O que aconteceu
É com profunda tristeza e indignação que
compartilho nossa experiência com a Belas Artes. Meu filho trabalha durante o dia para conseguir pagar a própria faculdade, fazendo sacrifícios para conquistar uma formação profissional e construir um futuro melhor. Por isso, é extremamente frustrante perceber que o ensino oferecido está cada vez mais distante das expectativas de quem investe tempo, dinheiro e esforço em uma instituição de ensino superior.
A impressão que temos é de que a faculdade se apoia no peso do seu nome e na sua reputação, mas, na prática, deixa muito a desejar na qualidade do ensino. Meu filho continua estudando porque precisa concluir sua formação, mas, a cada semestre, as experiências de aprendizagem parecem piorar.
É inadmissível ouvir professores dizerem que não conseguem ensinar Design de Jogos porque o tempo disponível é insuficiente para que os alunos aprendam o necessário. Também é decepcionante ver disciplinas como Design Digital se resumirem, segundo nossa experiência, à produção repetitiva de colagens, sem o aprofundamento técnico e criativo que se espera de uma formação nessa área.
Há ainda situações envolvendo professores que chegam atrasados, transmitem pouco conteúdo, aplicam avaliações e permitem que alunos colem, além de utilizarem parte do tempo das aulas para conversas e fofocas, em vez de se dedicarem ao ensino. Tudo isso prejudica diretamente os estudantes, que pagam caro por uma formação que deveria prepará-los para o mercado de trabalho.
O mais revoltante é pensar que os alunos e suas famílias fazem um investimento financeiro significativo durante o ano inteiro, considerando matrículas, rematrículas e mensalidades, enquanto a qualidade do ensino nem sempre corresponde ao valor pago. A educação não pode ser tratada apenas como um negócio, no qual a instituição recebe os pagamentos, mas não garante uma experiência de aprendizagem compatível com o que promete. Esperávamos que uma instituição como a Belas Artes oferecesse uma formação sólida, com professores preparados, aulas práticas, conteúdo relevante, acompanhamento dos alunos e oportunidades reais de desenvolver competências em arte, design digital e desenvolvimento de jogos. Infelizmente, nossa percepção tem sido de uma experiência frustrante, que desestimula justamente os estudantes que mais se esforçam para conquistar seu diploma.
É triste perceber que a expectativa de adquirir conhecimentos práticos e sair da faculdade realmente preparado para exercer uma profissão parece, em muitos momentos, um sonho distante.
Não se trata de desvalorizar o trabalho de todos os profissionais da instituição, mas de cobrar responsabilidade, qualidade e respeito pelos alunos. Quem paga por um curso superior merece professores comprometidos, aulas bem planejadas e uma formação que justifique o investimento financeiro e pessoal realizado.
A Belas Artes precisa ouvir seus alunos, avaliar a atuação de seus professores e rever a qualidade do conteúdo oferecido. Um diploma, por si só, não substitui o conhecimento, a experiência prática e a preparação profissional que uma faculdade deveria proporcionar.
Nossa indignação nasce justamente disso: ver um jovem que trabalha para pagar os próprios estudos continuar se esforçando para conquistar uma formação, enquanto sente que não está recebendo o ensino que merece. Os alunos não estão pedindo privilégios. Estão exigindo aquilo pelo qual pagam: educação de qualidade, respeito e uma preparação profissional de verdade.