O que aconteceu
Adquiri um lote no Alphaville Guarajuba 4 ainda na fase de lançamento, justamente porque aquele momento foi apresentado comercialmente como uma oportunidade diferenciada para quem acreditasse no empreendimento desde o início.
A expectativa transmitida era de que ingressar no lançamento representaria uma condição especialmente interessante, dentro de um empreendimento de marca consolidada, associado a valorização patrimonial, segurança e confiança.
Passado aproximadamente um ano e meio, porém, o cenário econômico vem se mostrando muito aquém daquela expectativa.
A própria Alphaville, ao responder minha reclamação, utilizou como referência um lote semelhante que teria passado de aproximadamente R$ 488 mil para R$ 545 mil. Pelos próprios números apresentados pela empresa, isso corresponde a uma valorização nominal de aproximadamente 11,68% em cerca de 18 meses, equivalente a somente 0,62% ao mês em termos compostos.
Para um investimento imobiliário desse porte, adquirido ainda no lançamento, trata-se de uma valorização bastante modesta.
E existe um aspecto ainda mais importante: essa valorização de 0,62% ao mês é bruta.
Enquanto o imóvel apresentava essa valorização, o comprador que entrou no lançamento continuava tendo suas obrigações contratuais atualizadas pelo IPCA. Ou seja, a valorização econômica efetivamente percebida pelo comprador é ainda menor quando se considera aquilo que ele próprio teve de pagar a título de atualização monetária durante o período. O histórico da negociação registra justamente que o saldo continuou sendo atualizado pelo IPCA.
Além disso, essa valorização média mensal de aproximadamente 0,62% chegou a ficar abaixo até do rendimento mensal da poupança em diversos períodos.
A comparação chama atenção porque quem mantém o dinheiro em uma aplicação conservadora preserva liquidez e disponibilidade do capital.
Quem comprou no Alphaville Guarajuba 4 no lançamento fez exatamente o contrário: comprometeu recursos antecipadamente, imobilizou capital, pagou corretagem, suportou atualização pelo IPCA e assumiu uma estrutura de pagamento muito mais curta.
E é justamente nesse ponto que a situação se torna ainda mais frustrante.
Atualmente, são divulgadas condições para novos compradores com pagamento em até 60 parcelas, enquanto quem adquiriu no lançamento assumiu prazo muito menor. Essa condição atual de até 60 parcelas também já foi objeto das manifestações encaminhadas à própria Alphaville.
Na prática, o resultado é o seguinte:
Quem comprou no lançamento acreditou primeiro no empreendimento, colocou recursos muito antes, teve capital imobilizado por aproximadamente um ano e meio, suportou atualização pelo IPCA, assumiu parcelas em prazo menor e, depois de todo esse esforço financeiro, verificou uma valorização extremamente limitada.
Quem compra agora, por outro lado, não suportou todo esse período de comprometimento financeiro, preservou seu capital durante esse tempo e ainda encontra possibilidade de pagamento em até 60 meses.
Ou seja, quem aguardou para comprar acabou encontrando uma situação financeira muito mais confortável do que quem confiou no empreendimento desde o início.
É justamente isso que considero difícil de aceitar.
Não estou questionando o direito da Alphaville de criar novas campanhas ou modificar sua política comercial.
O problema é o resultado concreto dessa política: o comprador do lançamento acabou colocado em condição economicamente inferior ao comprador que chegou posteriormente.
A aquisição no lançamento foi feita justamente dentro de um contexto comercial apresentado como especialmente vantajoso. O próprio histórico da negociação registra que a decisão de compra foi influenciada pela apresentação daquele momento como uma oportunidade diferenciada.
O que se verifica posteriormente, entretanto, é praticamente o inverso.
Depois de aproximadamente um ano e meio, temos:
valorização nominal de apenas 11,68%;
média de aproximadamente 0,62% ao mês;
atualização das obrigações do comprador pelo IPCA durante o período;
e, agora, condições de pagamento muito mais alongadas para novos compradores.
E essa comparação ainda não desconta integralmente o impacto econômico do IPCA já suportado pelo comprador.
Portanto, a valorização efetiva para quem comprou primeiro é ainda menor do que os 11,68% nominais sugerem.
Para um empreendimento desse porte, considero uma situação extremamente decepcionante.
Tratando-se da Alphaville, uma marca cuja própria força comercial está associada a confiança, padrão elevado, segurança e expectativa de valorização patrimonial, considero lamentável que a política comercial adotada posteriormente tenha produzido justamente o efeito de beneficiar de forma muito mais significativa quem decidiu esperar para comprar.
Se o comprador do lançamento tivesse conhecimento de que, aproximadamente um ano e meio depois, o empreendimento apresentaria valorização média mensal de apenas cerca de 0,62%, antes mesmo de descontar o IPCA suportado, e que posteriormente seriam oferecidos prazos muito mais longos aos novos adquirentes, naturalmente essa informação teria enorme relevância na decisão de compra.
É exatamente por isso que considero a situação tão frustrante.
A lógica do lançamento deveria favorecer, ou ao menos preservar, quem acreditou primeiro no projeto.
No cenário atual do Alphaville Guarajuba 4, ocorreu o contrário: esperar para comprar se mostrou financeiramente mais confortável do que comprar no lançamento.
Espero que a Alphaville reveja a situação e apresente uma solução comercial concreta para aqueles que confiaram no empreendimento desde o início.
Não se busca privilégio.
Busca-se apenas que ter acreditado primeiro no Alphaville Guarajuba 4 não se transforme em uma desvantagem financeira.