O que aconteceu
Já havia registrado anteriormente uma reclamação no Reclame Aqui sobre minha dívida com o PicPay. Após isso, no dia 28/09, aceitei pelo próprio aplicativo uma nova proposta para regularizar a situação.
A condição apresentada foi clara: 36 parcelas de aproximadamente R$ 264,75, sem entrada, com juros de 2% ao mês e valor total informado de cerca de R$ 9.530,91.
Aceitei justamente porque esse era um valor mensal que eu conseguiria pagar e porque a negociação foi apresentada expressamente como sem entrada. Minha expectativa era simples: no próximo vencimento, eu pagaria aproximadamente o valor da parcela acordada.
Porém, somente no dia 15, quando entrei no aplicativo para realizar o pagamento, descobri que a fatura estava em R$ 868,97.
Ao conferir os lançamentos, vi que apenas R$ 263,78 correspondiam à primeira parcela do acordo. Outros R$ 605,19 correspondiam a encargos e IOF, incluindo aproximadamente R$ 535,03 de juros do crédito rotativo, R$ 22,70 de multa por atraso, R$ 28,61 de juros de mora, além de IOF.
É justamente essa cobrança que estou questionando.
Se no dia 28/09 foi realizada uma renegociação do saldo em aberto, em 36 parcelas e sem entrada, por que depois disso ainda foram lançados mais de R$ 600 em juros, multa, mora e IOF na primeira fatura do acordo?
Caso esses encargos sejam referentes ao período anterior à negociação, solicito que o PicPay esclareça de forma objetiva a qual período se referem, sobre qual saldo foram calculados, qual taxa foi aplicada e por que esses valores não foram incluídos ou informados de forma clara antes da contratação.
Não considero razoável que o consumidor feche um acordo acreditando que terá uma parcela de aproximadamente R$ 264 e descubra somente no vencimento que deverá pagar R$ 868,97, mais de três vezes o valor anunciado.
A própria lógica da renegociação fica prejudicada. Procurei uma solução justamente porque precisava transformar a dívida em uma prestação mensal que eu conseguisse pagar. Se já existiam mais de R$ 600 em encargos pendentes, por que esses valores não foram considerados no saldo renegociado ou, no mínimo, destacados antes da minha aceitação?
Qual é a finalidade de oferecer uma parcela de aproximadamente R$ 264 e, logo no primeiro vencimento, exigir quase R$ 900?
O efeito prático disso é extremamente preocupante: se o consumidor não consegue pagar uma cobrança inesperadamente alta, o saldo volta a ficar em atraso e passa a gerar novos juros, multa e mora, fazendo a dívida crescer novamente. Uma renegociação que deveria facilitar a regularização acaba criando nova dificuldade de pagamento.
Assim que percebi o problema, procurei o atendimento do PicPay no mesmo dia e enviei inclusive o print da negociação aceita. Mesmo assim, fui informada de que não constava nenhuma negociação ativa no sistema, embora o parcelamento já estivesse lançado no próprio aplicativo.
Na fatura seguinte, porém, aparece normalmente a parcela 2/36, novamente próxima dos R$ 264 acordados. Isso reforça que o problema está justamente nessa primeira fatura, em que surgiram mais de R$ 600 em encargos que não estavam claros no momento do acordo.
Esse tipo de situação já havia me causado preocupação anteriormente com a forma como os juros são aplicados pelo PicPay, mas agora, como não estou mais utilizando o cartão para novas compras, consigo acompanhar os lançamentos com muito mais clareza. E ficou evidente que o valor cobrado no primeiro vencimento não corresponde ao que eu esperava com base na proposta aceita.
Quero pagar e manter o acordo. Não estou pedindo cancelamento da renegociação.
Solicito apenas que o PicPay:
1. explique e apresente a memória de cálculo dos R$ 605,19 cobrados na primeira fatura;
2. informe o período exato de incidência dos juros, multa, mora e IOF;
3. esclareça por que esses valores não foram informados de forma clara no momento da contratação;
4. revise e estorne os encargos, caso tenham sido cobrados fora da condição apresentada;
5. mantenha a renegociação nas condições contratadas, sem novos valores inesperados.
Não considero suficiente uma resposta genérica de que os juros estavam previstos em contrato. O problema é que a condição apresentada ao consumidor foi de 36 parcelas de aproximadamente R$ 264,75, sem entrada, e a primeira cobrança real foi de R$ 868,97.
Quero simplesmente conseguir cumprir o acordo que aceitei, pagando aquilo que foi efetivamente negociado, sem ser surpreendida depois por centenas de reais em encargos que não estavam claros na contratação.