O que aconteceu
Sou proprietário de dois veículos Peugeot. O mais recente é um Peugeot 2008 THP, comprado em 2024, modelo pelo qual tenho grande apreço. Inclusive, cheguei a considerar a compra de um 2008 novo, mas a forma como este caso vem sendo tratado me entristece e abala minha confiança no pós-venda da marca, pois parece que os erros do passado da Peugeot ainda persistem.
O veículo está dentro do período de garantia, com cobertura até maio de 2027, possui aproximadamente 50.000 km e apresentou falha na peça *****, que trincou. Todas as revisões e manutenções do veículo foram realizadas na concessionária Champion SIA, em Brasília, conforme o plano de manutenção recomendado, mantendo-se o histórico de revisões em rede autorizada.
Apesar disso, a concessionária e a Peugeot negaram o atendimento em garantia sob a justificativa genérica de que a peça seria um item de desgaste natural.
A situação é ainda mais grave porque essa falha é conhecida pelos proprietários e pelo mercado como um defeito crônico relacionado ao motor. Além disso, 50.000 km representa uma quilometragem baixa para a ocorrência de uma falha desse tipo, especialmente em um componente que não deveria ser tratado como peça consumível ou de substituição periódica.
A peça em questão é um tubo, e não um componente projetado para sofrer desgaste periódico por atrito, contato ou deslizamento. Tecnicamente, o desgaste natural, no sentido tribológico, pressupõe uma perda progressiva de material causada por mecanismos como abrasão, adesão, erosão ou fadiga superficial. Uma trinca em um tubo, por outro lado, caracteriza uma falha estrutural, que pode estar relacionada a tensões mecânicas, vibrações, dilatação térmica, concentração de tensões, fadiga, deficiência de material, fabricação, montagem ou projeto.
A literatura de tribologia diferencia o desgaste que é normalmente associado à perda progressiva de material e à formação de crateras ou marcas características, do trincamento, que pode ser provocado por tensões localizadas elevadas ou por variações cíclicas de tensão de origem mecânica ou térmica. Portanto, não é tecnicamente aceitável classificar automaticamente uma peça trincada como item de desgaste natural sem apresentar uma análise de causa que demonstre, de forma objetiva, o mecanismo específico da falha.
Durante o atendimento, solicitei esclarecimentos e pedi contato com a engenharia para compreender o fundamento da negativa. Contudo, fui informado de que a decisão da Regional e de um agente externo seria definitiva, sem que me fosse fornecido laudo técnico, análise de causa, registro de mau uso ou qualquer documento que comprovasse que a falha decorreu de desgaste natural e não falha do componente.
O SAC informou que o protocolo *****, aberto em 24/09/2026, havia sido encerrado em 26/09/2026 com a seguinte justificativa da concessionária:
Orçamento foi apresentado ao cliente para o reparo da peça. O item não é coberto pela garantia, pois se trata de uma peça de desgaste natural. A condição já foi explicada ao cliente.
Em seguida, fui informado de que a negativa seria mantida e de que não seria possível reabrir o caso pelo mesmo assunto. Minha manifestação foi registrada no protocolo *****, apenas para formalização.
Não considero razoável que uma falha por trinca em um tubo seja tratada automaticamente como desgaste natural, sobretudo quando:
o veículo ainda está coberto pela garantia até 05/2027;
a manutenção foi realizada integralmente em concessionária autorizada;
o veículo possui apenas cerca de 50.000 km;
a falha é conhecida como um problema crônico desse motor;
não foi apresentado laudo técnico ou análise de causa;
não foi demonstrado mau uso, acidente ou qualquer condição que exclua a garantia.
Solicito que a Peugeot reveja a decisão e realize a substituição da peça ***** em garantia. Caso a fabricante sustente que houve desgaste natural, solicito que apresente a fundamentação técnica específica, indicando qual mecanismo de desgaste ocorreu, quais evidências foram encontradas e por que um tubo trincado deve ser considerado componente consumível.
Tenho dois veículos Peugeot e sempre considerei continuar na marca. Inclusive, cheguei a cogitar a compra de um Peugeot 2008 novo. Entretanto, uma negativa sem fundamentação técnica, mesmo com o veículo dentro da garantia e com todas as revisões feitas na rede autorizada, prejudica diretamente minha confiança no pós-venda.
É esperado que uma fabricante desse porte trate uma falha conhecida e potencialmente crônica com transparência, responsabilidade e respaldo técnico e não apenas com uma classificação genérica de desgaste natural.