O que aconteceu
Atendimento ginecológico no AC Camargo falta de escuta e abordagem integral
Hoje, 02/10/2026, passei por uma consulta ginecológica no AC Camargo da Pires da Mota e saí profundamente frustrada com o atendimento da ginecologia geral.
Procurei o hospital por apresentar adenomiose e estar vivenciando diversos sintomas de perimenopausa, como ondas de calor, suores noturnos, fadiga extrema, irritabilidade, apatia, melancolia, dores de cabeça e dores articulares e musculoesqueléticas.
Ao mencionar a perimenopausa, a médica se concentrou nos meus exames hormonais e afirmou: Mas você está menstruando, você não entrou na menopausa. Mesmo após eu explicar que sabia que não estava na menopausa e que justamente estava falando da perimenopausa, senti que os sintomas que relatei foram pouco considerados. A médica reforçou diversas vezes que meus hormônios estavam normais, sem considerar que os níveis hormonais oscilam durante essa fase e que um exame isolado representa apenas um momento específico.
Não estou reclamando por não ter recebido reposição hormonal. Entendo que essa decisão deve ser individualizada e respeito a avaliação médica. Minha insatisfação é por não ter sentido uma investigação adequada dos sintomas e das possibilidades de cuidado.
Em relação à adenomiose, perguntei sobre a causa e a médica explicou que existem diversas possibilidades, sem conseguir apontar uma causa específica. Como opções de tratamento, apresentou anticoncepcional ou DIU, alternativas que não fazem parte das minhas escolhas atuais. Também orientou a continuidade de analgésicos e anti-inflamatórios e indicou um medicamento para controle do sangramento. Ao questionar essa indicação, considerando que tenho sangramentos importantes e coágulos muito grandes, ouvi: Experimente e você volta para me contar.
O que mais me frustrou foi a ausência de uma abordagem mais ampla e multidisciplinar. Não houve orientação ou encaminhamento para fisioterapia pélvica, nutrição/nutrologia, atividade física, manejo do estresse ou outras estratégias complementares que poderiam ser consideradas dentro de uma abordagem individualizada para qualidade de vida.
Em 2024, estive no próprio AC Camargo para investigação de uma questão oncológica, que felizmente não se confirmou. Naquela ocasião, um médico foi o primeiro profissional, em toda a minha história, que demonstrou conhecimento sobre adenomiose e chegou a explicar a doença às residentes. Porém, também naquela consulta não recebi orientação mais abrangente sobre como minimizar os sintomas. Ao mencionar isso hoje, ouvi que é porque ele é cirurgião.
Não considero que uma única ginecologista tenha obrigação de ser especialista em todas as áreas relacionadas à perimenopausa, adenomiose, dor, nutrição ou fisioterapia pélvica. Mas esperava que, dentro de uma instituição do porte e da referência do AC Camargo, existissem profissionais para os quais eu pudesse ser encaminhada caso aquela médica não pudesse oferecer essa abordagem.
Em vez disso, saí com a sensação de que minhas queixas foram reduzidas aos resultados dos exames e, diante da ausência de um direcionamento adequado, cheguei a ter a impressão de que a alternativa apresentada seria procurar um psiquiatra.
Hoje também encaminhei ao SAC do AC Camargo um relato detalhado de toda a consulta, com os pontos acima e as referências científicas pertinentes.
Espero que o hospital avalie o ocorrido e possa rever sua abordagem para que mulheres em perimenopausa e com condições ginecológicas como a adenomiose sejam efetivamente ouvidas e tenham acesso a um cuidado mais integral, atualizado e multidisciplinar.
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4Interações da reclamação
A.C.Camargo Cancer Center respondeu
06/10/2026 às 14:06
Prezada Sra. karina boa tarde!
Agradecemos a oportunidade no contato.
Conforme nos falamos, encaminhamos o seu relato para a área responsável avaliar, em breve retornaremos o contato.
Atenciosamente,
Ouvidoria