Não respondida

Minha reclamação sobre o atendimento pós-cirúrgico do meu filho de 3 anos

Hospital Baía Sul

cidade: Porto Alegre

O que aconteceu

Assunto: RECLAMAÇÃO FORMAL Conduta da equipe de enfermagem no pós-operatório infantil

À Ouvidoria e à Direção do Hospital Baía Sul,

Venho registrar uma reclamação formal referente ao atendimento prestado ao meu filho, Anthony, de 3 anos de idade, no período pós-operatório de sua primeira cirurgia, realizada no Hospital Baía Sul.

Dados do paciente: Anthony

Idade: 3 anos

Procedimento: Adenoidectomia, amigdalectomia e turbinectomia

Data da cirurgia: 08/10/2026

Horário da cirurgia: 10h20

Por se tratar de uma criança pequena, recém-saída de um procedimento cirúrgico e ainda sob efeito de anestesia, eu esperava encontrar uma equipe preparada, cuidadosa, acolhedora e, principalmente, atenta às orientações da médica responsável.

Infelizmente, foi exatamente o oposto do que vivenciei.

Após a cirurgia, a médica responsável saiu da sala e orientou a equipe de enfermagem de que meu filho deveria acordar sozinho. Entretanto, assim que a médica se afastou, uma profissional da enfermagem, que acredito se chamar Clara não sei informar se era enfermeira ou técnica de enfermagem passou a tentar acordá-lo, repetindo acorda, acorda, e retirou o oxigênio que ele estava utilizando.

Logo depois, ela virou as costas e saiu.

Meu filho, ainda sob efeito da anestesia, começou a se levantar, se erguer e chorar compulsivamente. Ele estava com acessos nos braços e com o equipamento de monitorização da saturação. Em vez de acolher uma criança que acabara de sair de uma cirurgia, a profissional demonstrou irritação e disse que eu poderia tirá-lo dali e colocá-lo no colo.

Ele começou a pedir colo e, diante daquela situação, a profissional questionou se eu não daria conta e sugeriu que eu chamasse o pai.

Eu respondi que daria conta, pois ele era uma criança.

A resposta dela, em tom de deboche e evidente irritação, foi:

Dá conta sim, tô vendo.

Considero essa fala completamente inadequada para um ambiente hospitalar, principalmente diante de uma mãe que estava tentando acalmar seu filho recém-operado.

Como se isso não bastasse, enquanto meu filho permanecia chorando, a profissional se sentou e passou a realizar uma ligação telefônica de caráter pessoal, falando em voz alta sobre assuntos particulares.

Eu estava extremamente angustiada. Fechei os olhos e comecei a orar enquanto segurava meu filho. Ela então olhou para mim e disse:

Tudo bem aí, mãezinha? Não vai cair daí com ele?

Respondi que não.

Depois, passou a questionar se eu precisava de comida e se eu não iria desmaiar. Expliquei que já havia comido e que estava bem. Ela então respondeu, novamente em tom de deboche:

Bom, se cair no chão não passa, né?

E riu.

É inadmissível que uma mãe, em um momento de extrema vulnerabilidade, acompanhando seu filho recém-operado, seja tratada dessa maneira por uma profissional dentro de um hospital.

Em determinado momento, também informei que havia percebido sangramento no nariz do meu filho. Em vez de verificar adequadamente a situação, a resposta foi:

Nem dá para ver daqui, mãe, está tudo certo.

Como mãe, eu não esperava que minha preocupação fosse simplesmente descartada. Eu esperava que a informação fosse recebida com seriedade e que a criança fosse devidamente avaliada.

Posteriormente, a mesma profissional realizou uma ligação para outro setor para solicitar a transferência para o leito. Durante a ligação, questionou se a pessoa do outro lado era técnica ou enfermeira e, em seguida, afirmou que estava com pressa e que precisava que as informações fossem anotadas rapidamente.

Pouco depois, desligou o telefone na cara da profissional.

O profissional que estava ao lado dela chegou a rir e comentou que ela havia desligado na cara da outra pessoa. Ela respondeu que sim, justificando que a profissional estava demorando muito para anotar as informações e que estava sem paciência.

Tudo isso aconteceu enquanto meu filho permanecia chorando e eu tentava lidar com uma situação extremamente delicada.

Quero deixar claro que não considero esse episódio um simples problema de atendimento ou uma questão de personalidade da profissional.

Estou relatando uma sequência de atitudes que, na minha percepção, demonstraram falta de acolhimento, falta de empatia, desrespeito com uma mãe em situação de vulnerabilidade e uma postura que merece ser formalmente apurada pela instituição, especialmente por ter ocorrido no cuidado de uma criança no período pós-operatório.

Também considero extremamente importante que o hospital esclareça por qual motivo o oxigênio do meu filho foi retirado e por qual motivo ele foi estimulado a acordar, uma vez que a orientação médica que recebi foi de que ele deveria acordar sozinho.

Não tenho conhecimento técnico suficiente para avaliar se a conduta adotada foi ou não adequada do ponto de vista assistencial. É justamente por isso que solicito que o hospital investigue formalmente o ocorrido e esclareça o protocolo adotado.

Meu filho tem apenas 3 anos. Era sua primeira cirurgia. Eu estava assustada, vulnerável e confiava que, dentro de um hospital, ele estaria sendo cuidado por profissionais preparados para lidar não apenas com o procedimento médico, mas também com uma criança acordando da anestesia e com a família que a acompanha.

Em vez disso, saí daquela situação com a sensação de que estava incomodando a profissional simplesmente por estar preocupada e por meu filho estar chorando.

Não aceito que o choro de uma criança de 3 anos, recém-operada e sob efeito de anestesia, seja tratado como um incômodo ou motivo de irritação.

Solicito, portanto:

1. A identificação da profissional chamada Clara que estava responsável pelo atendimento naquele momento;

2. A identificação dos demais profissionais presentes na recuperação pós-anestésica;

3. A apuração da conduta adotada em relação ao despertar do meu filho;

4. O esclarecimento sobre a retirada do oxigênio e se essa conduta estava de acordo com a prescrição/orientação médica e com o protocolo institucional;

5. A apuração das falas e atitudes relatadas nesta reclamação;

6. A verificação dos registros assistenciais referentes ao período;

7. Um retorno formal da instituição sobre a apuração e as providências adotadas.

Faço questão de registrar esta reclamação porque acredito que uma instituição hospitalar precisa garantir não apenas segurança técnica, mas também respeito, humanidade e acolhimento, especialmente quando se trata de uma criança.

Espero sinceramente que este relato seja levado a sério e que a instituição avalie a conduta da profissional envolvida, para que nenhuma outra criança e nenhuma outra mãe precise passar por uma situação semelhante.

Meu filho estava sob os cuidados do hospital. Eu esperava segurança. O mínimo que uma mãe espera nesse momento é ser respeitada e sentir que seu filho está sendo tratado com cuidado. Infelizmente, não foi isso que vivenciei.

Aguardo posicionamento formal da Ouvidoria e da Direção do Hospital Baía Sul.

Atenciosamente,

Andressa Diogo

Mãe de Anthony