O que aconteceu
Resumo: dormi durante a viagem de São Paulo para Santos, não percebi o desembarque e, sem qualquer conferência, o ônibus seguiu para a garagem comigo ainda dentro. Segundo o próprio motorista, esse seria o procedimento da empresa.
Utilizei ontem o serviço da Pássaro Marron, no Expresso Luxo, no trajeto São Paulo Santos. O que deveria ser apenas uma viagem de volta para casa terminou com uma situação que considero extremamente grave: fui levado para a garagem da empresa ainda dentro do ônibus, simplesmente porque não acordei no momento do desembarque.
O ônibus chegou ao destino por volta de 00h00 e, como qualquer passageiro que acaba de retornar de um dia cansativo, eu estava dormindo durante a viagem.
Não acordei na última parada prevista para o desembarque. Durante o trajeto, acordei algumas vezes: duas ainda durante a viagem, uma quando chegamos à rodoviária, momento em que as luzes foram acesas, e outra quando o ônibus já estava próximo à Ponta da Praia. Depois, voltei a dormir e só despertei posteriormente, quando o veículo já estava na região da Perimetral.
Ou seja: o ônibus simplesmente seguiu seu trajeto para a garagem comigo ainda dentro.
O que mais me causa indignação é que isso poderia ter sido facilmente evitado com uma providência extremamente simples: uma conferência dos passageiros antes de o veículo deixar o local de desembarque.
Pelo que pude perceber, o motorista sequer se deu ao trabalho de olhar para trás e verificar se ainda havia passageiros dentro do ônibus antes de seguir viagem.
Quando percebi o que estava acontecendo, questionei o motorista se aquele era realmente o procedimento adotado pela empresa e se não existia um protocolo para verificar se todos os passageiros haviam desembarcado, especialmente considerando que a empresa transporta diariamente inúmeras pessoas que retornam de jornadas exaustivas de trabalho.
A resposta que recebi foi:
> O protocolo não é de conferência, é dar sequência ao meu trajeto. E se você não tivesse acordado, você ia acordar trancado dentro da garagem e se virar para achar um segurança.
Confesso que, naquele momento, fiquei sem reação.
Afinal, se eu estivesse trancado dentro do ônibus, dentro de uma garagem, como exatamente eu deveria me virar para achar um segurança?
Eu deveria quebrar um vidro de emergência? Esperar alguém eventualmente perceber que havia uma pessoa presa dentro do veículo? Depender da bateria do meu celular para conseguir pedir ajuda?
Isso não é uma situação aceitável para um passageiro.
Além do evidente transtorno, eu tenho problemas com espaços confinados, o que torna ainda mais angustiante pensar na possibilidade de acordar sozinho, dentro de um ônibus apagado, fechado e estacionado em uma garagem.
E tudo isso poderia ter sido evitado com uma providência extremamente simples: verificar se havia passageiros dentro do veículo antes de encaminhá-lo à garagem.
Também paguei mais caro justamente para utilizar um serviço que me deixasse próximo ao meu destino final. No entanto, por ter sido levado indevidamente para outro local, precisei posteriormente solicitar um Uber, justamente em um momento em que estava chovendo e os preços estavam elevados.
Portanto, não se trata apenas de um pequeno inconveniente ou de eu ter perdido a parada. O problema é que um passageiro permaneceu dentro do ônibus sem que ninguém da empresa percebesse e o veículo foi encaminhado à garagem normalmente.
E, na minha visão, esse é justamente o ponto mais preocupante: se eu não tivesse acordado por acaso, eu poderia efetivamente ter terminado a viagem rancado dentro de um ônibus, em uma garagem, durante a madrugada.
Fica aqui o alerta para quem estiver voltando de São Paulo para Santos, seja depois de um dia exaustivo de trabalho, de uma festa ou de qualquer outro compromisso: aparentemente, se você dormir e não perceber a chegada ao destino, existe o risco de simplesmente ser levado para a garagem junto com o ônibus.
E, caso isso aconteça, aparentemente a orientação é que você acorde trancado e procure um segurança por conta própria.
É uma experiência que eu jamais esperava ter como passageiro.
Ressalto ainda que já utilizei outras empresas concorrentes nesse mesmo tipo de trajeto e nunca tive qualquer problema semelhante. Por isso, esta reclamação é especificamente direcionada à experiência que tive com a Expresso Luxo.
Espero que a empresa esclareça:
1. Se realmente não existe procedimento para conferência de passageiros antes de o veículo ser encaminhado à garagem;
2. Quais medidas são adotadas quando um passageiro permanece dentro do ônibus após o término da viagem;
3. Se a orientação dada pelo motorista de que o passageiro deveria se virar para achar um segurança corresponde efetivamente ao procedimento da empresa;
4. E, principalmente, quais providências serão tomadas para impedir que uma situação como essa volte a acontecer.
E, para não ficar apenas no relato, vamos aos dados.
Tirei fotos do veículo para conseguir identificá-lo. Embora a placa tenha saído um pouco embaçada, o número de identificação grande, localizado na porta lateral e também na parte traseira do ônibus, ficou perfeitamente nítido:ônibus 20043.
A ocorrência foi no dia 27/09, na viagem das 21h05, com saída do Jabaquara com destino a Santos. Considerando o trânsito que pegamos durante a descida, estimo que a situação tenha ocorrido aproximadamente entre 23h40 e 00h30.
Também verifiquei que havia câmera de segurança dentro do ônibus. Portanto, caso a empresa realmente queira identificar o motorista responsável e verificar o que ocorreu, as próprias câmeras do veículo devem ser suficientes para esclarecer a situação.
Inclusive, faço um pedido específico à empresa: verifiquem nas imagens se, na parada final, o motorista efetivamente acendeu as luzes internas do ônibus e realizou algum procedimento de conferência antes de seguir viagem.
O motorista afirmou que as luzes foram acesas, mas, como eu estava dormindo naquele momento, não tenho condições de confirmar ou contestar essa afirmação. Justamente por isso, deixo que as imagens do próprio veículo esclareçam o que de fato ocorreu.
Peço também que verifiquem se, após a parada final, houve qualquer conferência visual do interior do ônibus antes de ele ser encaminhado à garagem. Afinal, independentemente de eu ter acordado ou não, é justamente essa conferência que poderia ter evitado que um passageiro fosse levado para a garagem ainda dentro do veículo.
Fiquem, portanto, muito à vontade para identificar o motorista e verificar as imagens. Afinal, se esse é realmente o procedimento adotado pela empresa, é importante saber se o que me foi informado pelo motorista corresponde ao protocolo da expresso luxo ou se estamos diante de uma conduta individual.
Deixo aqui meu descontentamento com a forma como fui tratado e, principalmente, com a situação absurda a que fui exposto como passageiro.
Obrigado.