O que aconteceu
Sou proprietário de um Renault Kwid Outsider 1.0 SCe, ano/modelo 2019/2020, com aproximadamente 24 mil quilômetros, e venho registrar uma reclamação formal contra a Renault do Brasil devido a problemas relacionados à aceleração e ao gerenciamento eletrônico do motor.
Minha preocupação vai muito além do custo de manutenção. O veículo apresenta perda temporária de resposta ao acelerador durante o deslocamento, situação que pode provocar um acidente grave.
O primeiro problema acontece quase sempre na primeira partida do dia.
O motor liga normalmente e responde ao acelerador quando o carro está parado. Porém, ao engatar a primeira marcha e começar a andar, o veículo pode perder praticamente toda a capacidade de aceleração.
Mesmo pressionando o pedal, o motor não aumenta a rotação como deveria, parece que vai morrer e demora alguns segundos para recuperar o funcionamento.
Em algumas ocasiões, preciso colocar em ponto morto e engatar novamente a primeira até conseguir prosseguir.
Imaginem essa situação durante uma saída de garagem, cruzamento ou acesso a uma avenida movimentada.
O motorista precisa acelerar, mas o veículo não responde.
Isso pode colocar em risco a vida dos ocupantes, pedestres e demais motoristas.
Existe ainda uma segunda falha: quando o carro já está em movimento e pressiono o acelerador próximo do fim do curso, acende a luz multifunção laranja, conhecida como minhoquinha ou zigue-zague.
A advertência desaparece quando alivio o acelerador.
Foi realizada leitura com scanner Autel e identificados cinco códigos de falha armazenados:
DTC022664, DTC033531, DTC056016, DTC061A62 e DTC065711.
Os registros envolvem incoerência nas informações dos pedais, sinal de rotação do motor, tensão de alimentação da central, comparação de sinais e circuito do relé principal.
Não havia falha ativa no momento da leitura, motivo pelo qual solicito um diagnóstico especializado e avaliação técnica da Renault.
Ao pesquisar o problema, descobri relatos preocupantemente semelhantes no próprio Reclame Aqui.
No registro 165943085, de junho de 2023, outro proprietário relata perda de aceleração por vários segundos após a primeira partida.
No registro 212044539, de março de 2025, uma proprietária relata que o Kwid percorre aproximadamente 50 metros e deixa de responder ao acelerador.
No registro 212562633, também de março de 2025, uma proprietária de Pernambuco relata perda de aceleração durante a arrancada em um Kwid com menos de 25 mil quilômetros.
Mais preocupante: nos registros 184228035 e 184306645, ambos de março de 2024, a própria Renault confirmou problemas relacionados ao pedal eletrônico e realizou substituições em cortesia, mesmo em veículos fora da garantia.
Ou seja, não estamos falando apenas de especulações de proprietários.
Existem ocorrências semelhantes e reparos documentados pela própria fabricante.
Não afirmo que todos os casos tenham a mesma causa, mas entendo que a recorrência merece investigação técnica abrangente.
É importante mencionar que também encontrei um caso em que a perda inicial de aceleração foi discutida com a montadora em termos de estratégia de aquecimento do catalisador.
Gostaria que a Renault esclarecesse formalmente se existe alguma limitação eletrônica de aceleração durante os primeiros segundos após a partida e se a perda de resposta que estou vivenciando pode ser considerada comportamento previsto do veículo.
Solicito à Renault do Brasil:
1. Abertura de protocolo e encaminhamento à Engenharia de Produto e Qualidade.
2. Diagnóstico especializado dos sistemas eletrônicos envolvidos.
3. Verificação de boletins técnicos, revisões do pedal eletrônico e atualizações aplicáveis ao chassi.
4. Avaliação de diagnóstico e eventual reparação em cortesia, considerando o risco à segurança.
5. Posicionamento formal sobre a necessidade de investigação de outros veículos e eventual campanha de recall.
6. Orientação sobre a segurança de continuar utilizando o automóvel nessas condições.
O carro possui baixa quilometragem e histórico de manutenção documentado.
Não considero razoável que uma falha potencialmente perigosa, relacionada à resposta do acelerador, seja tratada apenas como um inconveniente de manutenção sem avaliação adequada de segurança.
Solicito que a Renault apresente uma resposta técnica concreta, não apenas uma orientação genérica para procurar uma oficina.
Meu objetivo é obter uma solução segura para meu veículo e contribuir para que eventuais riscos semelhantes sejam investigados antes que provoquem acidentes.
Aguardo manifestação formal da Renault Brasil.