O que aconteceu
Título: Indignação com o atendimento de paciente grave demora, falta de alimentação, assistência inadequada e ausência de informações
Minha indignação com o Hospital Metropolitano da Lapa chegou ao limite.
Meu esposo, Clayton Coltro, é um paciente com um quadro de saúde extremamente delicado. Ele é diabético, possui miocardite severa, já teve um dedo amputado e apresenta um grave comprometimento no pé, com risco de uma nova amputação.
Não estamos falando de um paciente que foi ao hospital por algo simples. Ele precisa de cuidados, acompanhamento e atenção compatíveis com sua condição clínica.
Tudo começou no dia 02 de setembro, quando ele foi internado e permaneceu aproximadamente 16 dias. Naquele período, tivemos um atendimento satisfatório.
Porém, no final de setembro/início de outubro, começaram os problemas.
No dia 04 de outubro, por orientação médica e portando uma carta de internação, chegamos ao Pronto-Socorro por volta das 9h da manhã. Mesmo com indicação de internação, ele permaneceu inicialmente em observação e somente depois de muita insistência foi encaminhado para o quarto as 23h30
Havia um procedimento agendado para o dia 05 de outubro, às 7h da manhã. Por orientação médica, meu esposo entrou em jejum às 23h do dia 04 de outubro.
O procedimento estava marcado para as 7h, mas só foi realizado por volta das 17h.
Ou seja: um paciente diabético e portador de miocardite severa permaneceu aproximadamente 18 horas em jejum, aguardando um procedimento que estava previamente agendado.
Depois do procedimento, recebeu alta médica e voltou para casa.
No dia seguinte, 07/10 acordou com falta de ar e dores intensas. Retornamos imediatamente ao hospital.
Chegamos por volta das 11h da manhã. Ele havia tomado café, mas passou mal e vomitou tudo o que havia ingerido.
Inicialmente, a médica informou que estava tudo bem e que não haveria necessidade de internação. Eu insisti para que fossem realizados exames.
Os exames apontaram uma infecção.
A partir daí, começou novamente uma verdadeira maratona de espera.
Ele foi encaminhado para a emergência e permaneceu durante horas aguardando um leito. Somente por volta das 22h foi encaminhado para a enfermaria/sala de informação.
E aqui está mais uma situação que considero inadmissível:
Um paciente que chegou ao hospital às 11h da manhã, que havia vomitado o que tinha ingerido no café, que já estava debilitado e com uma infecção diagnosticada, permaneceu todo esse período sem alimentação adequada.
Precisei insistir para que oferecessem alguma coisa para ele comer.
E o que foi oferecido?
Um suquinho, uma bolachinha e um Polenguinho.
É isso que estamos discutindo: o mínimo de cuidado com um paciente debilitado, diabético, com miocardite severa, submetido recentemente a um procedimento e diagnosticado com uma infecção.
Não existem palavras suficientes para expressar a minha revolta.
Não estamos pedindo luxo.
Não estamos pedindo tratamento privilegiado.
Nós pagamos um convênio médico. Estamos pagando por um serviço de saúde. E estamos exigindo que esse serviço seja prestado com dignidade, segurança e responsabilidade.
Outra questão que me preocupa profundamente são as condições de acomodação e higiene do hospital.
Meu esposo já está com uma infecção e apresenta um quadro clínico extremamente vulnerável. Além disso, há preocupação com possível exposição a outras bactérias em um ambiente hospitalar compartilhado.
Não estou afirmando que a infecção dele tenha sido adquirida no hospital, porque isso precisa ser tecnicamente investigado. Mas justamente por ele já estar infectado e debilitado, considero absolutamente necessário que sejam avaliadas medidas adequadas de isolamento e proteção, evitando que ele seja exposto a outros agentes infecciosos.
Por isso, também vou solicitar que seja avaliada a possibilidade de ele permanecer em quarto individual, considerando seu quadro clínico e o risco de exposição a outras infecções.
As condições das enfermarias também são extremamente preocupantes: quartos muito pequenos, pouco espaço para circulação, banheiro compartilhado e uma estrutura que, na minha opinião, não oferece o conforto e a segurança que um paciente com limitações físicas importantes necessita.
E existe ainda outro absurdo: estou tentando registrar essa reclamação há dias e fui informada de que o hospital não possui um canal efetivo para reclamações, sendo orientada a utilizar um QR Code disponível dentro da própria instituição.
Por esse motivo, estou recorrendo ao Reclame Aqui.
E deixo aqui muito claro:
Eu vou buscar todos os meios necessários para garantir que meu marido tenha um tratamento digno.
Vou questionar, vou cobrar, vou procurar os canais competentes e vou atrás dos meus direitos como familiar e como pessoa que paga pelo plano de saúde.
Porque meu marido não está pedindo favor.
Nós pagamos o convênio.
Ele tem direito a receber assistência adequada.
Um paciente diabético, com miocardite severa, com dedo amputado, grave comprometimento do pé, risco de nova amputação e agora com uma infecção, não pode ser submetido repetidamente a longas esperas, jejum prolongado, falta de alimentação, falta de informação e condições inadequadas de acomodação.
Se a família não insistir, quem vai olhar pelo paciente?
Eu não quero tratamento privilegiado.
Quero tratamento humano.
Quero que meu marido seja avaliado de acordo com a gravidade do seu quadro e que sejam tomadas todas as medidas necessárias para preservar sua saúde e evitar novas complicações.
Espero uma resposta formal, concreta e responsável do Hospital Metropolitano da Lapa, explicando o que aconteceu e quais providências serão tomadas.
Porque, neste momento, não estou mais falando apenas como esposa.
Estou falando como familiar de um paciente vulnerável que precisa ser cuidado.
E eu não vou aceitar que ele seja simplesmente deixado de lado.
Quero uma solução.
Patrícia Coltro
Familiar do paciente Clayton Coltro