O que aconteceu
Gostaria de registrar uma situação ocorrida no dia 31 de outubro de 2026, durante a partida entre Corinthians e Cruzeiro Sub-17, na Neo Química Arena, no setor Oeste Inferior Corner.
Sou uma pessoa autista, nível 2 de suporte, e estava acompanhado de um amigo, assistindo à partida. Em determinado momento, enquanto estávamos encostados na grade/vidro, um funcionário steward, identificado pelo uso de colete, aproximou-se, tocou em mim sem necessidade aparente e nos mandou sair daquele espaço, sem apresentar maiores explicações sobre o motivo da orientação.
Atendemos ao pedido e saímos do local. Entretanto, pouco depois, uma mulher acompanhada de duas crianças pequenas ocupou exatamente o mesmo espaço.
Diante dessa situação, questionei o funcionário, dizendo que a regra deveria valer para todos. Ele justificou que eram duas crianças pequenas. Perguntei, então, se, caso eu também estivesse acompanhado de uma criança, poderia permanecer naquele espaço. O funcionário respondeu que sim, demonstrando uma diferença de tratamento que considerei injustificada.
Quero deixar claro que minha reclamação não é contra a mãe ou as crianças, que não tinham culpa da situação. Meu questionamento foi direcionado exclusivamente à conduta do funcionário e à falta de coerência na aplicação das orientações aos torcedores.
Outro ponto que me preocupou foi que as crianças estavam próximas à grade que dá acesso ao campo e aparentavam estar forçando a estrutura, quase derrubando a grade. Isso também me gerou preocupação quanto à segurança delas e dos demais frequentadores.
Durante o questionamento, percebi que o funcionário ficou nervoso e na defensiva. Preferi não prolongar a discussão, pois a partida já estava chegando ao fim. Depois disso, não houve novas abordagens e fui embora normalmente.
Gostaria de destacar também minha condição de pessoa autista nível 2 de suporte. Por isso, considero especialmente importante que os profissionais responsáveis pelo atendimento e pela orientação dos torcedores tenham preparo para lidar com pessoas com deficiência, utilizando comunicação clara, respeitosa e evitando contatos físicos desnecessários.
Não estou solicitando tratamento privilegiado, mas respeito, orientação adequada e aplicação coerente das regras para todos os frequentadores.
Meu objetivo com este registro não é prejudicar individualmente nenhum funcionário, mas contribuir para melhorias no atendimento, na capacitação dos stewards, na acessibilidade e na segurança dos torcedores dentro da Neo Química Arena.
Espero que a administração avalie o ocorrido e adote medidas para evitar que situações semelhantes aconteçam novamente.
Todos os torcedores merecem respeito, segurança, acessibilidade e tratamento igualitário.