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Exigem projeto de extensão que depende de terceiros e não dão alternativa

UNISUAM - Centro Universitário Augusto Motta

cidade: Niterói

O que aconteceu

Unisuam EAD exige projeto de extensão que depende de instituições externas sem garantir acesso ou alternativas aos alunos

Sou aluna do curso de Administração na modalidade EAD da Unisuam e venho manifestar minha insatisfação com a proposta do projeto de extensão de Recrutamento e Seleção, especialmente pela exigência de atividades que dependem da colaboração de organizações externas.

O documento enviado pelo professor descreve uma metodologia que prevê visitas a organizações, como pequenas empresas, igrejas, ONGs, escolas e asilos, para identificar suas necessidades de recrutamento e seleção. Posteriormente, os alunos devem elaborar propostas de melhoria e realizar oficinas ou encontros para apresentar os modelos desenvolvidos.

Considero essa proposta problemática pela maneira como foi estruturada, pois transfere ao aluno a responsabilidade de conseguir acesso a uma organização externa, encontrar pessoas dispostas a colaborar, obter informações sobre suas práticas internas e, ainda, apresentar propostas de melhoria. Tudo isso depende da disponibilidade e da autorização de terceiros, algo que não está sob o controle do estudante.

Como a faculdade espera que todos os alunos consigam uma organização disposta a recebê-los, conversar sobre seus processos internos de RH e permitir que apresentem propostas de melhoria?

Nem todos os estudantes possuem contatos profissionais, conhecem responsáveis por instituições ou têm facilidade para conseguir esse tipo de acesso. Uma empresa pode simplesmente não aceitar a participação de um estudante externo, não ter disponibilidade para recebê-lo ou não possuir um setor de Recursos Humanos estruturado.

Além disso, muitos alunos escolheram a modalidade EAD justamente para conciliar a graduação com o trabalho e outras responsabilidades. Exigir atividades que envolvam deslocamentos, visitas, reuniões e encontros presenciais com terceiros, sem esclarecer previamente como serão viabilizadas e quais alternativas existem, cria dificuldades reais para a realização do projeto.

Não estou questionando a importância da extensão universitária nem a necessidade de aplicar os conhecimentos adquiridos na graduação. Questiono a falta de planejamento e de suporte para que os estudantes consigam executar a atividade de maneira viável e compatível com sua realidade.

Também considero inaceitável que o aluno tenha de descobrir sozinho como executar uma atividade acadêmica dessa complexidade. O documento apresenta a proposta geral, mas não esclarece adequadamente como conseguir uma organização parceira, como proceder caso nenhuma instituição aceite participar, se todas as etapas exigem presença física ou quais alternativas poderão ser utilizadas.

Essa situação merece atenção também à luz da legislação educacional. O Decreto Federal n 12.456/2025 estabelece, em seu artigo 2, princípios para a educação superior, incluindo a garantia de acesso, permanência e aprendizagem independentemente do formato de oferta. Seus artigos 25 e 26 tratam da adequação dos materiais didáticos às necessidades dos estudantes e da função das plataformas digitais no acesso aos conteúdos e na gestão das atividades acadêmicas. Esses dispositivos reforçam a importância de um planejamento pedagógico acessível e de orientações claras. Não significam, por si só, que atividades externas sejam proibidas, mas justificam o questionamento sobre como a instituição está garantindo condições adequadas para a realização do projeto.

Diante disso, solicito à Unisuam:

1. A revisão da metodologia do projeto de extensão de Recrutamento e Seleção, considerando as dificuldades de acesso a organizações externas.

2. O esclarecimento sobre a obrigatoriedade de visitas, oficinas, encontros e outras atividades presenciais.

3. A disponibilização de alternativas viáveis para os alunos que não consigam uma organização parceira, como estudos de caso, organizações previamente conveniadas ou outras formas de atividade compatíveis com os objetivos pedagógicos.

4. Orientações práticas sobre como conseguir uma instituição participante e como proceder caso haja recusa.

5. A garantia de que o aluno não seja prejudicado academicamente por dificuldades de acesso a terceiros que não dependem exclusivamente de sua vontade.

6. A revisão dos prazos de entrega quando a falta de orientações ou de condições para executar a atividade impedir que o trabalho seja realizado adequadamente.

A universidade precisa considerar a realidade dos alunos que trabalham e que escolheram o ensino a distância para conseguir concluir sua formação. A extensão pode e deve proporcionar experiências práticas, mas essas experiências precisam ser organizadas de maneira que os estudantes tenham condições reais de realizá-las.

Não é razoável estabelecer uma atividade que depende da colaboração de instituições externas sem apresentar instruções claras e alternativas para situações previsíveis, como a recusa de uma organização em participar.

Solicito um posicionamento oficial da Unisuam e uma solução concreta para esse problema, com orientações que permitam aos alunos realizar o projeto sem depender exclusivamente de contatos pessoais ou de uma disponibilidade presencial que talvez não possuam.