O que aconteceu
Sou professor do Instituto Federal do Paraná (IFPR), em Palmas, e fui surpreendido, poucos dias antes da viagem, por uma alteração unilateral da GOL. Meu voo, previsto para chegar a Chapecó às 10h35 do dia 05/10, foi transferido para as 19h50. Mais de nove horas de diferença, como se o tempo e os compromissos dos passageiros fossem irrelevantes!
Minha viagem não terminaria no aeroporto. Eu já havia reservado um veículo na Unidas para percorrer o trajeto até Palmas. Com a alteração, não conseguiria retirar o carro no horário previsto, e cancelar a reserva ou não comparecer à retirada (no-show) significaria colocar em risco a disponibilidade do veículo e, consequentemente, minha chegada ao trabalho.
Como professor, tenho responsabilidades que ultrapassam minha conveniência individual. Faltar às aulas significa prejudicar dezenas de estudantes que nada têm a ver com a desorganização operacional de uma companhia aérea. Por que meus alunos deveriam pagar pelas decisões da GOL?
Diante disso, fui obrigado a antecipar minha viagem para 04/10, assumindo uma despesa adicional com hospedagem que jamais existiria se o contrato original tivesse sido respeitado.
Para completar, a GOL recusou o ressarcimento (protocolo 28849541), alegando que contratei a hospedagem por iniciativa própria, sem negociação prévia. Há algo profundamente perverso nessa lógica: a empresa cria o problema, o consumidor encontra uma solução para evitar consequências ainda maiores e, ao final, é responsabilizado por ter resolvido aquilo que não provocou!
A GOL invoca o cumprimento do prazo de comunicação da ANAC como se uma formalidade regulamentar fosse suficiente para apagar os prejuízos concretos de sua decisão. Mas cumprir uma obrigação formal não equivale a agir com responsabilidade diante das consequências dos próprios atos.
Não escolhi viajar antes por comodidade. Escolhi não abandonar minhas responsabilidades profissionais. E me recuso a aceitar que essa escolha seja utilizada como justificativa para transferir a mim os custos de uma decisão exclusivamente da companhia.
Exijo o ressarcimento da hospedagem e uma resposta que reconheça, para além dos protocolos e das formalidades, a responsabilidade da GOL pelos prejuízos que efetivamente causou.