O que aconteceu
Venho registrar uma reclamação formal contra a concessionária Honda Shori de Vila Velha/ES, em razão de uma possível utilização ou divulgação indevida do meu número de telefone pessoal a terceiros, sem meu conhecimento ou autorização.
Em outubro de 2025, meu sogro, Sr. José Ricardo Andreati, adquiriu um veículo Honda City, ano/modelo 2025/2026, na referida concessionária. Em razão de sua idade e de suas dificuldades para lidar com os procedimentos da negociação, atuei como intermediário durante todo o processo de compra, tanto presencialmente quanto por telefone e WhatsApp. Por esse motivo, a própria concessionária optou por registrar meu número de telefone como contato do cliente em seu cadastro.
No dia 21/10/2026, pela manhã, meu sogro compareceu à concessionária para realizar a primeira revisão do veículo. Ao manobrar para entrar no estabelecimento, acabou colidindo com outro automóvel, cuja condutora também se dirigia ao local para realizar uma revisão. Após o ocorrido, os envolvidos aparentemente conversaram e trataram da situação diretamente no local.
Entretanto, por volta das 15h30 do mesmo dia, recebi uma ligação do irmão da condutora do outro veículo, cobrando providências e uma solução para o ocorrido.
Minha estranheza decorre do fato de que meu sogro afirma categoricamente não ter fornecido meu número de telefone a essa pessoa ou a qualquer outro terceiro. Considerando que a concessionária possuía meu contato cadastrado em razão da negociação comercial realizada em 2025, e que venho recebendo diversas campanhas promocionais HONDA, surgiu a fundada suspeita de que essa informação possa ter sido fornecida por alguém da empresa.
Ressalto que não estou afirmando, sem a devida apuração, que a concessionária foi responsável pelo compartilhamento, mas considero indispensável esclarecer como um terceiro teve acesso ao meu número pessoal e para qual finalidade essa informação teria sido utilizada.
A situação suscita questionamentos à luz da Lei n 13.709/2018 Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), especialmente quanto aos princípios da finalidade, adequação, necessidade, segurança e responsabilização, previstos no artigo 6, bem como às regras aplicáveis ao tratamento e ao compartilhamento de dados pessoais.
O fato de meu telefone ter sido registrado para facilitar uma negociação comercial e o relacionamento com a concessionária não significa, por si só, que esteja autorizado seu fornecimento indiscriminado a terceiros para finalidades distintas.
Diante do exposto, solicito formalmente:
A apuração interna dos fatos, com identificação da origem do compartilhamento do meu número de telefone, caso tenha ocorrido por intermédio da concessionária.
O esclarecimento sobre quem teve acesso ao meu contato cadastrado e se houve consulta, utilização ou transmissão dessa informação a terceiros em razão do incidente de 21/10/2026.
A informação sobre a finalidade e a base legal eventualmente utilizadas para justificar o compartilhamento, caso confirmado.
A preservação dos registros e demais informações pertinentes que possam auxiliar na apuração, respeitados os direitos de terceiros.
Uma resposta formal, objetiva e fundamentada, inclusive quanto às medidas corretivas eventualmente necessárias.
A confirmação de que meus dados pessoais serão tratados com a devida confidencialidade e utilizados exclusivamente para finalidades legítimas, compatíveis com o contexto em que foram fornecidos.
Esclareço que esta reclamação não tem por objetivo impedir que os envolvidos no acidente busquem uma solução adequada para os danos eventualmente causados, mas sim obter esclarecimentos sobre a possível divulgação de meus dados pessoais e assegurar o respeito aos meus direitos como titular dessas informações.
Espero que a Honda Shori trate o assunto com a seriedade necessária, transparência e respeito à legislação de proteção de dados, apresentando uma resposta conclusiva dentro de prazo razoável.
Na ausência de esclarecimentos satisfatórios, reservo-me o direito de encaminhar a questão aos canais competentes de defesa do consumidor e de proteção de dados pessoais.
Atenciosamente,
Fabricio Binda Lirio
Vila Velha/ES, 21 de outubro de 2026.