O que aconteceu
Hospital Salvalus: desorganização, falta de higiene e falhas graves antes de cirurgia oncológica
Venho registrar minha indignação com o atendimento recebido no Hospital Salvalus, na Mooca, pertencente à rede Hapvida NotreDame Intermédica.
Já enfrento demora e dificuldades para conseguir realizar minha cirurgia, situação que motivou uma reclamação junto à Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), sob o protocolo *****. Depois de toda essa espera e preocupação, quando finalmente chegou o momento da internação para realizar o procedimento, fui submetido a situações que comprometeram completamente minha confiança no hospital.
1. Informações contraditórias e desorganização na internação
Recebi uma mensagem da NotreDame Intermédica informando que deveria me internar na quinta-feira, dia 29 de outubro, às 12h, para realizar a cirurgia na sexta-feira, dia 30, às 12h. Entretanto, o setor oncológico do próprio hospital enviou outra mensagem orientando minha internação às 7h de quinta-feira e a cirurgia às 7h de sexta-feira.
Questionei qual orientação deveria seguir e me disseram para seguir a das 7h. Saí de Itapecerica da Serra e cheguei ao hospital às 6h40.
Para minha surpresa, ao chegar à recepção, o próprio atendente perguntou se eu realmente ficaria internado naquele dia, pois a internação não aparecia para ele no sistema.
Como um paciente recebe orientações oficiais, sai de casa de madrugada e, ao chegar, nem mesmo a recepção consegue confirmar sua internação?
2. Falta de acolhimento e de informações sobre minha cirurgia
Quem me levou ao quarto foi um atendente da recepção, e não um profissional da equipe de enfermagem. Ao chegar, não recebi roupa hospitalar para me acomodar na maca e permaneci com a roupa que usava na rua. Também não instalaram meu acesso venoso.
Por volta das 10h20, uma médica foi ao quarto, conversou comigo, explicou como seriam os procedimentos e prescreveu os medicamentos necessários para o preparo. Essas prescrições apareceram no aplicativo da Hapvida.
Depois, uma enfermeira e outra profissional, cuja função não consegui identificar, também foram até mim perguntar qual cirurgia eu faria. Ou seja, diferentes profissionais demonstraram não ter conhecimento claro sobre o procedimento para o qual eu estava internado.
3. Nenhuma medicação administrada até as 16h e falta de preparo
Apesar de as prescrições estarem disponíveis no aplicativo desde aproximadamente 10h20, eram cerca de 16h e eu ainda não havia recebido nenhuma medicação.
Eu estava internado para realizar uma retossigmoidectomia, uma cirurgia de grande porte que envolve a retirada de parte do intestino, incluindo a região do reto conforme a indicação cirúrgica. Precisava realizar o preparo pré-operatório, inclusive com os medicamentos prescritos para a lavagem intestinal.
Entretanto, não haviam instalado meu acesso venoso e nenhuma medicação havia sido administrada até aquele horário, conforme vivenciei durante minha permanência.
Como um hospital recebe um paciente para uma cirurgia tão importante, a médica faz a avaliação e prescreve os medicamentos, mas horas depois o paciente continua sem receber a medicação necessária para o preparo?
Solicito que sejam verificados os horários das prescrições, da administração dos medicamentos e dos procedimentos de enfermagem registrados no meu prontuário.
4. Alimentação inadequada
Minha dieta deveria ser líquida, mas recebi uma gelatina, água e um líquido que preciso descrever exatamente como era: não era sopa nem caldo. Era literalmente a água do cozimento dos legumes, como se tivessem cozinhado as verduras e servido somente a água que sobrou.
Considero inaceitável receber uma alimentação nessas condições durante a internação para uma cirurgia de grande porte. Quero esclarecimentos sobre a dieta prescrita e a refeição que efetivamente me forneceram.
5. Banheiro em condições precárias de higiene
O banheiro do quarto estava em péssimas condições, com as paredes cheias de lodo e aparência de falta de higiene, algo incompatível com o ambiente hospitalar.
Fiquei indignado ao imaginar como seria minha recuperação pós-operatória naquele local. Uma cirurgia desse porte exige cuidados especiais, e o mínimo esperado é um quarto limpo e um banheiro em condições adequadas de higiene.
6. Mais de 25 minutos esperando após acionar a campainha
Acionei a campainha de emergência do quarto e esperei mais de 25 minutos sem que um enfermeiro aparecesse para verificar minha situação. Minha esposa precisou sair do quarto e ir pessoalmente reclamar para tentar conseguir atendimento.
É inadmissível que um paciente precise esperar tanto tempo após solicitar ajuda e dependa da intervenção de um familiar para chamar a atenção da equipe.
7. Perdi a confiança e não me senti seguro para permanecer internado
Diante de todos esses acontecimentos, manifestei que iria embora. Disseram que eu deveria ficar e que tentariam resolver os problemas, mas minha confiança já estava profundamente abalada.
Não desisti por capricho. Enfrentei uma longa espera porque preciso dessa cirurgia. Entretanto, diante da desorganização, da falta de medicação, da ausência de acesso venoso, da alimentação inadequada, das condições de higiene e da demora no atendimento, não me senti seguro para continuar internado.
Minha preocupação também aumentou diante das notícias divulgadas pela imprensa sobre investigações envolvendo mortes de bebês atendidos no Salvalus. Não afirmo que esses casos tenham relação com meu atendimento, mas essas notícias aumentaram minha preocupação com a segurança assistencial.
8. O que espero do hospital e da NotreDame Intermédica
Solicito uma resposta formal e esclarecedora sobre:
- As informações contraditórias sobre a internação e a cirurgia.
- A falta de confirmação da internação na recepção e a falta de conhecimento dos profissionais sobre o procedimento.
- A ausência de acesso venoso e a demora na administração das medicações prescritas para o preparo intestinal.
- A alimentação fornecida e as condições de higiene do quarto e do banheiro.
- A demora superior a 25 minutos após o acionamento da campainha.
- As providências para garantir a continuidade do meu tratamento e o reagendamento seguro da cirurgia.
Peço que sejam verificados e preservados os registros de recepção, prontuário, prescrições, administração de medicamentos, enfermagem, alimentação, higienização e chamados de atendimento.
Depois de toda a demora e do desgaste para conseguir realizar essa cirurgia, considero revoltante chegar ao hospital e enfrentar tantos problemas antes mesmo de entrar no centro cirúrgico.
Eu precisava de organização, higiene, respeito às prescrições e segurança. Não estava pedindo privilégios, apenas o mínimo esperado de uma instituição hospitalar.
Já precisei recorrer à ANS, sob o protocolo *****, devido aos problemas e à demora relacionados à cirurgia. Quando finalmente chegou o momento de realizá-la, a experiência que vivi me fez perder a confiança no Hospital Salvalus e desistir de permanecer internado naquele momento.
Não quero apenas uma resposta automática ou um pedido de desculpas. Quero que os fatos sejam apurados, que minhas dúvidas sejam respondidas e que sejam apresentadas providências concretas.
Espero que o Hospital Salvalus e a NotreDame Intermédica assumam a responsabilidade de investigar o ocorrido e me orientem para que eu possa dar continuidade ao meu tratamento com segurança.
Nenhum paciente deveria passar por uma situação como essa, muito menos alguém que está prestes a realizar uma cirurgia oncológica de grande porte