, considero legítimo esperar mais de uma instituição cuja finalidade é justamente oferecer educação e qualificação profissional.