Respondida

Fui ao hospital com minha esposa e saímos sem atendimento após 4 horas de espera

Hospital da Bahia

cidade: Salvador

O que aconteceu

No dia 02/10/2026, por volta das 20h33, eu e minha esposa demos entrada na emergência do Hospital da Bahia, em Salvador/BA. O que deveria ser uma busca por assistência médica acabou se tornando uma experiência extremamente frustrante, marcada pela demora excessiva, pela falta de uma solução efetiva e pela saída da unidade sem que nenhum de nós tivesse sido atendido por um médico.

Após aproximadamente 10 a 15 minutos, fomos chamados para a avaliação inicial e classificação de risco. Minha esposa recebeu a pulseira amarela, indicando prioridade superior à minha, que recebi a pulseira verde.

No momento da assinatura da documentação do plano de saúde, fomos informados pela recepção de que o tempo médio de espera seria de aproximadamente uma hora para pacientes com pulseira amarela e uma hora e meia para pacientes com pulseira verde. Naquele momento, não vimos qualquer aviso na entrada da emergência informando uma demora excepcional.

Entretanto, o tempo passou muito além do que nos havia sido informado. Permanecemos por aproximadamente quatro horas aguardando atendimento médico, sem que nenhum de nós fosse chamado para consulta.

Durante a espera, procuramos a coordenação do setor em diversas ocasiões, buscando esclarecimentos e alguma solução. Inicialmente, fomos informados de que havia apenas dois médicos atendendo: um na ortopedia e outro na clínica médica. Posteriormente, diante da alta demanda, segundo nos foi dito, mais um médico foi chamado. Ainda assim, não percebemos uma mudança efetiva no andamento da fila.

O ambiente ficou marcado pela insatisfação de diversos pacientes. Presenciamos pessoas demonstrando indignação, algumas discutindo e elevando a voz, enquanto outras desistiam do atendimento. Nossa intenção nunca foi obter qualquer privilégio, mas simplesmente receber assistência médica em um prazo razoável, com informações claras e respeito à classificação de risco realizada pela própria equipe.

Após cerca de quatro horas, ainda havia aproximadamente cinco pessoas à frente da minha esposa, que havia recebido a pulseira amarela. Também presenciamos a desistência de outra pessoa que aguardava atendimento prioritário. Diante da exaustão, da ausência de perspectiva concreta e das circunstâncias familiares, acabamos desistindo e solicitando o cancelamento do atendimento.

Há outro aspecto preocupante: somente durante a permanência na unidade percebemos que havia sido colocado um aviso informando que a espera estava em torno de duas horas (após muito tempo foi colocado). Não tinha essa informação quando chegamos. Se a demanda estava acima da capacidade de atendimento, entendemos que os pacientes deveriam receber informações claras e atualizadas desde o início, inclusive para que pudessem compreender a situação e tomar decisões conscientes.

Além do cansaço físico e emocional, havia uma circunstância familiar importante: nossa filha, então com aproximadamente um ano e dois meses, estava em casa com os avós, aguardando nossa volta e seu horário de mamar. Isso contribuiu para nossa decisão de sair, mas não apaga o fato central: deixamos a emergência sem atendimento médico após horas de espera.

Infelizmente, os acontecimentos posteriores tornaram a experiência ainda mais preocupante. Depois daquela noite, meus sintomas pioraram, assim como os da minha esposa. Procuramos atendimento ambulatorial e, por receio de enfrentar novamente uma situação semelhante, não retornamos imediatamente àquela emergência. Na quinta-feira seguinte, 08/10/2026, eu, minha esposa e nossa filha acabamos procurando a emergência do Hospital Mater Dei, onde fomos atendidos. Os tratamentos posteriores incluíram, conforme as prescrições recebidas, antibiótico e corticoide. Minha filha ainda apresentava sintomas no momento em que escrevi este relato.

Não afirmo que a espera no Hospital da Bahia tenha causado a doença ou sua evolução, pois isso exigiria avaliação médica específica. O que relato é a sequência dos fatos e o impacto que a experiência teve sobre nossa confiança em procurar atendimento naquela unidade.

O atendimento de urgência não pode ser avaliado apenas pela existência de uma recepção, de uma triagem ou de profissionais escalados. É necessário que haja organização, acompanhamento dos pacientes durante a espera, informação adequada e capacidade de responder à demanda de maneira segura.

Diante disso, solicito ao Hospital da Bahia uma apuração formal do ocorrido em 02/10/2026, no período aproximado entre 20h33 e a nossa saída, com identificação do protocolo de atendimento e análise do fluxo da emergência naquele plantão. Visto que diversos pacientes ficaram sem atendimento e foram embora. Esclarecimento sobre os critérios utilizados para estimar os tempos de espera informados na recepção e sobre a colocação posterior do aviso que indicava demora de aproximadamente duas horas. Informação sobre como foram realizadas as reavaliações dos pacientes que aguardavam atendimento, especialmente daqueles classificados com pulseira amarela, e quais medidas foram adotadas para administrar a demanda. Esclarecimento sobre a capacidade de atendimento disponível naquela noite e sobre as providências adotadas quando se verificou que a espera estava muito acima da estimativa inicialmente comunicada. Resposta formal, individualizada e fundamentada, e não apenas uma manifestação genérica de desculpas ou de encaminhamento interno.

Solicito também que sejam preservados os registros relacionados à nossa passagem pela unidade, incluindo fichas de atendimento, classificação de risco, horários registrados, cancelamento ou encerramento das fichas e informações pertinentes ao funcionamento da emergência naquele período.

Não publico esta reclamação por causa de uma simples insatisfação com o tempo de espera. Faço isso porque eu e minha esposa procuramos assistência em uma emergência, recebemos classificações de risco distintas, aguardamos aproximadamente quatro horas e fomos embora sem atendimento médico. Considero indispensável que o hospital explique o que aconteceu e demonstre quais medidas serão adotadas para evitar que outros pacientes passem pela mesma situação.

Espero uma resposta concreta e uma apuração séria. Caso não haja esclarecimento satisfatório, considerarei encaminhar os fatos e os documentos disponíveis aos órgãos competentes para avaliação.

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4

Interações da reclamação

  1. Hospital da Bahia respondeu

    21/10/2026 às 08:30

    Prezado Sr. bom dia,

    Em atenção a sua manifestação, agradecemos a oportunidade em nos atender na data de hoje 21/10/2026, ocasião na qual conversamos acerca das tratativas realizadas

    referente ao fato exposto.

    Permanecemos a disposição.

    Atenciosamente,

    Ouvidoria Corporativa Rede Américas.