O que aconteceu
Após meses tentando adquirir uma CFMOTO IBEX 450, desde o segundo lote, finalmente consegui comprá-la no quarto lote, pela concessionária Virage, de Piracicaba/SP. Concluí o pagamento em 25/09/2026, incluindo parte do valor financiada, mas só pude retirar a moto em 02/10/2026. Segundo o vendedor, a entrega dependia da liberação da BIN e ATPV-E. Antes da retirada, fui informado de que estava tudo regularizado e que poderia realizar o primeiro registro normalmente. Após a entrega técnica, transportei a moto em uma picape até minha cidade, percorrendo aproximadamente 370 km. Ao ligá-la depois de descarregar, percebi que a luz amarela da injeção eletrônica permanecia acesa. Por a moto estar com pouco combustivel, achei que pudesse ser algo relacionado a combustivel e completei tanque em um posto BR, mas o alerta continuou e não apagou mais. No primeiro teste, percorri aproximadamente 80 a 90 km em trajeto misto. Ao retornar, enquanto guardava a moto, percebi que, mesmo em neutro, a marcha lenta oscilava entre aproximadamente 1.500 e 2.100 rpm. A rotação só normalizou após desligar e ligar novamente o motor, mas a luz da injeção continuou acesa. No painel, em informações, consta AVARIAS 0. Nesse mesmo percurso, o parafuso e a porca de fixação de um dos protetores de mão se soltaram e foram perdidos. O protetor ficou solto e sofreu riscos pelo atrito com seu suporte. Ao verificar o outro lado, constatei que a fixação também estava solta (o parafuso saiu na mão). É inadmissível que uma moto zero-quilômetro apresente esses problemas com menos de 100 km rodados, especialmente componentes se soltando logo após a entrega. Ao informar a Virage sobre os acontecimentos, a concessionária solicitou que eu levasse a moto de volta para avaliação e substituição dos componentes em garantia. Expliquei que havia acabado de percorrer aproximadamente 740 km de ida e volta para buscar a moto e que, após rodar menos de 100 km, já estava enfrentando esses problemas. Enviei fotos e vídeos dos componentes e solicitei que as peças de fixação fossem encaminhadas por correios ou transportadora para reposição. Entretanto, fui informado de que não poderiam enviar as peças, pois as fotos e os vídeos necessários para justificar a garantia deveriam ser produzidos dentro da oficina pois já tiveram garantias negadas anteriormente. Questionei se realmente não existia uma alternativa mais razoável, considerando a distância, os custos envolvidos e o fato de ter acabado de retirar uma moto nova. Após as conversas e esclarecimentos que a moto estava com seu funcionamento normal apesar da luz acesa, ficou ajustado que eu poderia continuar utilizando a moto, observando seu funcionamento, mas que deveria procurar a concessionária caso surgissem novos erros, falhas, baixa de óleo ou qualquer outro problema. Também combinamos que eu retornaria à Virage quando a moto atingisse a km mínima para primeira revisão que é aproximadamente 850 km, para avaliação e realização das correções e substituições necessárias. Compreendo que determinados problemas exigem avaliação presencial, mas considero frustrante que a solução inicial seja simplesmente exigir outro deslocamento de centenas de quilômetros, sem buscar alternativas para um consumidor que acabou de retirar o veículo. Como a luz da injeção continuava acesa, procurei uma oficina local exclusivamente para realizar a leitura do código de falha por scanner, através do conector de diagnóstico. Foi identificado o código P051100, relacionado ao circuito de controle do atuador da marcha lenta (um erro comum neste modelo). Ressalto que não houve apagamento de falhas, ajustes, reprogramação, desmontagem ou qualquer reparo. Foi realizada apenas a leitura do código, cuja causa ainda depende de diagnóstico. E quando parecia que ao menos os problemas técnicos tinham um encaminhamento, surgiu uma situação ainda mais absurda: não consigo registrar a moto no Detran.
Conforme mencionado, a entrega havia sido atrasada justamente porque, segundo o vendedor, era necessário aguardar a liberação da BIN. Antes da retirada, recebi a confirmação de que a documentação estava correta.
Entretanto, ao tentar realizar o primeiro registro pelo portal do Detran-SP em 01/10, não consegui concluir o procedimento. Pensei ser algum problema relacionado ao Portal ou o próprio site. Procurei atendimento presencial dia 07/10 e fui informado de que o chassi não constava no cadastro consultado e que eu deveria entrar em contato com a concessionaria solicitar comprovante de registro no RENAVE e ATPV. Ao comunicar o problema ao vendedor, ele inicialmente afirmou que a documentação estava correta, perguntou se eu estava tentando registrar por conta própria ou com despachante e comentou que aquilo nunca havia acontecido e deu a entender que EU é que estava fazendo algo errado, mesmo assim insisti e solicitei contato com o setor fiscal da Virage. Foi então identificada uma pendência no fluxo do RENAVE, contrariando a informação anterior de que toda a documentação estava regularizada.
Ou seja, a concessionária entregou um veiculo que não teve seu fluxo correto no sistema do RENAVE e hoje dia 08/10, ainda não consigo registrar uma moto que foi faturada no dia 28/09. Já se passaram quase duas semanas desde o pagamento e seis dias desde a retirada. Além dos problemas apresentados pela moto, continuo impedido de concluir o emplacamento de um veículo zero-quilômetro. O mais contraditório é que fui orientado a continuar utilizando a moto até aproximadamente 850 km para realizar as correções em garantia, mas agora sequer consigo regularizá-la para circular legalmente.
A IBEX 450 era uma moto que eu aguardava há meses. Fiz um investimento considerável, percorri centenas de quilômetros para buscá-la e, em vez de aproveitar a compra, estou lidando com falha persistente na injeção, oscilação da marcha lenta, peças soltas e uma pendência documental que deveria ter sido resolvida antes da entrega.
Não espero que a concessionária resolva uma falha eletrônica sem diagnóstico, mas espero bom senso, responsabilidade e disposição para buscar alternativas. Não é razoável transferir ao consumidor todos os custos e transtornos de problemas apresentados por uma moto recém-entregue.
Solicito à CFMOTO Brasil e à Virage a regularização imediata da documentação, com esclarecimento da pendência no RENAVE, comprovação da solução e prazo definido; diagnóstico e reparo em garantia da falha de injeção e da oscilação da marcha lenta; reposição das fixações, reparação do protetor danificado e conferência dos apertos; além de orientação formal sobre a possibilidade de utilização da moto e confirmação do atendimento acordado aos 850 km.
Também espero que sejam consideradas alternativas viáveis de assistência ou transporte caso seja necessário atendimento antecipado, levando em conta a distância de aproximadamente 370 km até a concessionária.
Não estou pedindo nenhum favor. Comprei uma moto zero-quilômetro, paguei por ela e espero recebê-la em condições adequadas de funcionamento, com documentação regular e suporte pós-venda compatível. Aguardo uma resposta objetiva da CFMOTO e da Virage, com providências concretas, responsáveis e prazos. O que deveria ser a realização de uma compra muito aguardada se transformou em uma experiência extremamente frustrante.